Capítulo 33- "Você Quer Isso?"

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Reed Walsh

Hoje eu tive um sonho. Mas não foi um sonho qualquer — foi com a Kristhen. E não a Kristhen que vive me encarando como se eu fosse um fardo, como se respirar perto dela já fosse um incômodo. No sonho, ela era outra. Falávamos francês. Ela sorria. E sorria tanto que seus olhos se curvavam como se a vida inteira dela coubesse naquele momento.

Éramos amigos. Do tipo que senta junto na escada do colégio e divide o lanche. Mas até ali, mesmo sendo "amigo", eu assistia enquanto zoavam dela. Por ser alta demais, magra demais, calada demais. Era alvo fácil. Eu fingia não ver. Me encolhia na cadeira, fingia estar entretido com alguma porcaria qualquer, só pra não chamar atenção. Não queria virar o próximo saco de pancadas.

No sonho eu tinha doze anos. Era como se tudo tivesse mais cor, mais vida. Mas na verdade, aos doze anos eu vivia dentro de mim mesmo, isolado, num silêncio confortável. Eu não era animado. Nunca fui.

Talvez eu tenha sonhado com ela por causa da convivência intensa. Mas... havia algo a mais naquele sonho. Uma sensação familiar, como se não fosse exatamente inventado. Como se tivesse sido apagado da minha mente, e agora estivesse tentando voltar por conta própria.

— Vai comer, ou não? — a voz dela corta meu devaneio.

— Tô comendo. — murmuro, cutucando os ovos no prato.

— Não tô vendo isso. — ela mastiga um pedaço de bacon com a sobrancelha arqueada. — Se não quer, guarda logo.

Em resposta, enfio um ovo inteiro na boca e mastigo com pressa. Jogo uma torrada em cima, dois bacons, como tudo meio atravessado. Ela me olha como se estivesse vendo um ogro se alimentando.

Engulo seco. Literalmente seco. Parece que arranquei um pedaço da minha garganta.

— Viu? Uma delícia — digo com um sorriso debochado.

— Tá debochando?

— Não... — respondo, desviando o olhar, sentindo a dor queimando na garganta.

Sem dizer mais nada, ela se levanta e puxa o prato da minha frente. Olho pra ela como se fosse uma criança tirando meu brinquedo.

— Ei!

— Se quer fazer gracinha, então cozinha você mesmo. — ela diz ríspida, tampando a vasilha e colocando na geladeira.

Levanto de uma vez, furioso. Seguro a porta da geladeira, tentando pegar a comida de volta. Mas a mão dela agarra meu braço.

— Você não vai comer.

— Ainda tô com fome.

— Então faz. — ela empurra a porta com força, ficando na minha frente como um muro de concreto.

— Kristhen!

— Não vai comer! — ela repete firme, voz carregada de raiva.

— Você é infantil. Isso é o que você é. — digo entre dentes, me afastando

Vou pro meu quarto. Bato a porta. Essa garota é um desequilíbrio com pernas. Ela diz que eu preciso de terapia... Mas se ela olhar no espelho por cinco segundos, vai ver a verdadeira definição de colapso mental.

Jogo o corpo na cama. Ligo o celular. Começo a assistir qualquer vídeo idiota, só pra sair da raiva.

Às vezes eu falo com os vídeos. Respondo em voz alta. Acho que é tipo um hábito. Ou um problema mental. Talvez os dois. Faço isso por muito tempo. Horas, eu acho.

A maçaneta gira. A porta se abre.

Desvio o celular pra ver Kristhen parada ali, me encarando como se eu fosse uma invasão de privacidade.

— O que tá fazendo?

— Vídeo. — respondo, sem paciência.

Ela se aproxima. Achei que fosse só checar algo no quarto, mas não. Kristhen toma o celular da minha mão com um movimento seco. Tento pegar de volta, mas ela arremessa contra a parede.

O barulho do impacto me dá um estalo dentro do peito. Meu celular se despedaça como um inseto esmagado.

— Kristhen?! Qual é o seu problema?! Você perdeu a noção?!

— Você estava falando sozinho. — ela responde como se isso fosse justificativa.

— Tava te incomodando?! — me levanto, já pronto pra gritar na cara dela, mas sua mão me empurra de volta na cama com força.

— Um pouco. — ela diz, se aproximando. — Quero falar com você. Quero que olhe nos meus olhos.

— Legal. Eu não quero falar com você.

Ela ignora. Segura meu rosto com as duas mãos, e me força a encará-la.

— Hoje eu sonhei com você, Reed... — sua voz muda. Agora soa diferente, mais baixa. — Fiquei envergonhada o dia inteiro, esperando você notar. Mas você nem olhou. Eu tentei... tentei te provocar, te irritar, te fazer reagir. Mas nada.

Seus dedos deslizam até meu ombro. E antes que eu consiga entender o que está acontecendo, ela se senta no meu colo. O calor do corpo dela encosta em mim como uma corrente elétrica.

— No sonho... você me tocava. Com força. Com precisão. Sua língua percorria meu pescoço, suas mãos me exploravam como se soubessem exatamente onde apertar. Reed, foi tão vívido que eu acordei molhada.

Minhas palavras travam. Meu cérebro desliga. O corpo reage sozinho.

— E agora... eu quero praticar. — ela sussurra no meu ouvido, a língua roçando o lóbulo com uma lentidão diabólica.

Meus dedos tremem. Ela continua.

— Naquele dia você mexeu comigo. Aquele beijo. Suas mãos... Eu queria transar com você ali mesmo, a noite inteira. Mas me controlei. Eu estou aqui pra te proteger. Mas esse sonho... ele me quebrou. Eu preciso da sua resposta.

Ela se afasta só o suficiente para me olhar. Seus olhos são duas armadilhas que me puxam pro fundo.

— Me diz, Reed... você quer isso? — ela pergunta, o polegar roçando meus lábios — Pode parecer errado, sua mãe me mataria, mas nesse momento, foda-se. Eu só preciso saber se você quer.

Meu coração parece preso entre os dentes. Nunca imaginei ouvir isso. Nunca pensei que a Kristhen — a Kristhen — falaria isso. Mas ela está sentada em mim, me queimando com os olhos. E meu corpo responde antes mesmo da minha cabeça conseguir pensar.

É impossível dizer não.

Continua...

Na melhor parte em hehehe

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Na melhor parte em hehehe

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