Capítulo 26- Ela Estava Lá

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TRÊS SEMANAS DEPOIS

Reed Walsh

Minha cabeça dói... Merda. Uma dor aguda perfura minha testa e escorre até minha nuca, me arrancando um gemido baixo. Pisco, várias vezes, tentando ajustar a visão embaçada, mas a claridade branca só faz tudo piorar. O teto do hospital parece me engolir

Aos poucos, começo a perceber o som ambiente: o bip contínuo de um monitor, o arranhar abafado de rodas de maca no corredor, o zumbido distante de vozes. Tento me mover. Erro. Uma pontada atravessa meu peito como se tivesse sido esfaqueado por dentro.

Droga. Tudo o que lembro é a explosão... e o impacto. O momento exato em que meu corpo foi arrancado do chão e lançado para longe. Depois disso, escuridão.

Minhas pernas... estranhas. Como se não estivessem conectadas direito ao resto do meu corpo. Tento respirar fundo e me arrependo no mesmo instante — o ar entra rasgando, e meu peito parece colapsar.

Meus olhos correm pelo quarto branco, buscando algo, alguém.

Dormindo, com a cabeça encostada no colchão, os dedos entrelaçados aos meus. Kristhen.

Ela está ali. De verdade. Sua mão esquenta a minha, firme, mas com delicadeza. O rosto relaxado pelo sono a deixa... estranhamente calma. Não é o mesmo semblante fechado e controlado que ela sempre carrega. Agora ela parece vulnerável. Quase frágil.

Com esforço, viro sua mão de leve. Passo meu polegar pela pele dela. É macia. Cuidadosa.
E algo em mim se move, não no corpo, mas por dentro. Um incômodo estranho, como se esse toque tivesse ativado alguma coisa que eu não entendo.

Tento abrir a boca, falar com ela, mas minha garganta está tão seca que parece coberta por areia. Em vez de palavras, apenas aperto sua mão. Ela desperta.

Seus olhos castanhos-escuros se abrem devagar, fixando-se nos meus com um susto que logo vira alívio. Ela leva um segundo para se situar, então se levanta num pulo, e a calmaria desaparece. Aperta o botão de emergência e logo ela vai até a porta.

— Ele acordou! — grita, chamando o médico com uma urgência que ecoa mais alto que o som metálico do hospital.

Ela é gentilmente empurrada para fora, enquanto o Dr. Jeffrey Cameron entra no quarto, acompanhado de uma enfermeira. Seu rosto é o mesmo de sempre, o mesmo homem que tratava meus arranhões quando criança

A enfermeira me oferece um pouco de água, ajudando com delicadeza eu a me sentar.

— Sabe quem sou eu, Reed? — pergunta Jeffrey.

— O doutor da minha família. Jeffrey Cameron. — minha voz sai rouca, quase irreconhecível.

Ele sorri, aliviado.

— E você, lembra quem é?

— Reed Walsh. — respondo sem hesitar.

Ele acende uma lanterna e examina meus olhos.

— Sabe o que aconteceu há três semanas?

— Três semanas?! — repito, atordoado.

— Você ficou em coma. Teve um trauma forte na cabeça e algumas outras lesões graves. Está nos surpreendendo agora, falando tão bem.

— Eu... só lembro da explosão. O carro explodiu. Depois... nada.

Ele assente.

— Vamos fazer exames mais aprofundados, mas, por enquanto, tudo indica que sua memória está intacta.

***

Ficar três semanas sem mexer as pernas é como esquecer como se anda. Cada passo dói. Cada movimento parece exigir mais força do que tenho.

KristhenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora