Kristhen Zillord
Ando com pressa pelos corredores, os saltos estalando como tiros abafados no mármore. Meu sangue ferve, a raiva pulsa em cada passo, como se pudesse transbordar pela pele. A festa ao redor parece um borrão: luzes, vozes, taças tilintando. Nada disso importa. Só ele.
— Reed? — o chamo entre dentes, a voz ríspida enquanto ele conversa com algumas senhoras.
Ele demora para me olhar, como se estivesse considerando ignorar, mas acaba cedendo. Viro as costas sem esperar resposta e o guio para longe da roda de risos educados, os olhos queimando, a boca amarga de tanto morder por dentro. Gosto de sangue, real ou imaginado.
— O que foi? — ele pergunta, calmo demais pro meu estado.
— O que foi?! — explodo, bufando. — Você mandou uma mensagem pra sua mãe falando de mim?!
Reed desvia o olhar, as mãos mergulham nos bolsos como se fosse a porra de um adolescente preguiçoso. E então... ele sorri. Um daqueles sorrisos tortos, irritantes. Arrogante como se o mundo fosse só um jogo.
Sem pensar, acerto um soco direto nas costelas dele, com força o suficiente pra tirar o ar. Ele geme alto, o corpo se curvando. Nem me importo. Tiro a bolsa do ombro e começo a acertá-lo com ela, como se cada golpe fosse um ponto de exclamação.
— Acha engraçado?! — fuzilo, acertando mais uma vez. — Da forma como ela me pune quando você abre a porra da boca?! Hein?!
Mas em vez de pedir desculpas, Reed ri. Ri como se estivesse num palco, como se fosse hilário. A gargalhada dele ecoa no corredor vazio e isso me deixa completamente fora de mim.
Levanto o punho, pronta para enfiar a unha na cara dele, mas ele segura meu pulso com firmeza. A risada dele vai se desfazendo aos poucos, enquanto nossos olhos se enfrentam no meio do caos.
— Acha engraçado? — rosno, tentando puxar minha mão — Filho da puta!
— Oh, céus... — ele joga a cabeça para trás. — Eu não fiz nada.
— Mentira! — estreito os olhos, engolindo o gosto metálico da fúria. — Você riu da minha cara, desgraçado!
— Porque achei engraçado! — ele diz, simples, como se não estivesse levando uma surra emocional. — Eu não disse nada a ela. Deve ter descoberto pelos seguranças.
— Não acredito em você.
— Inclusive, ela me mandou uma mensagem e eu disse que você estava comigo. — ele puxa o celular do bolso e me estende. — Olha aí.
Pego o celular da mão dele com um puxão brusco e afasto meu corpo do dele. Não tem senha. Entro nas mensagens, os dedos rápidos, duros.
Mãe
Oi, bebê, Kristhen está com você?
Reed
Sim, mãe, ela está aqui comigo, por quê?
Mãe
Nada não, querido, se divirta.
Ele estava dizendo a verdade.
Fecho a conversa e jogo o celular de volta nele, como se fosse algo sujo. E daí? Ele ainda mereceu. Que tipo de idiota ri enquanto eu estou surtando?
— Você deveria controlar esse seu temperamento.
— E você deveria controlar o seu senso de humor. — ajeito meu vestido, endireitando a postura, como se pudesse esconder o caos sob o salto alto. — Você provocou quando riu.
— Foi engraçado te ver brava. — ele responde, como se confessasse algo íntimo. — Queria não ter rido, mas... quando vi seu rosto, todo maquiado... céus... foi engraçado.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
