Capítulo 28- O Peso de Amar Sozinho

17.1K 1.5K 336
                                        

Reed Walsh

— Ainda vai dizer que ela pode gostar de você? — a voz de Kristhen vem firme, cortando como navalha. — Não acha melhor desistir? Focar em diminuir essa sua timidez, arranjar alguém que realmente possa te amar?

As palavras dela continuam, mas o som começa a se apagar nos meus ouvidos. Tudo ao redor vira um zumbido abafado. Eu Só sinto o vazio crescendo dentro de mim, como se algo tivesse morrido

O gosto da decepção é amargo, sufocante. Minha garganta aperta. Meu peito... está duro, pesado. Uma raiva surda começa a borbulhar debaixo da tristeza, mas não tem pra onde sair. Só machuca por dentro.

Receber cuidados da Kristhen já era estranho. Agora... saber que tudo que vivi com Samy era só uma encenação, uma manipulação? Que eu fui só um peão idiota no joguinho emocional dela?

Que tipo de pessoa faz isso? E pior... que tipo de tapado acredita?

Eu sou um idiota. Um maldito idiota que devia ter escutado a única pessoa que sempre me alertou. Mas, não, fui babaca com a Kristhen, falei coisas que nem gosto de lembrar. Usei ela como escudo pra não parecer um idiota gaguejando na frente da Samy.

Meu rosto queima. Vergonha. Raiva. Um nojo estranho de mim mesmo.

— E aí? — Kristhen volta a falar, me encarando — Caiu na real agora? Ou ainda vai ficar sofrendo por ela?

— Eu... — minha voz sai baixa, embargada — Eu não entendo.

— Não entende o quê? — pergunta, a sobrancelha arqueada.

— Por que ela fez isso comigo...? — mal consigo olhar pra ela.

— Porque você é um garoto que se apaixona fácil — ela responde, sem rodeios, como se arrancasse a verdade com as mãos — Qualquer olhar, qualquer palavra mais doce, e pronto, você já tá gamado. A Samy percebeu isso. Ela viu a chance e aproveitou.

— Ela disse... que me prefere morto — sussurro — Por que eu sou assim?

— Talvez seja a forma como sua mãe te criou — Kristhen cruza os braços, sem piedade, mas sem crueldade. — Você vive naquele cubo com regras, com tudo programado. Cresceu sem saber lidar com gente ruim. Sem vivência. Sem aprender com os próprios erros.

— Você acha que... eu sou fraco? — pergunto

— Eu acho que você foi protegido demais — ela diz, mais suave agora — E confundiu isso com segurança. Por isso dói tanto agora. Porque você nunca viu o que o mundo é capaz de fazer com pessoas boas.

Eu abaixo a cabeça. Tudo em mim grita por fuga. Só queria deitar e dormir por semanas. Apagar esse sentimento.

— Céus... — murmuro — Eu sou tão fraco. Tão ridículo... Queria não ter nascido assim.

As imagens passam pela minha cabeça: eu comprando coisas pra ela, tentando fazer graça, suando só de pensar em confessar algo. O quanto me esforcei... pra quê?

Pra ser chamado de tapado.

Pra ser desejado morto.

O rancor começa a subir no meu peito, junto com uma frase que, antes, eu nem ousaria pensar.

Todas são iguais. Aquela vadia estúpida...

— Ei — a mão da Kristhen toca a minha cabeça, firme — Não fica pensando que todas são iguais. Tem muita garota incrível por aí. Você só teve o azar de gostar de uma que não vale nada. Ela não merece nem ter visto seu sorriso.

— Eu deveria ter te ouvido... — admito, quase num sussurro.

— Tudo bem — ela suspira — Você aprendeu. Tomou a decisão certa. Tem gente que escuta tudo isso e ainda vai atrás da pessoa.

— Eu quero me vingar — falo, encarando ela com um brilho novo nos olhos.

É uma estupidez. Eu sei. Mas algo dentro de mim pede por isso. Não justiça. Não redenção. Só... vingança. Uma forma de fazer ela provar do próprio veneno.

— Deixa ela aprender sozinha que isso é errado — Kristhen responde, recuando — Não precisa se tornar um babaca.

— Com ela eu serei. Apenas com ela. Porque Samy merece. Se você não for me ajudar, eu vou fazer sozinho.

Ela me encara. Uma sombra de desafio dança no canto da boca.

— Tem certeza?

— Quero mostrar o lugar dela. Pra ela aprender. Pra ninguém mais passar por isso. Ninguém merece sentir essa dor que eu tô sentindo.

Kristhen respira fundo. Seus olhos pesam em mim.

— De um jeito ou de outro, Reed... as pessoas vão sentir essa dor. A gente vive numa geração onde carência virou moda, e amor, um conceito quase morto — ela cruza os braços. — Mas... se você quer dar o troco, tudo bem.

— Vai mesmo me ajudar?

— Vai ter que ser babaca de verdade. Sumir com essa timidez. E ficar com a garota mais fofoqueira do colégio. Pra garantir que a história espalhe. E chegue nos ouvidos da Samy.

— A amiga dela — digo.

— Quê? — Kristhen sorri, um riso cínico no canto da boca — Qual delas?

— A loira. Ela gosta desse tipo de cara. Vai ser fácil. Mas... como eu lido com a timidez?

— Teatro. Palestras. Grupos de apoio. O que for. Decide aí. Só precisa parar de se esconder debaixo da vergonha.

Eu respiro fundo.

O rosto de outro homem me vem à mente.

Senhor Zillord. O pai da Kristhen. Aquele cara foi como um segundo pai. Foi ele quem me ensinou a lutar, quando a terapeuta não sabia nem por onde começar. Disse que eu devia bater de volta, mesmo com medo.

Um barulho me tira do passado. A TV.

— Notícia urgente: um furacão de categoria quatro está previsto para atingir a cidade em quatro dias. Por favor, busquem abrigo, garantam alimentos e água. Em breve traremos mais informações. Boa sorte a todos.

— Merda... — Kristhen murmura, pegando o celular — Você vai precisar receber alta mais cedo.

Ela pega o celular e começa a digitar, rápida, enquanto anda pelo quarto. Logo coloca o aparelho contra o ouvido. Escuto o nome do Karl. Ela pede coisas, fala em preparação, em urgência.

Continua...

Reed vingativo, quem amou? 🥰

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Reed vingativo, quem amou? 🥰

Obrigada por ler! Não se esqueçam de votar, vai me ajudar muito a continuar a história. Beijo, vejo vocês por aí ❤️

KristhenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora