Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Procuro por Reed com os olhos assim que saio da detenção, ilesa. O idiota ainda está lá dentro, escrevendo dez folhas de pedido de desculpas, repetindo mais de mil vezes o mesmo arrependimento. Patético. Desço as escadas, mas meus passos diminuem ao notar um aglomerado de pessoas na praça.
Me aproximo, empurrando alguns ombros no caminho até conseguir enxergar o centro da confusão.
— JÁ CHEGA, RICK! Qual é o seu problema?! — a voz da ruiva ecoa, aguda, tremendo no ar abafado do pátio.
Um garoto de cabelos pretos está no meio da roda, com dois capangas ao lado. Diante dele, Samy protege alguém com o corpo.
Reed.
Claro que era ele. Esse colégio é um viveiro de riquinhos que acham que podem esmagar quem parece menor. E Reed, coitado, parece atrair encrenca como ímã.
— Sai da frente, gatinha — Rick estala a língua, a voz pingando arrogância.
— Ele não te fez nada! O que deu em você?! — ela empurra o peito dele — SAIAM DAQUI!
— Senão, o quê? Hein?! — ele avança e empurra Samy, quase a jogando no chão.
Me enfio no meio, encaro Rick e, sem aviso, agarro os cabelos dele e puxo com força. O corpo dele se dobra para trás, a surpresa estampada nos olhos escancarados.
— Eu vou quebrar teu pescoço e te arrastar pro inferno. Te jogar nas chamas escuras e assistir seu corpo ser devorado enquanto você implora por misericórdia. E eu? Eu vou rir. Junto com os demônios.
Empurro ele com tudo. O desespero nos olhos dele vale cada segundo. Sai cambaleando, murmurando algo e levando os dois comparsas junto. Os curiosos cochicham, mas ninguém se atreve a dizer nada.
Me abaixo ao lado de Reed, o cabelo dele está todo sujo de farinha.
— Você tá bem?
Samy também se abaixa, e por saber o quanto ele quer que ela se importe, deixo os dois ali e me afasto.
Antes de me afastar mais, passo por um celular no chão, desbloqueado num joguinho idiota. Penso em desligar, mas uma notificação chama atenção. Uma nova mensagem. Número desconhecido. Clico.
Fotos.
Uma atrás da outra. Eu e Reed chegando no colégio. Nós conversando. Ele olhando pra Samy. Cada momento. Tudo. A última imagem foi tirada agora pouco, enquanto ela o ajudava... Mas o ângulo... o lugar de onde a foto foi tirada estava vazio.
Quem está fazendo isso?
O colégio é gigante, mas mesmo assim... Alguém está acompanhando os passos de Reed. Não parece brincadeira de adolescente. Parece plano.
Desligo o celular e enfio no bolso da minha jaqueta.
— Seu celular quebrou — minto.
— Tudo bem, tenho outro lá em casa — ele responde de pé, enquanto ainda tenta limpar a farinha da roupa.
Samy o ajuda com um pano. As bochechas de Reed estão coradas, óbvio. Essa garota... não sei o que pensar. Uma hora age como amiga, outra fala besteiras com as amiguinhas.
Quando a roupa dele finalmente está limpa, levanto os olhos e noto o vermelho no maxilar.
Aproximo-me novamente. Seguro o queixo dele e viro o rosto pro lado. Toco de leve. Ele geme baixo de dor.
— Isso acontece sempre?
— Não... — Reed afasta minha mão, segurando meu pulso — Acontece quando eles precisam de dinheiro.
— Mas eles são ricos.
— Só é um bom motivo pra implicar comigo. — respondeu baixo
Ele se vira pra Samy.
— Obrigado, Samy...
— Está tudo bem mesmo?
— Estou — ele sorri de canto.
— Certo — ela sorri de volta e olha pra mim, depois pra ele — Vai ter uma festa lá em casa. Você quer ir?
Hm. Isso me cheira a armadilha.
— T-Tá... — Reed responde.
— Legal! — Samy acena e se afasta.
Ele se vira lentamente pra mim, ainda com aquele sorriso besta nos lábios. Repleto de ilusão.
— Você vem, né? — perguntou
— Tenho que ir...
— Já foi em alguma?
— Já. São chatas. — dou de ombros
— Sério?
— Eu não curto. Mas talvez você goste. Pode ser uma experiência nova.
O sorriso dele volta, ainda maior. Se a mãe visse, teria um treco de tanto orgulho.
— O que rola nessas festas?
— Bebidas, às vezes droga. Depende. Mas também tem jogos tipo "verdade ou desafio".
— Que jogo é esse?
— É assim... — penso rápido — Uma garrafa no centro, todo mundo senta em roda. Vamos supor que a Samy gira, e cai entre você e ela. A ponta da garrafa faz a pergunta, a base responde. Então ela pergunta: "Verdade ou desafio?"
— Verdade.
— Aí ela pode perguntar... "É verdade que você gosta de alguém do colégio?" — dou de ombros — É só um exemplo. E você tem que responder.
— E se eu não quiser?
— Tem que responder. Você escolheu verdade. Pelo menos era assim quando eu jogava. Talvez vocês ricos tenham outras regras.
— Entendi... Mas... você vai ficar por perto, né? — sussurrou, meio tímido
— Sim. Por quê?
— Não sei... Quando você tá perto, eu consigo falar. Fico menos... sei lá, menos idiota. Desde ontem. Falar com você me deixa... seguro. E isso acaba ajudando a lidar com os outros também.
Ele coça a nuca, sem jeito, mas com um sorriso verdadeiro.
Me sinto... lisonjeada.
Ele vai se enturmar. Vai se aproximar das pessoas. Talvez essa festa seja o empurrão que falta.
Reed se vira e começa a andar, sem nem me deixar responder. Fico observando.
Mas ainda tenho algo pra fazer. Três idiotas pra derrubar.
E estou com tempo.
Continua...
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