Capítulo 4- A Primeira Vista

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Kristhen Zillord

— Você gosta de alguém? — pergunto, com calma, antes de responder à pergunta dele sobre o que é estar apaixonado.

Reed hesita. A expressão muda sutilmente

— Não sei dizer... Foi amor à primeira vista, você acredita nisso?

— Não. — respondo, mas sem julgamento — Mas me diz o que você sente por ela.

Ele respira fundo, os olhos vagando pelo chão como se procurassem as palavras entre os azulejos.

— Nunca falei com ela... Mas sinto nervosismo, meu coração acelera quando ela sorri, conversa, ou faz qualquer coisa. Tenho arrepios... e amo observar ela, ouvir a voz dela. É doce... como mel. São músicas pros meus ouvidos. Queria ficar mais perto, poder elogiá-la, dizer que é a mulher mais linda que já vi. Queria entregar rosas, por causa do perfume esplêndido dela. Mas... acho que ela me acharia estranho.

A honestidade crua na voz dele me pega desprevenida. Há algo muito puro nisso.

— Sim, você está apaixonado — digo com firmeza — Isso é amor.

Ele sorri de leve. Aquele sorriso tímido que só aparece quando a gente se permite ter esperança. Mas, pra ser honesta... agora estou com pena. Não sei se essa menina o veria do mesmo jeito.

— Você acha que consigo mudar até o final do ano e falar com ela? — ele ergue a cabeça pra mim, enquanto toma devagar o que preparou.

— Claro. — respondo, observando a maneira como ele engole o líquido em goles longos

— E como eu faço isso? — pergunta limpando a boca com as costas da mão, ainda sem coragem de me encarar por muito tempo.

— Começa com um "bom dia".

— E se ela não me responder? — ele deixa a garrafa sobre a mesa, o olhar ansioso.

— Manda ela ir se foder.

— O quê?! — Reed me olha arregalado — Não! De jeito nenhum.

Dou uma risada curta, só pra aliviar.

— Tô brincando. Tenta de novo no próximo dia, e depois no outro. Sem pressão.

— Ah... certo.

Meio tenso, ele se afasta, caminhando até os pesos. Pega um halter com precisão e começa a série. Os braços se flexionam, e os músculos se definem sob a regata cinza-clara.

Talvez eu não tivesse reparado nos músculos dele antes. Mas agora... impossível não notar.

— Por favor... não fique me olhando fixamente — ele pede, ainda com os olhos fixos no próprio reflexo.

Meus olhos sobem pro rosto dele. Está vermelho. Não acho que seja só pelo esforço físico. Ele está com vergonha.

— Mas as pessoas vão te olhar assim quando você fizer qualquer coisa em público, Reed.

— Eu sei, mas... — ele hesita — incomoda.

— Já apresentou trabalho?

— Nunca. Sempre fazia manuscrito e aceitava tirar metade da nota. Ninguém queria fazer grupo comigo... porque eu nunca tenho coragem de falar na frente da turma.

Reed é o tipo de garoto que muita gente não entende. Só veem a superfície: o cabelo arrumado, o tênis caro, o silêncio.

Ele muda de exercício. Tento não falar nada, mas observo cada passo, cada movimento. E ele faz de tudo pra não cruzar meu olhar. Treina por duas horas, claro que faz pausas, hidrata-se, mas não reclama em nenhum momento.

Agora está na frente do liquidificador, preparando outra vitamina. Os ingredientes vão entrando um por um: banana, aveia, whey, leite, alguma semente.

Ele vira a cabeça devagar, de um jeito quase robótico. Foi estranho.

— Deseja perguntar algo?

— Quanto... de altura você tem? — pergunta enquanto desvia o olhar pro chão, tímido.

— Um e oitenta.

— Ah... — ele ri nervoso, o canto da boca se curva de leve — Você que é mulher... qual é o seu tipo?

Dou um sorrisinho de canto.

— Quer saber se eu ficaria com você?

— N-não! — ele arregala os olhos, visivelmente mais nervoso — Quero saber se... Samy gosta de garotos altos.

Ah. Agora tudo faz sentido.

— Você vai ter que descobrir. Tem mulher que gosta de homem da altura dela, outras preferem os mais baixos, e tem as que gostam dos altos. Ninguém é igual.

Ele apenas assente. Não insiste. Apenas sacode a garrafa com a vitamina de novo

A porta atrás de mim se abre.

— Senhora Zillord, a senhora Walsh está te chamando no quarto dela. — diz uma empregada com um sorriso educado. — Por favor, me acompanhe.

Peço licença ao Reed e me retiro. Subimos até o terceiro andar — coisa que não achei que faria tão cedo. O corredor é amplo, luxuoso, silencioso. O tapete grosso abafa os passos. A porta do quarto se abre. Dentro, um homem de terno preto está em pé ao lado de duas maletas abertas no chão.

Armas.

Armas perfeitamente organizadas, como joias em exposição. Armas lindas. Merda. Eu não devia ter dito pra Elaine que gostava desse estilo. Ela entendeu.

— Por favor, escolha. — diz Elaine, sentada com aquele sorriso que mistura elegância e ousadia.

Me ajoelho diante das maletas e começo a examinar cada item com cuidado: pistolas, facas, pequenos dispositivos.

Ela continua sorrindo, indiferente ao custo absurdo que deve estar anotado naqueles equipamentos.

— Obrigada. — digo, fechando a maleta das facas. — Estou feliz com todas elas.

— Essas armas são um presente por aceitar ajudar meu filho com a timidez. — ela diz com doçura. Mas há firmeza por trás de cada palavra.

— Tenho certeza que ele vai se enturmar rápido. Ele só precisa de alguém que realmente olhe pra ele.

Ela assente, satisfeita.

— Sua matrícula no colégio já está feita. Paguei tudo, inclusive os materiais. Você não precisa se preocupar com nada.

Gente rica é foda. Resolve a vida inteira com um clique.

— Ah! — ela ergue o dedo, com aquele brilho ameaçador nos olhos — Se alguém estiver fazendo bullying com o Reed... eu quero que você bata nessa pessoa. Até ver sangue. Ou carne viva. Entendido?

— E se eu for expulsa?

— Não será. — ela cruza as pernas e joga os cabelos pro lado, como se fosse uma questão já resolvida. — Uma quantia certa pro diretor, e ele mantém o bico fechado.

Respiro fundo. Não gosto de resolver tudo com dinheiro... mas, honestamente? Se não for comigo, estou pouco me lixando. Eu só vou cumprir a ordem.

Continua...

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