TRÊS SEMANAS DEPOIS
Reed Walsh
Minha cabeça dói... Merda. Uma dor aguda perfura minha testa e escorre até minha nuca, me arrancando um gemido baixo. Pisco, várias vezes, tentando ajustar a visão embaçada, mas a claridade branca só faz tudo piorar. O teto do hospital parece me engolir
Aos poucos, começo a perceber o som ambiente: o bip contínuo de um monitor, o arranhar abafado de rodas de maca no corredor, o zumbido distante de vozes. Tento me mover. Erro. Uma pontada atravessa meu peito como se tivesse sido esfaqueado por dentro.
Droga. Tudo o que lembro é a explosão... e o impacto. O momento exato em que meu corpo foi arrancado do chão e lançado para longe. Depois disso, escuridão.
Minhas pernas... estranhas. Como se não estivessem conectadas direito ao resto do meu corpo. Tento respirar fundo e me arrependo no mesmo instante — o ar entra rasgando, e meu peito parece colapsar.
Meus olhos correm pelo quarto branco, buscando algo, alguém.
Dormindo, com a cabeça encostada no colchão, os dedos entrelaçados aos meus. Kristhen.
Ela está ali. De verdade. Sua mão esquenta a minha, firme, mas com delicadeza. O rosto relaxado pelo sono a deixa... estranhamente calma. Não é o mesmo semblante fechado e controlado que ela sempre carrega. Agora ela parece vulnerável. Quase frágil.
Com esforço, viro sua mão de leve. Passo meu polegar pela pele dela. É macia. Cuidadosa.
E algo em mim se move, não no corpo, mas por dentro. Um incômodo estranho, como se esse toque tivesse ativado alguma coisa que eu não entendo.
Tento abrir a boca, falar com ela, mas minha garganta está tão seca que parece coberta por areia. Em vez de palavras, apenas aperto sua mão. Ela desperta.
Seus olhos castanhos-escuros se abrem devagar, fixando-se nos meus com um susto que logo vira alívio. Ela leva um segundo para se situar, então se levanta num pulo, e a calmaria desaparece. Aperta o botão de emergência e logo ela vai até a porta.
— Ele acordou! — grita, chamando o médico com uma urgência que ecoa mais alto que o som metálico do hospital.
Ela é gentilmente empurrada para fora, enquanto o Dr. Jeffrey Cameron entra no quarto, acompanhado de uma enfermeira. Seu rosto é o mesmo de sempre, o mesmo homem que tratava meus arranhões quando criança
A enfermeira me oferece um pouco de água, ajudando com delicadeza eu a me sentar.
— Sabe quem sou eu, Reed? — pergunta Jeffrey.
— O doutor da minha família. Jeffrey Cameron. — minha voz sai rouca, quase irreconhecível.
Ele sorri, aliviado.
— E você, lembra quem é?
— Reed Walsh. — respondo sem hesitar.
Ele acende uma lanterna e examina meus olhos.
— Sabe o que aconteceu há três semanas?
— Três semanas?! — repito, atordoado.
— Você ficou em coma. Teve um trauma forte na cabeça e algumas outras lesões graves. Está nos surpreendendo agora, falando tão bem.
— Eu... só lembro da explosão. O carro explodiu. Depois... nada.
Ele assente.
— Vamos fazer exames mais aprofundados, mas, por enquanto, tudo indica que sua memória está intacta.
***
Ficar três semanas sem mexer as pernas é como esquecer como se anda. Cada passo dói. Cada movimento parece exigir mais força do que tenho.
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Kristhen
RomansaReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
