Capítulo 5- A Verdade por Trás dos Sorrisos

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Kristhen Zillord

Ontem eu revisei algumas fotos. Em apenas uma semana, cinco motos diferentes passaram rodeando a casa, cada uma rondando com o farol apagado, os capacetes escuros apontados como olhos curiosos. Fiquei me perguntando se era a mesma pessoa — até ver, na terceira imagem, o contorno de um corpo feminino pilotando. Rosto coberto. Mas o formato era inconfundível.

Suponho que estejam juntos. Ou talvez não. Também não importa agora.

Sequestrar aquele garoto e pedir uma quantia absurda por ele... qualquer maluco obcecado por dinheiro tentaria. Reed tem o perfil perfeito para isso: quieto, vulnerável, e com sobrenome que vale mais que a maioria das casas dessa cidade.

Elaine comentou que tentou rastrear as motos das fotos, mas todas estavam sem placa. Uma pista morta.

Mas eu tenho outra teoria: desmanche.

Eles roubam motos pela cidade, usam para vigiar os Walsh, e depois se livram delas antes que alguém consiga rastrear. Achei um desmanche por aqui, perto o bastante pra ser conveniente. Vou dar uma olhada depois da aula. E se não encontrar nada, vou olhar o ferro-velho. E, se ainda der em nada, vou procurar nos rios.

Mas Reed inquieto me arranca dos pensamentos. Está encostado no armário, com a perna batendo freneticamente, tentando criar coragem pra dizer "bom dia" pra uma ruiva.

— Você não precisa encarar ela. Só passa e fala "bom dia", simples. — cruzo os braços, firme.

— E se eu gaguejar?

— Não vai. Para de pensar demais. — meu tom não permite dúvidas — Você consegue.

Ele fica em silêncio. Hesita. Trava. Até que finalmente se desencosta do armário e caminha. Um pouco apressado, o pescoço tenso, o passo largo demais. Fico em dúvida se ele falou ou não... até ver a ruiva levantar a mão e acenar de volta com um sorrisinho animado.

Então sim. Ele conseguiu.

Um passo enorme pra alguém que vivia escondido dentro de si mesmo.

Me aproximo devagar, observando. Mas Reed continua andando, sem nem perceber que estou vindo atrás. Onde ele pensa que está indo?

— Esse garoto é esquisito — ouço de repente na minha frente. Paro.

Uma loira está de braços cruzados, com a sobrancelha arqueada.

— Ele não é esquisito, é fofo. — a ruiva responde com um brilho tolo na voz.

— Fofo? Amiga, ele vive te encarando. Tá mais pra um pervertido. Céus, se fosse comigo, eu já tinha pedido uma medida protetiva.

— Que exagero! — a ruiva suspira, meio sem graça. — Ele pode ser esquisitinho, mas... confessa que é um gato.

— Um virgem idiota, isso sim. — a de cabelo preto entra na conversa com nojo na voz. — Deve nem saber beijar. Fica longe de homem assim. Esses daí não sabem nem onde fica o botão de ligar, imagina fazer alguém gozar. Tem que ir nos experientes, amiga.

— Eu não vou trepar com ele! — a ruiva gargalha — Só acho ele bonitinho. Não daria uma chance nem em outra vida. Prefiro o Jacs. Ele sim é homem. Eu sentaria nele todo santo dia, toda noite, toda semana, o ano inteiro se deixassem.

A risada suja das três enche o corredor. Reed está lá na frente, ainda com aquele sorriso... idiota.

Ele não ouviu. Mas eu ouvi.

Talvez a ruiva não seja o que ele pensa. Ou talvez só esteja tentando se encaixar, querendo parecer fodona pras amigas. Mas isso não justifica.

Continuo andando. E por pura implicância, empurro a ruiva com força. Escuto o baque do corpo dela batendo com tudo contra os armários metálicos.

KristhenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora