Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
— Filho, conheça Kristhen! — Elaine se levanta com aquele sorriso sereno, segurando o braço do filho e puxando ele até mim — Ela será sua nova segurança pessoal. Ou, se preferir... guarda-costas.
Reed ergue os olhos de maneira hesitante, como se estivesse tentando entender o que isso significava, e pergunta baixinho:
— Guarda-costas? Por quê?
— Pra te manter seguro, só isso. Não se preocupe. Cumprimenta ela.
Ele hesita um instante, claramente desconfortável, mas levanta a mão trêmula, como se fosse um sinal tímido de "oi".
— Sou o... Reed.
Aperto a mão dele com firmeza, sentindo o suor da sua palma, o nervosismo. Ele não disfarça.
— Sou Kristhen.
— Kristhen não vai ser só sua segurança, vai ser uma amiga também, não é legal? — Elaine tenta aliviar o clima, fala com a voz doce
Ele desvia o olhar repetidas vezes, os olhos inquietos, cheios daquela tensão que só quem tem medo de parecer estranho entende.
— Sim... Eu vou... pro meu quarto. — responde com um sorriso tímido, quase forçado
— Não quer conhecer a Kristhen melhor? Ela é ótima, não precisa ficar tímido. — ela tenta insistir, sorrindo calorosamente
Reed me encara por um instante, o olhar pesado, mas logo vira o rosto pra mãe, resignado
— Vou banhar e já desço.
Ela sorri, satisfeita, e o deixa ir embora pelo corredor longo, imponente. Eu acompanho com o olhar até ele desaparecer.
— Tente sempre manter ele seguro — Elaine me diz, com uma voz suave, mas firme — e fale com ele, porque Reed não é de puxar conversa.
— Pode deixar. Vou dar meu melhor pra ele se sentir mais à vontade.
— Obrigada, Kristhen. Lucy deve estar ocupada, então eu mesma te levarei ao seu quarto.
***
No celular, minha mãe pergunta, preocupada:
— Ele é realmente tão tímido assim?
— Não sei, mãe. Não dá pra dizer só pela aparência.
— Talvez seja só o jeito dele. A mãe dele falou que ele melhorou muito.
Contei tudo pra minha mãe, e talvez ela esteja certa. Reed parece ser o tipo que usa roupas e atitude como uma armadura
— Ele só gosta de se vestir bem.
— Pode ser isso. Enfim, preciso desligar, vou tentar puxar conversa com ele.
— Tá bom, beijos.
— Te amo.
— Também te amo.
Desligo e deixo o celular carregando. Saio do quarto e me deparo com o corredor enorme e silencioso. É fácil se perder ali, tudo tão amplo e sem fim. O espaço dos seguranças fica à direita, é onde vou ficar. Só sei que Reed mora no terceiro andar, porque a mãe dele comentou.
Respiro fundo e sigo pelo corredor, os olhos se prendendo nos quadros nas paredes. Empurro uma porta e entro no corredor principal. Sigo até as escadas e espero ao lado. Escuto o som abafado de chinelos contra o chão, e logo Reed aparece, com os olhos grudados no celular.
Parece disperso.
— Vai sair? — pergunto, tentando soar natural
Ele se assusta. Seu corpo pula e o celular quase cai, mas pega rápido, ofegante, com a respiração um pouco acelerada.
— Ah... sim. É hora do meu treino — fala baixo, sem me encarar, tentando se recompor
— Quer que eu te acompanhe?
Ele balança a cabeça em negatividade e me olha por alguns segundos, um misto de dúvida e receio.
— Não, é aqui na casa mesmo. Ah, e... não me chame de senhor, é estranho.
— Tá bom.
— Podemos conversar depois? Você vai estudar no mesmo colégio, não é?
— Vou. Posso te ajudar com as tarefas, se quiser.
Ele me encara por mais tempo, como se tentasse decidir se confia. Mas fica em silêncio, apenas evitando meu olhar.
— Tem certeza que não quer que eu vá pro seu treino? Podemos conversar enquanto isso. — decido quebrar aquele clima tenso
— Tenho vergonha. — ele passa a mão na nuca, nervoso
— Não precisa ter vergonha, eu não vou rir de você. Se me deixar ir, vai ficar mais fácil da gente se comunicar.
Ele pensa por alguns segundos, então me olha.
— Minha mãe pediu pra você me ajudar com a timidez?
Assinto devagar. Ele concorda com a cabeça, aceitando.
— Vamos? — pergunto
Ele começa a andar, eu sigo.
Caminhamos pelos corredores silenciosos até chegar numa academia particular — tudo novo, impecável.
Ele fecha a porta com cuidado e vai até uma mesa, enchendo uma garrafa com água. Prepara uma bebida misteriosa. O silêncio entre nós cresce, pesado, até que tento puxar assunto.
— Tá pensando em assumir as empresas do seu pai?
Ele solta um riso baixo, quase sem jeito
— Ah... sim. Mas não sei se vou conseguir.
— Você vai conseguir. Vou ajudar com a timidez. Logo você vai estar conversando com todo mundo numa boa.
Ele olha pro chão, a voz quase um sussurro
— Você acha?
— Tenho certeza. Só me deixa ajudar.
O silêncio volta. Ele mexe a garrafa devagar, o barulho do líquido preenchendo a sala.
— Você... já se apaixonou?
Me surpreendo com a pergunta, mas respondo sincera.
— Já.
— Já namorou?
Ele parece curioso, e isso mostra que ele pode estar gostando de alguém.
— Duas vezes.
— Por que não ficou com nenhum?
— Um foi morar fora, o outro terminou porque gostava de outra pessoa. — respondi
O som da garrafa sacudida acompanha o peso do silêncio.
— Como é estar apaixonada?
É, ele gosta de alguém.
Continua...
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