Capítulo 3- Primeiro Contato

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Kristhen Zillord

— Filho, conheça Kristhen! — Elaine se levanta com aquele sorriso sereno, segurando o braço do filho e puxando ele até mim — Ela será sua nova segurança pessoal. Ou, se preferir... guarda-costas.

Reed ergue os olhos de maneira hesitante, como se estivesse tentando entender o que isso significava, e pergunta baixinho:

— Guarda-costas? Por quê?

— Pra te manter seguro, só isso. Não se preocupe. Cumprimenta ela.

Ele hesita um instante, claramente desconfortável, mas levanta a mão trêmula, como se fosse um sinal tímido de "oi".

— Sou o... Reed.

Aperto a mão dele com firmeza, sentindo o suor da sua palma, o nervosismo. Ele não disfarça.

— Sou Kristhen.

— Kristhen não vai ser só sua segurança, vai ser uma amiga também, não é legal? — Elaine tenta aliviar o clima, fala com a voz doce

Ele desvia o olhar repetidas vezes, os olhos inquietos, cheios daquela tensão que só quem tem medo de parecer estranho entende.

— Sim... Eu vou... pro meu quarto. — responde com um sorriso tímido, quase forçado

— Não quer conhecer a Kristhen melhor? Ela é ótima, não precisa ficar tímido. — ela tenta insistir, sorrindo calorosamente

Reed me encara por um instante, o olhar pesado, mas logo vira o rosto pra mãe, resignado

— Vou banhar e já desço.

Ela sorri, satisfeita, e o deixa ir embora pelo corredor longo, imponente. Eu acompanho com o olhar até ele desaparecer.

— Tente sempre manter ele seguro — Elaine me diz, com uma voz suave, mas firme — e fale com ele, porque Reed não é de puxar conversa.

— Pode deixar. Vou dar meu melhor pra ele se sentir mais à vontade.

— Obrigada, Kristhen. Lucy deve estar ocupada, então eu mesma te levarei ao seu quarto.

***

No celular, minha mãe pergunta, preocupada:

— Ele é realmente tão tímido assim?

— Não sei, mãe. Não dá pra dizer só pela aparência.

— Talvez seja só o jeito dele. A mãe dele falou que ele melhorou muito.

Contei tudo pra minha mãe, e talvez ela esteja certa. Reed parece ser o tipo que usa roupas e atitude como uma armadura

— Ele só gosta de se vestir bem.

— Pode ser isso. Enfim, preciso desligar, vou tentar puxar conversa com ele.

— Tá bom, beijos.

— Te amo.

— Também te amo.

Desligo e deixo o celular carregando. Saio do quarto e me deparo com o corredor enorme e silencioso. É fácil se perder ali, tudo tão amplo e sem fim. O espaço dos seguranças fica à direita, é onde vou ficar. Só sei que Reed mora no terceiro andar, porque a mãe dele comentou.

Respiro fundo e sigo pelo corredor, os olhos se prendendo nos quadros nas paredes. Empurro uma porta e entro no corredor principal. Sigo até as escadas e espero ao lado. Escuto o som abafado de chinelos contra o chão, e logo Reed aparece, com os olhos grudados no celular.

Parece disperso.

— Vai sair? — pergunto, tentando soar natural

Ele se assusta. Seu corpo pula e o celular quase cai, mas pega rápido, ofegante, com a respiração um pouco acelerada.

— Ah... sim. É hora do meu treino — fala baixo, sem me encarar, tentando se recompor

— Quer que eu te acompanhe?

Ele balança a cabeça em negatividade e me olha por alguns segundos, um misto de dúvida e receio.

— Não, é aqui na casa mesmo. Ah, e... não me chame de senhor, é estranho.

— Tá bom.

— Podemos conversar depois? Você vai estudar no mesmo colégio, não é?

— Vou. Posso te ajudar com as tarefas, se quiser.

Ele me encara por mais tempo, como se tentasse decidir se confia. Mas fica em silêncio, apenas evitando meu olhar.

— Tem certeza que não quer que eu vá pro seu treino? Podemos conversar enquanto isso. — decido quebrar aquele clima tenso

— Tenho vergonha. — ele passa a mão na nuca, nervoso

— Não precisa ter vergonha, eu não vou rir de você. Se me deixar ir, vai ficar mais fácil da gente se comunicar.

Ele pensa por alguns segundos, então me olha.

— Minha mãe pediu pra você me ajudar com a timidez?

Assinto devagar. Ele concorda com a cabeça, aceitando.

— Vamos? — pergunto

Ele começa a andar, eu sigo.

Caminhamos pelos corredores silenciosos até chegar numa academia particular — tudo novo, impecável.

Ele fecha a porta com cuidado e vai até uma mesa, enchendo uma garrafa com água. Prepara uma bebida misteriosa. O silêncio entre nós cresce, pesado, até que tento puxar assunto.

— Tá pensando em assumir as empresas do seu pai?

Ele solta um riso baixo, quase sem jeito

— Ah... sim. Mas não sei se vou conseguir.

— Você vai conseguir. Vou ajudar com a timidez. Logo você vai estar conversando com todo mundo numa boa.

Ele olha pro chão, a voz quase um sussurro

— Você acha?

— Tenho certeza. Só me deixa ajudar.

O silêncio volta. Ele mexe a garrafa devagar, o barulho do líquido preenchendo a sala.

— Você... já se apaixonou?

Me surpreendo com a pergunta, mas respondo sincera.

— Já.

— Já namorou?

Ele parece curioso, e isso mostra que ele pode estar gostando de alguém.

— Duas vezes.

— Por que não ficou com nenhum?

— Um foi morar fora, o outro terminou porque gostava de outra pessoa. — respondi

O som da garrafa sacudida acompanha o peso do silêncio.

— Como é estar apaixonada?

É, ele gosta de alguém.

Continua...

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