Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Ontem à noite, depois de jantar, fui direto pro quarto. Sem dizer nada. Hoje, quando acordei, ainda sentia os ecos daquele beijo grudado no meu corpo, como um calor preso na pele — mas mesmo com isso, eu simplesmente não consegui encarar a Kristhen. Meu olhar evitava o dela como se meu corpo inteiro recusasse o contato. Não é de propósito.
Ficar aqui embaixo, trancado nesse bunker enquanto o furacão devasta lá fora, é sufocante. Nenhuma fresta de sol, nenhum ruído natural. Só silêncio, paredes grossas e a presença dela, sempre ocupando o ar como um perfume impossível de ignorar.
Tentei me distrair colocando um CD velho pra rodar. Um filme qualquer. Melhor que encarar o desconforto no ar. Kristhen, ao meu lado, ri de uma cena e, por um segundo, fico aliviado. Pelo menos ela está gostando.
Mas esse silêncio entre nós me consome. Então decido quebrar ele antes que me quebre.
— Vamos ficar aqui? Sentados vendo filme? — solto
— Até o furacão passar, sim. — ela responde sem nem me olhar.
Engulo seco. Isso doeu mais do que se ela tivesse gritado comigo.
— Hm... Não vai me dizer o que tá acontecendo? Por que você levou aquele tiro?
— Já respondi isso. — rebate, seca.
— Mas não deu os detalhes.
— Que pena! — ela solta, dando de ombros, como se não estivesse nem aí.
Viro o rosto, frustrado. Fico encarando o nada por um tempo. Então sussurro, mais pra mim do que pra ela:
— Vaca...
Mal a palavra sai, percebo o erro. O estofado range num estalo, e em menos de dois segundos a mão dela agarra meu rosto com força, puxando minha atenção. Os olhos dela ardem.
— Você me chamou de quê? Acha que eu não escuto? Já me acostumei com você falando baixo.
— Eu não disse nada! — minto, nervoso.
— Você me chamou de vaca. Vaca é sua mãe! — dispara.
O silêncio cai pesado logo depois. Ela mesma percebe o que disse... e solta meu rosto devagar.
— Minha mãe? — repito, surpreso.
Ela desvia o olhar e levanta, rápida.
— Se tá entediado, vai limpar esse lugar. É enorme, pode te ocupar por bastante tempo.
— Na verdade, pensei em outra coisa... — falo, levantando também. — Por que você não me ensina a ser frio?
Ela se vira com a sobrancelha arqueada.
— Ser babaca? Isso você já é.
— Eu não sou babaca!
— Você me chamou de feia um milhão de vezes quando estava bêbado.
— É... — passo a mão na nuca, desconfortável. — Eu estava pensando na Samy naquele dia. Fiquei irritado porque ela me ignorou, mesmo depois de saber que eu gostava dela. Ela me chamou pra sair e depois agiu como se nada tivesse acontecido... eu estava confuso. E acho que tinha droga na bebida. Acabei te confundindo com ela...
Kristhen cruza os braços, mas não fala nada. O silêncio é pesado.
— Tá bem — diz por fim. — Eu te ensino a ser um "bad boy".
— E como você imagina um?
Ela sorri, como se a resposta já estivesse pronta há anos.
— Um garoto frio. Sempre de preto, com olhar sedutor, que dorme com quem quiser e não sente nada. Transa com qualquer uma, humilha os outros, briga quando quer mostrar domínio. Rico, bonito, popular por saber usar as mãos e a boca. Fuma, bebe, vai a festas só pra transar. Sexy na frieza. E quando se apaixona, depois de maltratar a garota, aí sim vem o romance dark que toda garota ferrada quer viver. É isso que você quer ser?
— E você... já ficou com um assim? — pergunto, hesitante.
— Fiquei — ela responde, como se fosse a coisa mais comum do mundo.
— E você acha que eu consigo virar isso?
— Você já tem cara de quem seria um fracasso tentando. Mas... talvez eu possa te moldar.
— E como começa?
Ela se aproxima devagar. O olhar dela é afiado, provocativo. Cada passo dela parece mexer com o ar ao redor. Quando chega perto, inclina um pouco a cabeça e diz:
— Começa sendo bom de cama.
Aquilo entra nos meus ouvidos como um tiro.
— Vai... me ensinar? — solto, sem pensar direito.
— Tô com cara de professora de sexo agora? — ela rebate, firme.
— Você parece entender bem do assunto...
— Eu não vou transar com você, Reed.
— Não quero pagar uma prostituta pra isso... — digo num tom mais baixo, quase implorando.
Ela solta um riso seco e irônico.
— Você tem coragem de pedir uma coisa dessas com essa cara lavada, né? Que merda.
— É só que... não quero fazer feio quando acontecer com a Karen, ou com qualquer outra. Quero... fazer direito.
Kristhen vira os olhos, mas algo nela muda. Um suspiro mais longo. Um segundo de silêncio.
— Sabe o que é triste? — diz, se aproximando outra vez. — Nem todo mundo que fala bonito na cama sabe o que tá fazendo. Alguns prometem fazer a mulher ver o céu... e entregam o inferno. Fingem domínio, mas são desastres.
— Como assim?
— Mulheres fingem prazer às vezes. Fingem gemer só pra manter o clima, pra não deixar o cara constrangido. Depois vão embora xingando em todas as línguas possíveis.
— Então por que elas transam com eles?
— Porque o homem promete mundos e fundos. Diz que vai arrebentar, fazer ela gritar, gemer, perder o juízo. E aí? Nada. Vinte segundos e um "foi bom pra você?"
Ela revira os olhos e ri sozinha. Eu engulo em seco.
— Então como eu aprendo?
— Praticando — diz, mexendo nos cabelos com desdém. — Com o tempo. Tentativa e erro.
— Você poderia me ensinar.
— Já disse que não. — a voz dela é firme, fria.
— Por quê?
Ela se vira pra mim, me encara de perto. Um sorriso pequeno brinca no canto dos lábios.
— Porque não. — pisca e sai andando, como se aquilo encerrasse o assunto.
Fico parado com o corpo ainda tremendo pela ousadia que tive. O coração acelerado. A cabeça uma confusão.
Onde foi que eu arranjei coragem pra pedir aquilo?
Continua...
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