Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Não tive uma noite boa. Ela ficou na minha cabeça como um vírus.
Kristhen.
Ela não saiu nem por um segundo, e, pra piorar, acabei sonhando com ela. Um sonho quente. Imoral. Cheio de gemidos e pele.
Que merda tá acontecendo comigo?
A dor de cabeça pulsa como se meu próprio cérebro estivesse tentando me castigar. E agora aqui estou eu, andando num shopping lotado, ao lado dela, tentando fingir que não penso em como ela gemeu no meu sonho.
— Não é esse que a puta ruiva quer? — Kristhen rosna, apontando pra vitrine com tédio.
— É Samy — digo entredentes, empurrando de leve seu braço. Viro pra atendente — Moça, vou levar esse aqui.
Kristhen revira os olhos como se tivesse sido forçada a acompanhar um idiota. Talvez esteja certa. Me pergunto o tempo todo por que ela está aqui, se não vai ajudar porra nenhuma.
— Vamos logo que tenho um encontro — ela solta, encarando o celular
— Ainda são três da tarde — murmuro, pegando as sacolas — Você é agoniada.
— E você é cego pela Samy. — o olhar dela me atravessa.
Cego? O que ela quer dizer com isso?
Eu vejo. E lembro muito bem do que vi no sonho também. Lábios. Língua. Mãos. Pressão. Arranhões.
Ando na frente, tentando ignorar o calor escorrendo pela minha nuca. Por que diabos aquele beijo me deixou assim?
Na próxima loja, onde Samy pediu algo específico, olho pra trás.
Kristhen sumiu. Ótimo.
Volto pelo mesmo caminho, pronto pra reclamar, mas a vejo parada em frente a uma loja de roupa. Ela segura um vestido nas mãos e conversa com a atendente. Entro, curioso demais pra simplesmente ignorar.
— O que você tá fazendo? — pergunto.
— Escolhendo um vestido pro meu encontro. Relaxa, não vou demorar — ela nem me olha.
— E você tem dinheiro?
Ela vira devagar, arqueando as sobrancelhas. A expressão dela é tão carregada de desprezo que me dá vontade de rir.
— Eu trabalho pra proteger o filhinho de papai. Então, sim, eu tenho dinheiro — responde com sarcasmo, revirando os olhos.
Fico em silêncio. O vestido é ousado. Mostra pele demais: o centro dos seios, as costas nuas, as coxas.
Definitivamente não combina com ela. Ou talvez combine até demais.
— Esse vestido não parece combinar com você — comento.
Ela suspira com força, tipo "não me enche o saco", mas sorri pra moça
— Vou experimentar.
Kristhen caminha para um aprovador, e eu vou atrás, em silêncio, apenas curioso. Assim que chegamos, ela desaparece pro provador. Me encosto num pilar, impaciente.
Demora. Mais do que deveria.
Finalmente, ela sai. E eu... travo.
Não tem nome pro que eu sinto. O sangue esquenta, meu olhar cai direto nas pernas dela.
Coxas firmes, fortes, talvez por causa dos treinos. O vestido marca sua cintura, e meus olhos sobem para um lugar perigoso demais. Seus seios, com um decote aberto no meio. Por um momento os encarei, lembrando do sonho, em como Kristhen ficava nua embaixo de mim. Engoli seco, querendo que esses pensamentos se afastem. Mas não consigo. Ela tá bonita pra caralho.
Kristhen gira levemente, como se soubesse o que tá fazendo. As costas dela estão todas expostas... e no ombro direito: uma tatuagem. Uma aranha.
Henry já me contou histórias sobre isso. Muita gente do submundo usava essa tatuagem. Gente perigosa. Da pesada. Será que Kristhen...?
Não. Não, cara. Para. Talvez ela só goste de aranhas. Ou sei lá, quis parecer fodona.
Mas o pior? A tatuagem só a deixa mais sexy. Mais perigosa. Mais inalcançável.
Ela me encara, braços abertos.
— E aí, Reed? Ficou bom?
— Não. — foi o que saiu da minha boca.
Mas o que eu queria dizer era: ficou bom demais. Tão bom que me deixou com raiva.
Ela apenas sorri e volta pra dentro, sem se importar com meu colapso mental.
Minutos depois Kristhen se retira de lá com o vestido na mão, dizendo que vai levar. A vi pagar, mas pedindo desconto. Claro que pediria. Saímos da loja para continuar com as compras, mas eu sentia meu corpo estranho.
Quente.
***
O caminho de volta é silencioso. Ela mexe no celular, sem nem levantar o olhar. Eu dirijo com o maxilar travado.
Preciso passar na casa da Samy pra deixar as sacolas. Tento pensar nela. No jeito doce, na calma. Mas tudo que me vem à mente é a imagem da aranha. Da pele exposta. Da voz firme da Kristhen
— Nas suas costas... tem uma aranha. Você...
— Não é da sua conta — ela diz gelada
— Seu pai me contou sobre os caras que ele matou. Muitos tinham tatuagens assim...
— Já falei que não é da sua conta.
— O Henry não ia gostar se você estivesse...
— REED! — ela explode.
Silêncio. Fico em silêncio.
A tensão no carro pesa como chumbo. Minha respiração fica presa. O olhar dela poderia me matar. De verdade.
Às vezes... eu tenho medo da Kristhen. E às vezes... eu acho que é exatamente isso que me atrai.
Continua...
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Alguns capítulos para frente, vocês vão amar o que irá acontecer 😂
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