Capítulo 41- Proteção ou Prisão?

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Reed Walsh

Acho que criei coragem demais ao mandar ela calar a boca. O olhar que Kristhen me lança congela meu sangue. Aquela raiva no rosto dela não é comum, é densa, cortante. E o arrependimento me atinge como uma pancada seca no estômago.

— O quê? — sua voz baixa, carregada de incredulidade.

— Olha só... você tá brigando comigo sem motivo.

— Sem motivo? — ela se aproxima rápido — A minha missão é te proteger, Reed. É óbvio que eu vou ficar puta se você desaparece sem avisar.

— Eu não desapareci! Eu tô aqui, porra! Tô bem!

— E se não estivesse?

— MAS EU ESTOU! — minha voz sai mais alta do que eu queria, o peito já pesando com a respiração acelerada — Por que você tá surtando desse jeito? Foi só porque subi? Sem você? Acha que dependo de você pra respirar agora? Acha mesmo que preciso de uma babá? Você é humana, Kristhen! Igual a mim! Não vai poder me proteger pra sempre, então para com essa merda de achar que sou frágil!

— Mas enquanto eu estiver aqui, você está sob minha proteção! — ela me empurra com força, e eu dou um passo atrás, sentindo o sangue ferver — Eu fui feita pra isso, Reed. Fui criada com esse único propósito: te manter vivo. Dar a minha vida pela sua, se for preciso.

— Eu não quero sua vida no lugar da minha! — minha voz se quebra no limite entre raiva e confusão — Você nem precisava estar aqui! Quando meus pais voltarem, vai embora, volta pra casa, fica com a sua mãe! EU NÃO PRECISO DE VOCÊ!

— EU NÃO VOU EMBORA! — ela grita de volta, os olhos brilhando de raiva e... mágoa? — Prometi pro meu pai. Eu vou até o fim, você querendo ou não!

— PARA DE BRIGAR COMIGO! — esbravejo, sentindo os punhos tremerem de raiva contida — Eu só cometi um erro, e você me ataca como se quisesse me punir. Como se fosse minha maldita mãe.

— Eu tô preocupada! — ela grita, mas sua voz quebra no fim, quase num pedido.

— VOCÊ NÃO TÁ! — fecho as mãos com tanta força que sinto a pele se rasgar — Você acordou mal e tá descontando tudo em mim!

— Eu não tô! Eu juro! Reed, você subiu, colocou sua vida em risco e não me disse nada! Sua mãe deixou uma ordem clara: você deve ficar ileso. Eu tenho que obedecer.

— Vai se foder. — rosno, passando por ela, sem conseguir conter o ódio — Você e essa maldita preocupação podem ir pro inferno!

— Por que você tá tão irritado?! — ela grita atrás de mim — Sou eu quem deveria estar! Eu tô tentando cuidar de você!

Me viro com tanta raiva que meus dentes doem de tanto ranger.

— PORQUE VOCÊ AGE COMO SE FOSSE MINHA MÃE! — explodo, cada sílaba cuspida com desprezo — Olha pra mim! Eu sou da sua idade! Não preciso ser carregado no colo! Aqueles caras... talvez estivessem certos. Talvez eu não devesse confiar em você.

— Só porque eu quero te manter seguro?! — ela dá um passo à frente, os olhos arregalados.

— SEGURO DE QUÊ, KRISTHEN? — invado o espaço dela, sentindo meu coração bater feito uma sirene — Daqueles caras? Dos cinco? Digo... quatro. Porque você matou um. E sabe o que é pior? Eles me ofereceram uma proteção que você não consegue me dar. Você tá me sufocando! Você parece com a minha mãe... e eu odeio isso. Odeio tudo o que ela me fez.

Ela não diz nada.

— Ela sempre me proibiu de tudo. De fazer amigos. De conversar. Dizia que era perigoso. Que eu devia ficar calado. E se eu desobedecesse... eu apanhava. Você tem noção do que isso causa em uma criança? Eu não nasci tímido. Ela me fez assim! Me criou como se o mundo fosse um monstro, como se todo contato fosse uma ameaça! E agora você vem aqui, com esse mesmo controle disfarçado de proteção, dizendo que faz isso por mim? NÃO ME FODE!

Fico sem fôlego. O silêncio entre nós é denso. Um segundo que parece durar uma eternidade.

— Eu não quero te proibir de nada, Reed... — ela engole em seco — Só quero te salvar dessa merda toda.

— Eu não pedi pra ser salvo. — respondo, frio.

Me viro e me afasto, cada passo meu pesando toneladas. Entro no quarto e bato a porta com força, trancando-a

Deito na cama. Minha cabeça está uma bagunça. Essa discussão escancarou um abismo dentro de mim que eu estava fingindo não ver.

Desde ontem, quando a vi dormindo e percebi como pouco sei sobre ela... esse sentimento estranho não me larga. Kristhen é um enigma. Ela diz que está aqui por causa do pai. Que é a missão dela. Mas algo nessa história fede. Ela sabe lutar, sabe matar, sabe mentir. Quem ela realmente é?

E por que, mesmo assim, parte de mim ainda quer confiar?

A verdade é que... eu não posso. Não mais.

Minha mãe me ensinou a ficar sozinho. A viver calado. E talvez, só talvez, ela estivesse certa. Pessoas se aproximam com segundas intenções, com máscaras bem postas e promessas vazias. Fingem cuidar de você até o momento em que deixam você cair.

Enquanto Kristhen não mostrar quem é de verdade, vai continuar do lado de fora da minha porta.

É melhor ser só... do que ser enganado de novo.

Continua...

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Se você é novo em meu perfil e livro, peço para prestar bem atenção em cada detalhe e conversa, porque esse livro aqui vai ser muito babado. Quando vocês descobrirem a verdade, a cabecinha de vocês vão explodir

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