Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
CINCO ANOS DEPOIS — 10 de março, terça feira. Roma, Itália
Kristhen Furquim
Balcão limpo, dinheiro contado, clientes satisfeitos. Ok, ok e ok. Posso dizer com orgulho que trabalhar numa doceria é, sem dúvidas, a coisa mais tranquila que já fiz na vida.
Sobre meu passado? Nem começo. Só digo que tudo deu certo. Ninguém aqui na Itália sabe quem eu sou. Para eles, sou apenas Kris, a garota que serve doces e sorri. E isso me basta. É melhor esquecer... bem melhor do que viver como uma assassina. Comparado com aquilo, essa rotina é quase um paraíso.
Me sinto nova. Diferente. Até cortei o cabelo — e, honestamente, acho que nunca me senti tão bonita.
— Kris, mesa trinta e nove.
Respiro fundo, pego a bandeja com os corações de chocolate cobertos de ganache — os clientes pediram para comemorar o aniversário de namoro. Aqui cada um monta seu doce como quiser: massa, recheio, cobertura. Feitos na hora, quentes, cheirando a açúcar e cacau. Uma tentação.
Deixo tudo na mesa, pergunto se desejam mais alguma coisa. Eles agradecem sorrindo, e volto para meu lugar atrás do balcão. Só espero os últimos clientes saírem. Tenho aula na universidade às 13h, e não quero me atrasar.
Aprender é o que mais amo. Especialmente sobre o universo. É tão vasto, tão surreal... tão perfeito. Tenho até um telescópio. Todas as noites, subo no terraço do prédio e fico lá, perdida em meio às estrelas. É meu ritual para sobreviver aos dias longos.
Um cliente paga a conta, agradeço educadamente. Já está na hora de largar o turno, mas, claro, Eleonora ainda não chegou. Sempre a mesma coisa: se atrasa, faz o que quer. Filha da chefe, pode tudo. Eu? Fico presa até quase meio-dia e quarenta, sabendo muito bem que ela faz isso de propósito.
Olho o relógio e suspiro, já irritada.
— Kris, seu turno acabou, pode ir. — a gerente me chama.
— Mas Eleonora não chegou. — digo, meio sem jeito.
— Tudo bem. Eu fico até ela aparecer.
— Obrigada. — sorrio e vou ao vestiário.
Tiro o avental, dobro com cuidado e guardo. Pego minha mochila e sigo para fora. Agradeço a gerente outra vez antes de sair e caminho até o ponto de ônibus. Nada de carro, ainda não tenho condições. Mas não importa. Só quero chegar a tempo.
***
Abro a porta do meu apartamento e deixo as chaves sobre a mesinha. O celular vibra. Giovanni.
Giovanni Continua no trabalho, princesa?
Kristhen Não, acabei de chegar. Vou preparar o almoço e me arrumar para a faculdade. Por quê?
Giovanni Só curiosidade. Foi corrido?
Kristhen Tranquilo.
Giovanni Que bom, gatinha. O que acha de sairmos hoje?
Kristhen Claro. Onde?
Giovanni Um restaurante novo, aqui perto. Podemos experimentar juntos.
Kristhen Tudo bem. Eu vou banhar. Falamos depois.
Giovanni Até mais, baby. <3
Desligo sorrindo, jogo a mochila na cama e sigo direto para o banho. Água quente caindo pelo corpo, lavando o cansaço e, talvez, o peso que ainda carrego. Penso no que vestir para a faculdade... e para a noite com Giovanni.
Ele vive no luxo da empresa da família, preso em escritório, enquanto eu mal junto dinheiro. Me sinto deslocada. A família dele nunca me engoliu — e eu sei bem por quê. Dinheiro. Sempre essa maldita diferença.
Demoro no banho, lavo o cabelo, deixo a água cair até me acalmar. Depois me seco, visto a roupa que deixei separada ontem, maquio o rosto levemente e passo perfume. Organizo o quarto, conecto o celular no carregador... e ele toca. Giovanni, de novo.
— Oi, amor.
— Kris, você viu a notícia?
— Notícia? Não, acabei de sair do banho.
— A universidade Garony de Roma pegou fogo ontem de madrugada. Incêndio feio.
— Meu Deus... alguém se feriu?
— Não, mas o prédio tá inutilizável. Vão transferir alguns alunos pra sua universidade. Vai virar bagunça.
Arqueio a sobrancelha, intrigada.
— Não acho ruim. Estou cansada de ver sempre as mesmas caras. Vai ser interessante conhecer gente nova.
Ele ri do outro lado.
— Você que sabe. Eu nunca estudei em universidade pra entender.
— Eu preciso preparar o almoço. Nos falamos mais tarde, está bem?
— Claro, meu amor. Te amo.
— Também te amo. — desligo devagar.
Respiro fundo. Primeiro a doceria, agora essa notícia... sinto que hoje o dia está só começando.
E que amanhã talvez nada seja mais como antes.
Continua...
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Primeiro capítulo do livro dois. Lembrando que Furquim é o verdadeiro sobrenome dela, e a mesma decidiu não mentir mais.
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