Capítulo 77- A Última Verdade

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TRÊS MESES DEPOIS - México, Acapulco

Kristhen Zillord

Três meses já se passaram. Três longos e miseráveis meses. Mas eu ainda penso nele.

Pierre. Como uma ferida que não fecha, ele me atormenta em cada canto do dia — e ainda mais à noite, quando o silêncio me obriga a lembrar.

Penso nos nossos momentos juntos, nas palavras sussurradas, nos sorrisos trocados quando o mundo parecia seguro. Penso no que poderíamos ter sido.

Deveríamos estar na França agora. Deitados em algum apartamento barato, escondidos do mundo. Mas não fomos. Kefhera quis esperar. Disse que era preciso acalmar os pais de Pierre. Eu não disse nada, mas por dentro eu sabia. Sabia que quem contou tudo foi a própria mãe dele — aquela mulher cretina, controladora, maldita.

Ela já nos observava. Já sabia de tudo. E eu? Fiquei tão deslumbrada por estar com Pierre, por finalmente tocá-lo sem culpa, por tê-lo só pra mim... que esqueci de olhar ao redor. Esqueci que nesse mundo ninguém fica feliz por muito tempo sem pagar caro por isso.

Suspiro. Meus olhos encaram o teto branco e entediante da sala. Estou largada no sofá, sem fazer absolutamente nada. Elaine morreu. Queimada viva dentro da própria casa.

A polícia nem sequer investigou apenas chamaram de acidente. Como se ela não tivesse arruinado vidas antes de morrer. Mas quer saber? Queimou foi pouco. Ela pagou pelo que fez com a filha dos Vinceti. Não sinto pena. Nem uma gota.

Nunca vou saber o verdadeiro motivo dela ter colocado uma bomba no nosso carro aquele dia o dia em que quase perdi Reed para sempre.

Ultimamente, eu só... existo. Não tenho forças pra comer direito, pra levantar da cama, pra fingir que está tudo bem. Só quero ficar aqui. Revendo cenas da minha vida como um filme que não posso pausar nem parar.

Abaixo a cabeça quando vejo Kefhera sentar-se à minha frente. Ela segura uma pasta preta nas mãos, com aquele sorriso enigmático que aprendi a temer e respeitar ao longo dos anos.

— Quero... te contar uma coisa.

Me ajeito no sofá, com o coração já acelerando.
A merda sempre vem depois dessas frases.

— Nesta pasta... tem tudo sobre a sua vida.

Ela alisa a capa com os dedos. Parece nervosa. Isso é raro nela. Quando finalmente me encara, seus olhos escurecem num suspiro.

— Então...? — pergunto, seca. — Tem aí quem são meus verdadeiros pais?

— Sim. — ela sorri, mas é um sorriso quase triste. — Eu quero te dar isso.

— Por quê?

— Porque... o nosso trabalho aqui acabou.

— Como assim? — estreito os olhos, desconfiada.

Ela suspira, mas não desvia o olhar.

— Vou te contar toda a verdade, Kristhen. Algo que escondi por toda a minha vida. Igual a você, fui criada para ser uma assassina. Mas me apaixonei por alguém que não devia.
Tivemos um relacionamento... curto, intenso.
E ele morreu tentando encontrar essa pedra.

Ela se levanta, caminhando até uma mesinha próxima, e cuidadosamente retira os fragmentos polidos da pedra. Juntos, formam uma peça impressionante, reluzente uma joia que parece ter um brilho próprio. Quase viva.

— Esta pedra... foi a causa da existência da La Mort. Antes, era uma mulher cruel quem comandava tudo. Ela castigava sem piedade quem desobedecia. A pedra, na verdade, pertence à máfia russa. Uma das mais violentas e organizadas do mundo do crime.

KristhenOnde histórias criam vida. Descubra agora