Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
— Antes, eles realmente te batiam — digo, com a voz rouca de sangue e raiva. — Mas aí você deu um jeito neles... Como acabou de dar um jeito em mim. — passo a língua pelo corte na boca e sorrio de canto — A verdade é que eles ficaram aterrorizados quando viram que o garoto quieto sabia lutar. Então, te deixaram em paz. Mas foi aí que você percebeu uma coisa, não é?
Ele me encara, tentando controlar a respiração, o olhar tenso. Depois de dar uma surra naqueles três, eles me contaram esse segredinho.
— Você viu que a Samy te olhava. — minha risada escapa, seca — Quando você estava sendo espancado, era o único momento em que ela realmente te via. Então o que fez, Reed? Foi até aqueles três imbecis e pediu pra eles continuarem. Mas agora com plateia. Com a ruiva ali, assistindo.
— N-não! — ele recua, a voz falha.
— Você é doente pra caralho. — digo firme — Sabe lutar, mas prefere se fazer de coitado só pra ganhar atenção de uma garota. Deixa os outros te chutarem, cuspirem em você, humilharem, tudo isso só pra sentir o olhar dela por dois segundos.
— C-cala essa boca!
— Eu tô errada, Reed? — me aproximo, e ele dá mais um passo para trás, tropeçando no próprio pé e caindo no chão. — Quando ela finalmente "te ajudou", você achou que tinha vencido. Decidiu que ia repetir a dose. Diariamente. — chego tão perto que o vejo engolir seco — Que merda patética.
O encaro com desprezo.
— Sua mãe se mata pra cuidar de você, te dá tudo, e o que você faz? Se arrasta atrás de alguém que nem te nota. Que acha que você é só o "coitado" do colégio. Que pena que seu plano fracassou. — abaixo o rosto e sorrio, então cuspo o sangue acumulado direto no rosto dele. — Me pergunto se você é mesmo tímido, ou só um masoquista carente.
— Eu sou tímido! — ele limpa o rosto com raiva. — Mas isso não quer dizer que não sei me defender! Eu sempre fui pisado por todos... Até ela. A Samy. Ela foi a única que me viu. A única que me protegeu. E eu me apaixonei por ela no mesmo instante. Ela nem me conhecia, mas fez algo que ninguém fez. Depois... ela se afastou. Conheceu aquelas duas e nunca mais olhou pra mim. Mas eu... eu tô tentando. Tentando ter ela de volta.
— Ah, que lindo... — zombo com crueldade, me erguendo. — O menino invisível foi salvo pela mocinha de cabelos de fogo e achou que era amor. Que fofo. — dou dois passos em volta dele — Mas é triste, Reed. Patético, até. Você vai se foder. E quando isso acontecer, eu quero estar lá. Assistindo. Sem piscar.
— Seu pai morreu e você nem sabe quem matou ele. — ele se levanta com esforço, e agora a raiva escorre nos olhos dele. — Ele era um segurança. A função dele era morrer pela minha família. Henry morreu fazendo o trabalho que amava. Você devia se orgulhar, devia se sentir honrada...
— HONRADA?! — grito, e minha voz reverbera como um trovão contido — Ele morreu na minha frente, Reed! Me implorando pra matá-lo! Ele sangrava pelos olhos! Me olhou com o pouco que lhe restava de vida e usou suas últimas forças... pra cantar. Cantar a música de ninar que ele cantava pra mim quando eu era pequena. Você não sabe o que é isso. Não sabe o que é carregar uma imagem dessas presa na cabeça. — meus olhos enchem de lágrimas, e elas finalmente escorrem — Eu fiquei sozinha com isso. Por anos.
Ele não diz nada.
— Você nunca viu alguém da sua família morrer em agonia, nunca foi manchada com o sangue de quem te amava. Então cala a porra da boca antes de falar em "lado bom".
— Eu já disse tudo o que eu sei! — ele explode, mas sem elevar tanto a voz. — Me bater, me ameaçar, tentar tirar alguém de mim... nada disso vai mudar o que aconteceu. E não vai trazer seu pai de volta.
A raiva em mim se quebra como vidro, e no lugar dela, fica só o vazio. A ausência de qualquer sentido. Reed não pode me ajudar. Ele não é um culpado, só mais um garoto ferrado fazendo merda atrás de quem não o quer.
Solto uma risada seca
— Que pena. — dou dois passos para trás — Espero que consiga a atenção da sua ruiva, Reed... — dou um sorriso frio, vazio — Mas também espero que se foda.
Viro antes que ele veja meu rosto se desmanchar. Abro a porta do quarto com brutalidade e saio, andando rápido, antes que alguém me veja naquele estado.
Cada passo ecoa como um soco no meu estômago. Desço as escadas em ritmo acelerado, o rosto ardendo, os punhos cerrados. Preciso sair dali. Preciso treinar. Preciso me reconstruir.
Chego na ala dos seguranças. Quando estou prestes a entrar no quarto, a porta ao lado se abre. Karl, o chefe da segurança, aparece. Me olha de cima a baixo, como um lobo velho farejando sangue.
— O que aconteceu com você?
— Longa história. — forço um meio sorriso — Mas tô bem.
Hoje, percebi que Reed está no meu nível... ou até além. Isso é inaceitável. Eu treinei pra ser a melhor. Me machuquei por ser fraca. Mas da próxima vez? Quem vai sair quebrado não sou eu.
Continua...
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Será que o Reed realmente disse a verdade?
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