Capítulo 19- O Preço da Verdade

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Kristhen Zillord

Espero por Barth em silêncio, apenas ouvindo as risadas e gritos do pessoal espalhados pela piscina iluminada. A noite caiu faz tempo, mas o ambiente parece convidar todo mundo a ficar — as luzes amareladas refletem na água, e o som das caixas ecoa suave

Balanço o pé no ritmo da música, observando Samy rindo com as amigas enquanto joga água nelas. De repente, ela é puxada por Jacs. O gesto é rápido e sem hesitação. Eles se encaram por um segundo... e se beijam.

Sério? O encontro era dela com o Reed. Mas pelo visto, o Jacs se auto-invadiu no roteiro.

Por que eu tenho a sensação de que ela tá usando o Reed pra provocar o Jacs? Merda... será que tô pirando? A Samy não teria essa ousadia. Teria?

Procuro o Reed com o olhar. Achei que ele estaria isolado, remoendo em algum canto. Mas não. Ele tá cercado por três garotas, todas lindas. Sério, três tapas na cara da autoestima da ruiva. Reed Conversa normalmente, sorrindo. Como se estivesse alheio à palhaçada que Samy tá fazendo ali.

O corpo dele é bonito. Na verdade... o Reed é bonito. Desde que chegou, não passou despercebido. Cuida do corpo, da saúde, tem dinheiro, sabe lutar... só é um desastre emocional ambulante. E precisava, urgente, de um psicólogo.

Ter apanhado só pra chamar atenção da Samy já foi baixo demais. Mas tenta explicar isso pra Elaine, ela ia quebrar os móveis defendendo o filho. Com certeza.

Ele sorri. E por um segundo, sem mover a cabeça ou desviar do papo com as meninas, ele olha na minha direção.

Dou um sorriso discreto. Meio automático.

Ele cora.

— Ele corou... — sussurro pra mim, surpresa.

Reed cora fácil, mas dessa vez... foi diferente.

— Quem corou?

A voz masculina ao meu lado me puxa de volta.

Viro o rosto. Barth. A sombra dele se senta bem à minha frente. Blusa regata, braços tatuados à mostra, cabelo perfeitamente alinhado no corte americano; o clássico que parece ter virado uniforme de garoto bonito.

— Você demorou. — comento.

— Tive que resolver um assunto antes. — ele se ajeita na cadeira, relaxando o corpo com confiança e exibindo os músculos — E você... alguém te bateu?

— Isso não te interessa. — retruco seca. — A gente veio pra falar de outra coisa.

— Ah, sim... — ele desvia o olhar por um segundo, tentando parecer desinteressado, mas o tom denuncia algo — Eu ainda sinto algo por você, sabia?

— Me poupe, Barth. A gente só ficou algumas vezes. — reviro os olhos, irritada por ele ainda insistir nisso — E me arrependo de todas.

Ele finge não se importar, como sempre faz quando leva um fora.

— Enfim... o veneno.

— Quem morreu por causa dele? — perguntou

Me aproximo, mudando de cadeira pra ficar mais perto, mais discreta. O som ao redor nos ajuda. Ninguém presta atenção na gente.

— Meu pai. — solto num sussurro. — Mas ninguém sabe. Só eu.

— Isso é pesado... — ele murmura.

— Você disse que esse veneno é raro.

— Raríssimo. Só gente de cargo alto consegue acesso. Presidentes, governadores... gente que pisa em segredos.

Meu pai nunca esteve nesse meio. Nunca.

— E você tem certeza dos sintomas? — Barth me olha com seriedade, os olhos verdes analisando meu rosto.

— Absoluta, Barth Simpson. — ironizo de leve.

O olhar dele escurece.

— Não me chama assim. — a voz dele perde o humor.

Antes que ele continue, duas garotas param ao nosso lado, sorrindo pra ele. Suspiro. Ótimo. Era só o que faltava.

Barth é bonito. Muito. Do tipo que deixa qualquer uma em dúvida do que estava falando. Mandíbula marcada, olhar de quem sabe exatamente onde está colocando as mãos. Pena que é um completo babaca mulherengo. Vive dizendo que me quer, mas nunca quis ninguém.

— Essa aqui é minha namorada. — diz, colocando a mão na minha coxa sem permissão, e abrindo um sorriso daqueles de fazer até freira reconsiderar voto de castidade.

As garotas pedem desculpa e se afastam.

Tiro a mão dele da minha perna com um tapa leve e cruzo as pernas, me afastando mais.

— Para de dizer que sou sua namorada.

— Tô te protegendo, gata. É serviço completo. — ele sorri torto.

— Foca no que interessa. Dá pra descobrir quem poderia ter acesso a esse veneno quatro anos atrás? Posso te passar o dia exato.

— Claro. — ele sorri de novo. Um sorriso que já arrastou muita garota pra cama.

— Sem gracinha.

— Ah, mas eu nunca trabalho de graça...

Reviro os olhos. Lá vem merda.

— O que você quer?

— Que tal... uma noite comigo?

Ele solta com aquela voz baixa e suja, do tipo que já me fez ceder antes. Um arrepio sobe por minha coluna — maldito instinto idiota que responde a ele mesmo quando minha cabeça grita "não".

— Nem fodendo.

— O quê? — ele ri, divertido. — Tá... então, um boquete?

— Você pede com uma cara lavada, impressionante. — balanço a cabeça, incrédula. — Ainda não.

— Um encontro?

— Hm... isso eu posso considerar.

— Mas tem que ter, no mínimo, um selinho.

— Eu decido na hora. Se você for menos idiota do que parece, ganha.

— Isso é um sim? — seus olhos brilham

— Pro encontro, sim. Ou nada feito.

— E o selinho?

— Vai depender do seu desempenho. — dou um sorriso cínico, levantando a sobrancelha.

— Tá. — ele pisca pra mim e se recosta, satisfeito.

Sinto uma presença parada ao meu lado. Ergo o olhar devagar.

Reed. Com a expressão neutra, mas os olhos fixos em mim.

— O que foi, Reed? — pergunto.

Continua...

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