Kristhen Zillord
Ele termina de pentear meu cabelo com uma lentidão quase cerimonial, como se estivesse finalizando uma pintura. Cada fio é alisado com o cuidado de quem aprendeu a sentir sem pressa. Sua palma repousa contra a minha cabeça, quente, firme. Depois desliza até parar na nuca. Seus olhos encontram os meus com aquele sorriso discreto, mas verdadeiro, o tipo de expressão que ele raramente entrega sem calcular.
— Pronto — murmura.
— Ficou feliz em me dar banho? — provoco, sem tirar os olhos dele enquanto ele caminha até o closet.
— Sim... gostei de fazer isso — responde de costas, e por isso mesmo sua resposta soa mais sincera.
Apoio minhas costas na parede, braços cruzados. Continuo nua. Ele sabe que vai ter que trazer minhas roupas, e honestamente, quero ver o que ele vai me dar.
— Você... quer sair pra comer? — ele se vira com uma blusa nas mãos, hesitando. — Vai ter um clima estranho se você comer conosco hoje na mesa.
Claro. Como se isso fosse mesmo sobre o clima.
— Quero. Aonde vai me levar?
— Em uma lanchonete... um pouco longe, mas é a melhor que eu já comi quando era mais novo.
Mais novo. Curioso você dizer isso, Reed. Você foi sequestrado aos dezesseis. E nunca mais saiu.
— Pode ser — respondo, desconfiada, mas curiosa.
— Beleza — ele sorri, genuinamente animado — Só deixa eu vestir minha roupa que já vou pegar a sua.
Ele se aproxima, beija minha testa rápido demais, e some para o outro quarto. Fico parada, observando o vazio que ele deixou atrás de si. Me pergunto como tudo isso vai terminar. Se essa ilusão vai durar tempo o suficiente pra ele me perdoar. Ou se já perdoou e só não quer admitir.
Passam-se minutos demais. A ponto de parecer que ele tá fabricando a roupa do zero. Quando a porta finalmente se abre, ele entra com algumas peças nas mãos. Caminho até ele e pego as roupas — ou o que ele teve a ousadia de chamar de roupas.
Uma blusa minúscula, uma calcinha simples e um short curto o bastante pra parecer indecente.
— Por que você pegou as menores roupas? — olho nos olhos dele, desafiadora.
Ele desvia o olhar, coça a nuca, culpado até os ossos.
— Só... vi essas.
Claro. E eu sou a porra da fada do dente.
Reviro os olhos, visto a blusa que gruda no meu corpo como se tivesse sido feita pra exibir o que eu não pedi pra mostrar. Meus seios ficam ainda mais marcados, a barriga exposta. Visto a calcinha e então o short, que mal cobre minha bunda. Me viro para ele com um sorriso irônico.
— Feliz em me ver nessa roupa curta?
Ele me olha de cima a baixo e até tenta conter o sorriso, mas por dois segundos, ele escapa — pequeno, torto, e cheio de desejo. Não preciso de resposta.
— Vamos sair pela porta dos fundos — ele diz de repente, segurando meu pulso com firmeza.
Sem aviso, sou puxada para o andar de baixo, em silêncio, como dois adolescentes fugindo. O cuidado com que ele evita fazer barulho só reforça o quão errado isso tudo é e ainda assim, estou indo com ele.
Passamos perto do cômodo onde Elaine fala ao telefone. Ela menciona algo escondido no quarto da antiga casa em reforma. Não escuto tudo. E mesmo se escutasse... minha atenção já está comprometida com a mão de Reed deslizando da minha pele até entrelaçar nossos dedos. Ele não me solta.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
