Kristhen Zillord
Peguei o celular. Ainda não fazia nem uma hora desde a última mensagem, mas lá estava: Pierre.
Pierre
Eu achei a pedra.
Meu coração acelerou. Eu me sentei na cama num pulo.
Kristhen
Sério? Onde estava?
Pierre
No meu quarto, esse tempo todo. Tinha um sistema de segurança no cubo de vidro, mas eu consegui abrir.
Podemos nos encontrar? Quero te mostrar. E... também quero te ver.
Kristhen
Claro! Me manda sua localização. Já tô indo.
Deixei o celular sobre a cama por um segundo, só o tempo de ir até o guarda-roupa e vestir a blusa de frio. Meus dedos tremiam. Peguei o celular de volta, encostei a tela no peito, como se fosse uma âncora que me puxava para ele.
Saí do quarto apressada, quase tropeçando nos próprios passos. Kefhera estava em casa, então não precisei me preocupar em trancar a porta. Desci os degraus de dois em dois e levantei o braço para o primeiro táxi que passou. Entrei.
— Para esse endereço, por favor. — mostrei a tela.
O motorista olhou pelo retrovisor, curioso com meu sorriso que teimava em não sair do rosto.
— Parece feliz. Vai ver o namorado?
— Sim... — minha voz saiu suave. — Quer dizer, ele ainda não me pediu em namoro, mas a gente se gosta. Acho que... talvez peça logo.
Mentira. Não vai pedir. Não depois de hoje. Mas não custa fingir um pouco mais, né?
O caminho foi em silêncio. Eu olhava pela janela, tentando conter a ansiedade que se revirava no estômago. Ele disse que escolheu um lugar afastado. Desconfiado como sempre. Mas inteligente. Muito inteligente.
Desci do carro e agradeci ao motorista. À frente, Pierre estava encostado em uma construção inacabada, de braços cruzados, mãos enfiadas no bolso da blusa de frio. A silhueta dele contra a penumbra da obra me pareceu estranhamente solitária.
— Oi. — disse eu, limpando o suor das mãos na calça. Mesmo no frio, eu tremia.
— Oi. — o sorriso dele surgiu, contido, e ele se desencostou da parede. — Você veio rápido.
— Bem... sim. A pedra é nosso único jeito de ir embora.
— Aqui. — Pierre estendeu a mão.
Na palma, a pedra azul com reflexos violetas cintilava como uma joia viva. Era linda. Perfeita. O símbolo do último pedido do pai de Kefhera. Ela ia chorar quando visse. Ia finalmente se sentir inteira de novo.
Ergui minha mão para pegar.
Mas então... Pierre virou o pulso.
E a pedra caiu.
— Não! — gritei, num sussurro aflito.
O som do impacto foi seco, abafado, e o que antes era beleza virou estilhaços.
Meu coração congelou. O sangue sumiu do meu rosto. Os olhos se arregalaram, mas congelaram diante da frieza no olhar de Pierre.
Uma frieza que doía. Que sangrava.
— Por quê? — ele sussurrou.
— O quê?
— Me conta tudo, Kristhen. Quero ouvir de você. Sem mentiras.
— Contar? Contar o quê?
— O MOTIVO DE VOCÊ... — ele fechou os olhos com força, respirando fundo — ...estar mentindo desde o começo. Me conta. Tudo.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
