Kristhen Zillord
Agora, além de estar presa pelo pulso, ainda tenho que ficar vendo a Samy experimentar roupas enquanto torram o dinheiro do Reed como se ele imprimisse notas no porão. Ela gira na frente do espelho, toda animada com um vestido branco. Ele a observa como um cachorrinho adestrado, e eu... respiro fundo. Minha paciência já foi enterrada faz tempo.
— Pode me soltar? Quero ir ao banheiro. — murmuro, tentando parecer convincente.
— Você está mentindo. — ele responde sem nem olhar na minha cara.
Reviro os olhos e encaro o perfil dele. Bonito até que é. Aqueles traços fortes, a pele clara, a mandíbula bem desenhada... Mas não adianta. A baboseira que sai da boca dele anula qualquer atrativo. Ele é um babaca em forma de gente.
— Quer vir comigo, então?
— Não. Tenho que ver a Samy no vestido. Você pode esperar.
— Reed! — insisto, tentando puxar o braço com mais força, mas é como tentar arrancar uma árvore do chão com a unha.
Conto até três. Nada. Então enfio a mão no rosto dele, com raiva, e o viro pra mim com força. Nossos rostos ficam perigosamente próximos, a respiração dele roçando nos meus lábios. Os olhos dele se arregalam como se eu tivesse explodido uma bomba no meio do shopping.
— Me. Solta.
— Não. — ele fecha a cara, puxando ainda mais meu pulso — Você está mentindo, acha que não sei?
— Não, você não sabe! Se não me soltar, vou estragar esse encontro com apenas um ato. — minha voz é pura ameaça
— Engraçado... você vive ameaçando e nunca faz nada. Acha mesmo que eu tenho medo de você? — ele sorri, cínico, debochado.
Ah é?
Apenas aproximei mais. Encostei meus lábios nos dele com firmeza, selando a ameaça com um beijo. Ele congelou. Totalmente. Os olhos se arregalaram, o corpo travou, como se eu tivesse puxado todos os parafusos da sua espinha.
Fecho meus olhos. Movi meus lábios devagar, forçando para ele ceder, e como um bom virgem apavorado, ele não reagiu de imediato. Apertei suas bochechas com os dedos até que ele abrisse a boca, e foi aí que mergulhei minha língua, explorando com habilidade. Ele parecia perdido, lento, tentando acompanhar com a própria língua toda desengonçada. Mas... por algum motivo, eu gostei. Havia algo cru ali, real, desajeitado e ao mesmo tempo genuíno.
Claro que não durou. Reed bateu o dente no meu, causando um choque incômodo que me fez recuar com um suspiro.
Passei a língua pelo lábio, sentindo o local sensível, e o encarei. Ele estava parado, olhos arregalados, respiração curta.
— Você... você roubou meu primeiro beijo... — sussurrou, a voz embargada, quase triste.
— Ah, é mesmo? — sorri, sarcástica, puxando meu braço de volta — Bom, não esquece que você cedeu. Não foi exatamente um roubo.
Nesse exato momento, Samy abre a cortina e gira com o vestido novo, sorrindo feito uma idiota de comercial de margarina. Que pena... perdeu o show.
Reed abaixa a cabeça, respirando fundo, claramente tentando processar tudo. Que ótimo. Agora tenho paz por pelo menos trinta segundos.
— Reed? — ela chama.
Ele ergue os olhos, sem graça, tentando sorrir.
— Eu gostei.
— Eu também! Vamos levar! — diz animada, desaparecendo no provador.
Reviro os olhos e deixo ele com sua vergonha existencial. Até passou a vontade de ir ao banheiro.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
