Capítulo 18- O Gosto da Ameaça

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Kristhen Zillord

Agora, além de estar presa pelo pulso, ainda tenho que ficar vendo a Samy experimentar roupas enquanto torram o dinheiro do Reed como se ele imprimisse notas no porão. Ela gira na frente do espelho, toda animada com um vestido branco. Ele a observa como um cachorrinho adestrado, e eu... respiro fundo. Minha paciência já foi enterrada faz tempo.

— Pode me soltar? Quero ir ao banheiro. — murmuro, tentando parecer convincente.

— Você está mentindo. — ele responde sem nem olhar na minha cara.

Reviro os olhos e encaro o perfil dele. Bonito até que é. Aqueles traços fortes, a pele clara, a mandíbula bem desenhada... Mas não adianta. A baboseira que sai da boca dele anula qualquer atrativo. Ele é um babaca em forma de gente.

— Quer vir comigo, então?

— Não. Tenho que ver a Samy no vestido. Você pode esperar.

— Reed! — insisto, tentando puxar o braço com mais força, mas é como tentar arrancar uma árvore do chão com a unha.

Conto até três. Nada. Então enfio a mão no rosto dele, com raiva, e o viro pra mim com força. Nossos rostos ficam perigosamente próximos, a respiração dele roçando nos meus lábios. Os olhos dele se arregalam como se eu tivesse explodido uma bomba no meio do shopping.

— Me. Solta.

— Não. — ele fecha a cara, puxando ainda mais meu pulso — Você está mentindo, acha que não sei?

— Não, você não sabe! Se não me soltar, vou estragar esse encontro com apenas um ato. — minha voz é pura ameaça

— Engraçado... você vive ameaçando e nunca faz nada. Acha mesmo que eu tenho medo de você? — ele sorri, cínico, debochado.

Ah é?

Apenas aproximei mais. Encostei meus lábios nos dele com firmeza, selando a ameaça com um beijo. Ele congelou. Totalmente. Os olhos se arregalaram, o corpo travou, como se eu tivesse puxado todos os parafusos da sua espinha.

Fecho meus olhos. Movi meus lábios devagar, forçando para ele ceder, e como um bom virgem apavorado, ele não reagiu de imediato. Apertei suas bochechas com os dedos até que ele abrisse a boca, e foi aí que mergulhei minha língua, explorando com habilidade. Ele parecia perdido, lento, tentando acompanhar com a própria língua toda desengonçada. Mas... por algum motivo, eu gostei. Havia algo cru ali, real, desajeitado e ao mesmo tempo genuíno.

Claro que não durou. Reed bateu o dente no meu, causando um choque incômodo que me fez recuar com um suspiro.

Passei a língua pelo lábio, sentindo o local sensível, e o encarei. Ele estava parado, olhos arregalados, respiração curta.

— Você... você roubou meu primeiro beijo... — sussurrou, a voz embargada, quase triste.

— Ah, é mesmo? — sorri, sarcástica, puxando meu braço de volta — Bom, não esquece que você cedeu. Não foi exatamente um roubo.

Nesse exato momento, Samy abre a cortina e gira com o vestido novo, sorrindo feito uma idiota de comercial de margarina. Que pena... perdeu o show.

Reed abaixa a cabeça, respirando fundo, claramente tentando processar tudo. Que ótimo. Agora tenho paz por pelo menos trinta segundos.

— Reed? — ela chama.

Ele ergue os olhos, sem graça, tentando sorrir.

— Eu gostei.

— Eu também! Vamos levar! — diz animada, desaparecendo no provador.

Reviro os olhos e deixo ele com sua vergonha existencial. Até passou a vontade de ir ao banheiro.

KristhenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora