Capítulo 37- Chamado Pelo Nome Errado

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Reed Walsh

Viro no corredor com pressa, sem pensar muito. Só queria escapar daquele vulto parado lá atrás. Mas não esperava que um soco me acertasse com força brutal. Minha cabeça gira, tudo fica preto por um segundo, e quando volto a mim, já estou no chão, com a lateral do rosto latejando como se tivesse sido atingido por um tijolo.

Tento piscar pra limpar a visão embaçada. Ouço passos. Vozes abafadas. Gente demais.

Quantos são? Que merda tá acontecendo aqui?

— Peguem ele. Temos que sair antes do furacão passar por aqui. — alguém comanda, frio como um general.

Sou puxado com força pelos braços, erguido como uma marionete. Tento reagir. Tento socar, espernear, usar o que aprendi. Mas os dois que me seguram são rápidos, treinados, como se estivessem esperando por isso. Nada do que faço surte efeito.

— Que porra é essa?! — grito, ofegante, tentando encontrar algum sentido naquela confusão.

— É pra sua segurança, Reed! — diz uma voz ao meu lado.

Viro a cabeça. Um garoto. Olhos azuis intensos, atentos a cada respiração minha. Não reconheço. Ele me encara como se soubesse de tudo. Como se eu fosse burro por não entender.

— O quê?!

— Você vai entender. Um dia. — uma garota aparece na minha frente. Voz calma. Assustadoramente calma.

Minha cabeça fervilha de perguntas, mas nenhuma sai. Só um eco desesperado.

— Onde está a Kristhen?!

— Apagada. Provavelmente morta. Bater a cabeça dela contra a parede algumas vezes deve ter dado um fim cruel a ela.

Minha respiração trava. A garganta fecha. Morta? A Kristhen?

Não.

NÃO.

Num surto, me contorço, até sentir o braço do primeiro vacilar. Acerto um soco com toda a força no queixo dele. A dor no meu punho não importa. Uso a brecha pra me soltar do segundo, cambaleando alguns passos pra trás, pronto pra outra briga, pra qualquer coisa.

— Reed, escuta a gente! Não confie em ninguém dessa casa. Principalmente na Kristhen.

— Do que vocês estão falando?! Que merda vocês tão dizendo?!

— Escuta, porra! — o garoto dos olhos azuis ergue a mão como se pudesse me segurar só com o olhar. — A gente não veio te machucar. Viemos te salvar.

Eu ia responder. Mas não tive tempo. Um tiro. Um estouro seco. Caiu um corpo no chão. O corpo da garota que usa uma máscara de coelho.

A arma é jogada de lado, como se esse fosse o último tiro. Um som metálico ressoa antes de silenciar tudo.

Kristhen.

A testa ensanguentada, a expressão tomada por ódio frio. Como se tivesse voltado direto do inferno.

— Deveria ter conferido direito se eu estava morta, vadia.

A luz dos relâmpagos do lado de fora ilumina o sangue em sua pele, a lâmina da faca que ela gira nas mãos. Está ferida

— SUA DESGRAÇADA! — o garoto no chão grita, desesperado, com o corpo da garota morta nos braços. — EU VOU TE MATAR!

— Então venha. — ela rosna, jogando a faca de uma mão para a outra — Porque ela não conseguiu. Quem é o próximo?

— Vamos embora, cara! Agora! — o outro grita, puxando o amigo, arrastando o corpo dela com eles.

— EU JURO QUE VOU MATAR VOCÊ, KRISTHEN!

Eles somem porta afora. Kristhen vai atrás, mas um tiro passa de raspão e a força a recuar.

Ela aparece de novo na entrada, respirando fundo. Fecha a porta. E então vem até mim.

Ela me agarra pelo braço, com força.

— Vamos. O furacão vai passar por essa rua.

— Como você sabe?

— Não tá ouvindo? Esse som lá fora... o vento tá rugindo.

Corremos. O barulho está mais alto agora. O uivo do vento cortando tudo, arrancando árvores, estalando janelas. Kristhen me faz abaixar a cabeça quando o vidro estoura perto da gente, estilhaços passam por cima. Nos arrastamos pelos corredores com pressa, como se o mundo estivesse desabando atrás de nós.

A porta do abrigo. Finalmente.

Abro. Ela me empurra pra dentro, mas antes de fechar, um vendaval invade tudo com um estouro, a empurra de volta. Agarro seu braço antes que ela pudesse sair voando. Puxo Kristhen pra dentro comigo, a derrubo junto. Fecho a porta com força. Ficamos no escuro por um segundo.

Estamos debaixo da terra.

Meus pulmões queimam, meu coração quase explode. Sem pensar, abraço Kristhen. Como se fosse a única coisa que me restava fazer.

Sinto a pele dela quente, o sangue na cabeça. Esperava que ela me afastasse, que dissesse alguma coisa. Mas não.

Ela me abraça de volta.

***

Faço um curativo improvisado, tentando parar o sangramento. Não é profundo, mas assusta. Ela está pálida, os olhos pesados. Dei alguns remédios que encontrei pra dor. Não sei se fiz certo. Foi o melhor que consegui.

Ela dorme agora. Ou pelo menos parece.

Estou sentado na beira da cama. Observando.

Sua mão está inchada, os dedos marcados de sangue seco e pele estourada. Seguro sua mão, com cuidado, como ela segurou a minha naquela vez no hospital.

Ela matou alguém. Na minha frente. Com sangue no rosto e faca nas mãos.

Mas não me atingiu.

Me protegeu.

Ela geme baixinho, o rosto se contorce. Me sento, alerta. Toco sua testa. Está quente. Muito quente.

— Kristhen... — chamo, baixo, tocando seu rosto. Seus olhos abrem com esforço, desfocados — Como se sente? Tá com febre...

— Estou bem... — ela sussurra, os olhos apertados pela dor — Minha cabeça só tá doendo.

— Eu vou subir... tenho que religar a energia...

— Não! — ela tenta se sentar, a respiração pesada, o corpo tremendo. — Pode deixar que vou, Pierre.

...Pierre?

Continua...

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