Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
De um lado para o outro, Elaine andava pelo escritório com as mãos nos quadris e os passos impacientes marcando o chão a cada segundo.
— E agora? Sem pista nenhuma! — resmungou, claramente frustrada.
— Senhora... já tentou conversar com os verdadeiros donos da moto? — arrisquei, hesitante.
— Não temos a placa. Impossível achar os donos sem isso — ela começa a roer a unha do dedão como se o gesto pudesse arrancar uma ideia da própria carne. — Só se...
Ela parou no meio da frase, os olhos se acendendo. Franzi a testa.
— Vamos fotografar as motos e divulgar. Assim achamos os donos verdadeiros — disse ela, firme, determinada.
Não era uma ideia ruim, mas... o mundo é cheio de idiotas. Alguns mentiriam só para aparecer.
— Tudo o que a senhora decidir fazer, eu apoio. — respondi, sincera.
— Ótimo. — ela se sentou com mais calma. — E a festa? Como foi?
— Reed... ele fez alguns amigos. E... — fiz uma breve pausa — ele vai sair no sábado com a garota de quem gosta.
— Sério?! — ela se levantou num pulo, com o sorriso mais largo que eu já tinha visto — Isso é perfeito!
— Vão ao shopping, depois ao parque aquático — acrescentei, e o brilho nos olhos dela aumentou.
— Meu menino tá crescendo tão rápido... — ela sorriu com um ar de nostalgia. — Onde ele está agora?
Droga.
— Ele está... nas escadas. — hesitei — Bêbado.
Aquela palavra matou o sorriso dela. Seus olhos piscaram rápido, como se o cérebro tentasse processar devagar o que ouvira.
— O... quê?
Merda. Lá vamos nós.
— Me desculpe, senhora. Ele só... acabou indo na onda dos outros e...
A batida seca da mão dela contra a mesa me calou na hora. O estalo ecoou na sala.
— Não vou dizer nada desta vez, porque foi a primeira festa dele. Mas na próxima, você vai arcar com as consequências. Fui clara?
— Sim, senhora. — me curvei, quase por instinto.
— Ótimo. — ela lançou o cabelo castanho para trás com um movimento seco e elegante. — Agora leve ele pro quarto. Dê banho, escove os dentes dele, coloque-o na cama e cuide pra ele não morrer de ressaca. Caso contrário, você vai dormir de guarda do lado de fora, sem comida, sem água, sem banheiro, sem descanso. Entendido?
— Sim! Já estou indo. — fiz uma reverência com pressa.
Saí do escritório com as costas suando. Reed estava sentado nas escadas, rindo sozinho enquanto mexia em... uma pedra.
— Olha! — exclamou, levantando o objeto e caindo para trás — Uma tartaruga.
— É uma pedra.
— É uma tartaruga! — ele franziu a testa, visivelmente irritado — Garota feia não tem opinião aqui.
Respirei fundo. Só não enterrei meu punho na cara dele porque tecnicamente, minha missão era protegê-lo. Não espancar.
— Vamos subir. Amanhã tem aula. — tentei pegar no braço dele, mas ele se soltou com força.
— Eu consigo sozinho! Não preciso da sua ajuda!
Ótimo. Espero que tropece e quebre os dentes.
Ele subiu os degraus cambaleando, segurando no corrimão. No último degrau, tropeçou, caiu de cara no chão e ainda soltou um gemido dramático.
Não consegui segurar. Ri. Só um pouco. Mas ele ouviu.
— Além de feia, ainda ri de quem cai. — mostrou o dedo do meio pela décima terceira vez desde que ficou bêbado. — Onde foi que minha mãe te achou, hein?
Juro por Deus, se eu tivesse uma pedra como a que ele confundiu com tartaruga...
Ele se levantou devagar, reclamando de dor e xingando o chão, depois seguiu cambaleando pelo corredor como se estivesse jogando um jogo de labirinto invisível. Derrubou dois quadros e quase levou uma mesinha junto. Fui recolocando tudo em silêncio, o escutando gritar pela casa ecoando sua voz.
— Reed, para de gritar! — sussurrei, irritada.
Ele se virou com a expressão vazia de bêbado, me encarou por um segundo... e caiu na risada. Mostrou o dedo do meio de novo.
Eu devia começar a contar pontos toda vez que ele fizesse isso.
Ele parou no meio dos corredores, girando o corpo de um lado pro outro, perdido.
— Por que essa casa tem que ser tão grande?
— Vamos escolher um quarto qualquer. — tentei pegá-lo pelo braço.
— Eu sei onde é! — puxou com força, tropeçou, bateu a cabeça de leve na parede — Ai! — bagunçou os próprios cabelos, resmungando.
Eu só o observei, já sem forças pra discutir. E assim ficou por vários minutos, andando em círculos, até que uma empregada apareceu e nos guiou até o quarto certo.
Reed entrou tropeçando e caiu de cara no chão.
— A partir daqui, eu cuido dele — agradeci à empregada, que parecia tão cansada quanto eu.
Com dificuldade, Reed se ergueu e olhou ao redor do quarto.
— Minha cama! — ele se jogou com tudo no colchão, esparramado.
— Você precisa de um banho antes. — digo, me aproximando. Tirei seus tênis com um pouco de esforço e o virei, suando com o peso.
— Sai fora! Eu não quero!
— Reed, anda logo! — puxei com mais força e ele se ergueu... caindo praticamente inteiro em cima de mim — Céus, que garoto pesado — murmurei entre dentes.
Tentei levá-lo ao banheiro, quase tropeçando nas próprias pernas. Ele parou de repente e me encarou, com aquele olhar chapado.
— Por que você quis ser minha segurança?
Fiquei em silêncio por dois segundos. A pergunta soou séria demais praquele momento.
— Porque quero terminar o que meu pai começou.
— Seu pai... ele era um ótimo homem. — a voz de Reed suavizou, quase sóbria. — Eu sinto muito por ele ter morrido... envenenado.
Fiquei imóvel.
Como...? Como ele sabia disso? Ninguém... ninguém nunca soube. E era impossível ele saber.
Continua...
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Ele bêbado parece revelar quem realmente é...
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