Capítulo 7- Olhos Observam, Sange que Cobra

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Kristhen Zillord

Deveria ter avisado a senhora Walsh sobre as fotos. Só que, se fizesse isso agora, ela certamente me mandaria reforçar a guarda sobre Reed — e talvez tirar ele da escola, o que não parece ser o melhor no momento. Então eu espero. Mas permaneço atenta. Muito atenta.

— O que houve com seu punho?

A voz dele me arranca do transe. Olho para minha mão, os nós estão vermelhos, a pele ainda arde. Encosto os dedos por cima para disfarçar, depois encaro os olhos castanhos de Reed. Ele realmente sabe observar.

— Estava treinando — minto, simples assim.

— Na escola?

— Sim. Algumas pessoas se voluntariaram pra me ajudar — respondo sem hesitar.

Ele apenas balança a cabeça devagar. Não acredita. Mas não questiona. Inteligente. E mesmo que quisesse, quem é que vai desconfiar de mim agora? Os três babacas que enchi de porrada estão calados. Ou com os rostos inchados demais pra falar. Cumpri a ordem que me deram, sangue por sangue.

Chegamos à mansão Walsh. A entrada imponente se ergue diante de nós como uma fortaleza reluzente. Quando a porta do carro se abre, sou recebida por um segurança que me estende algo mais interessante do que um bom-dia: uma arma.

— A senhora Walsh pediu pra você conferir os locais da lista.

Pego a arma e a encaixo com facilidade nas costas, sob o casaco. Entrego minha mochila a uma das empregadas que já estende os braços para recebê-la. Ela sorri. Eu agradeço.

Antes que eu continue, uma chave é levantada pra mim. A luz da manhã reflete na peça metálica, me fazendo semicerrar os olhos. Mas quando percebo do que se trata, meu coração acelera.

— É sua — o segurança diz

Uma Kawasaki ZX-10R. Verde. Linda demais. Meus dedos fecham em torno da chave com cuidado, como se aquilo fosse um presente sagrado. E é.

Agradeço, e sigo em direção à moto. O ronco do motor, quando ligo, é uma sinfonia violenta. Sinto a vibração nos ossos. Estou viva. Atrás de mim, seguranças se mobilizam, entrando no carro que vai me acompanhar. Mas honestamente, prefiro estar sozinha.

Visitamos todos os lugares da lista. Lixões, ferros-velhos, becos abandonados com cheiro de óleo velho. Nada. Nenhuma pista. Mas algo me diz que o último local — o mais distante, o mais improvável — pode ter alguma resposta. O rio.

Chegar até ele foi uma jornada. A mata fechada, o som de animais distantes, o barro sob as botas. A correnteza é silenciosa, disfarçada, mas traiçoeira. Pego um galho e cutuco a água, sondando a profundidade. E... algo metálico reluz, encharcado e enterrado.

— Ligue pra senhora Walsh. Achamos as motos — aviso, mantendo o olhar fixo na sombra submersa.

Com ajuda, retiramos uma a uma. Cinco motos. Enferrujadas em alguns pontos, afogadas na lama, mas reconhecíveis. E sangue. Há vestígios. Eu sei que tem.

— Ela pediu pra não tocar em nada. Está vindo — o segurança avisa, celular ainda na mão.

Concordo com a cabeça, mas meus olhos continuam em alerta.

A senhora Walsh chega minutos depois, vestida como se fosse a um desfile. Seda preta, salto fino, pulseiras. Ela observa as motos com um olhar frio.

— Procurem por pistas — ordena, sem levantar o tom de voz.

— Será que vamos encontrar algo? — pergunto, me aproximando — Eles não parecem ser tão descuidados.

— São cinco. Um deles com certeza é — ela rebate, sem hesitar.

E como se as palavras dela tivessem convocado a resposta, um segurança se ergue com algo entre os dedos envolto por uma pinça. Um fio de cabelo.

— Achei isso preso no guidão.

Um cabelo preto. Tem cara de ser uma peruca.

— Viu? Demos um avanço — Elaine sorri de leve, quase satisfeita. — Levem para o laboratório. Quero saber quem é.

Então, os olhos dela, segundos depois, se arregalam. Ela me puxa, não como uma dama, mas como uma comandante. Tiros explodem atrás de mim, rasgando a quietude. Me escondo atrás de uma árvore, arma em mãos, enquanto o caos começa.

— Vieram atrás das motos. Sabiam que descobriríamos — ela murmura, tensa.

Aponto para a direção dos tiros. Um segurança me cobre. Corro silenciosa entre os troncos, os passos medidos, a respiração contida. Meus olhos captam um vulto. Corpo robusto, distraído. Aponto, quase puxando o gatilho... quando um galho estala atrás de mim.

Giro e dou um chute. O invasor recua, rápido demais.

Me escondo, olhando de relance, mas outro disparo cruza o ar e acerta a árvore onde eu estou.

Merda.

Eles estão em dois. Saio de trás dela com a arma erguida. Um corre com agilidade, o outro... tropeça sozinho. Cai, provavelmente por ter torcido o tornozelo. Que idiota. Corro atrás, atirando no que foge

Me aproximo do caído no chão, tentando levantar. Olhos azuis sob uma máscara. Tiro a faca do bolso interno do casaco.

— Que desastre... — murmuro, o sarcasmo escorrendo.

Mas seus olhos azuis se movem discretamente pra algo atrás de mim. Rápido.

Merda de novo.

Viro, raspo a lâmina no rosto de quem tentou me pegar por trás. A faca corta tecido, mas não pele. Ele chuta minha arma — ela voa longe. O homem alto, 1,85 pelo menos, me encara. Era o mesmo que tinha atirado em mim. Não acredito que deu a volta pra me pegar por trás. Olhos negros, intensos. Um duelo.

Tento golpeá-lo com a faca. Ele desvia, e então... corre.

Dou passos na direção dele, mas percebo o engano tarde demais.

Distração.

Volto o olhar para onde o outro estava. Nada. O chão está vazio. Viro meu rosto pro outro que correu, não vendo mais vestígios.

O sangue sobe, como uma onda quente na garganta.

Falhei.

— PORRA!

Continua...

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