Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Seco as mãos com pressa, o calor me sufoca. Participar das aulas de educação física nesse colégio é uma tortura disfarçada de obrigação. O uniforme gruda na pele, e meu cabelo está colado na nuca como se tivesse saído de um banho quente. Reviro os olhos. Nada nesse inferno escolar é pior do que suar por obrigação.
Puxo o celular do bolso, com a intenção de mandar uma mensagem rápida, mas a tela acende antes que eu digite qualquer coisa.
Ligação de Barth.
— Barth! — atendo, ofegante, tentando disfarçar o cansaço — Eu ia te mandar mensagem agora.
— Por que tá ofegante assim?
— Aula de educação física. Mas escuta... preciso que você vá até a casa do governador.
— O quê? Pra quê?
— Já faz um mês que ele prometeu remarcar nosso encontro, pra me contar mais sobre a pessoa do veneno. Desde então, sumiu. Depois do furacão, ele disse que viajaria por uma semana. Só que nunca mais respondeu nada.
— Hmm... estranho. Tá bom, gata, eu passo lá. Te aviso quando chegar.
— Obrigada. — limpo o suor da testa com as costas da mão — Mas por que você me ligou mesmo?
— Saudades da sua voz. — ele ri, aquele riso baixo e sacana.
Desligo com um suspiro irritado. Esse garoto nunca muda.
As aulas seguintes foram tão entediantes que eu dormi em todas. Nenhum cutucão, nenhum bilhete, nem mesmo um suspiro vindo do Reed, ele nem tentou me acordar. Quando abri os olhos, percebi que ainda havia movimento no colégio. Reed também estava ali, rindo de algo com os amigos.
Caminho até o portão, já ciente de que ele vai na festa da Samy hoje à noite. Preciso me preparar. Mas meus passos diminuem assim que vejo quem está lá fora.
Stefan.
Parado ao lado da sua moto, com um capacete embaixo do braço e aquela postura arrogante de sempre. Conversa com um garoto desconhecido, num tom baixo e sério. Meus olhos não desgrudam dele.
Meu primeiro namorado.
A última vez que o vi foi naquela festa da Samy, ele estava com uma namorada nova. Seus olhos azuis cruzam com os meus, e um arrepio involuntário me percorre as costas.
Aquele olhar... é idêntico ao de um dos caras que estavam atrás do Reed.
Não... não pode ser. Estou ficando paranoica. Tenho vasculhado tanto atrás dessas pessoas, desses cinco, que talvez minha mente esteja tentando preencher lacunas com rostos conhecidos. Mas se for ele... por que estaria se aproximando do Reed?
A buzina de Karl me tira dos devaneios. Entro no carro com a cabeça girando e o coração martelando. Reed está sentado do outro lado, calado. Fecho a porta com força. Tento me convencer de que foi só imaginação. Mas e se...?
E se a namorada dele for uma das que eu matei?
Engulo seco. A voz daquele dia era diferente. Eu lembraria se fosse o Stefan. Mas essa investigação, essa porra toda de veneno, de gente morta e de olhos vazios, tá me enlouquecendo.
Pego o celular no reflexo. Uma notificação do Barth aparece na tela.
— Hoje eu vou à festa da Samy. — Reed solta, com a voz calma demais.
— Tudo bem. — respondo sem tirar os olhos do celular.
Barth Péssimas notícias, gata. O governador tá morto. Tô na casa dele. Isso aqui fede a podre. Acho que ele morreu no mesmo dia em que te falou da viagem. E detalhe: a passagem era só de ida. Acho que ele ia fugir.
— Só entra quem for com acompanhante, não precisa ir. — Reed continua.
— Sim, eu sei. — murmuro, absorvendo as palavras na tela.
— Como assim "sabe"?
— O Jacs me chamou pra ir com ele.
Barth Relaxa, vou procurar mais pistas. O corpo tá todo fodido, mas adivinha? Achei no sangue dele o mesmo veneno que matou seu pai.
— Você aceitou? — Reed pergunta, me encarando.
— Aham. — respondo, sem emoção.
Desbloqueio o celular na mensagem dele.
Kristhen Ele sabia quem tinha o veneno. Ia me contar. Mas alguém calou ele antes... Merda. Por que tudo sempre desanda pra mim?
Barth Não pira. Vou ver se consigo algo com a família dele, entender por que ele queria sumir do país.
Kristhen Você sabe onde tá a família dele?
Barth Ainda não. Te aviso quando souber. Me dá um tempo. Qualquer coisa, te ligo.
Bloqueio o celular e apoio a cabeça no banco, sentindo o peso do mundo despencar nas minhas costas. Alguém está dois passos à frente de mim. Alguém sabe tudo. Sabe cada passo que eu dou.
E tá me observando. De perto.
Continua...
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