Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Minha cabeça lateja. Cada palavra da Samy parece ecoar como um alarme dentro do meu crânio. Não aguento mais ouvir sobre a vida dela — quanto dinheiro gasta por dia, quantos garotos ela coleciona nas saídas, quantas festas ainda vai dar. A superficialidade escorre da boca dela como um perfume barato e doce demais. Enjoativo.
Por que, diabos, eu aceitei essa ideia de vingança? Estou começando a me arrepender. Deveria ter deixado ela se arrebentar sozinha. Mais uma vez, ignorei o que a Kristhen me disse... E agora estou preso nessa palhaçada.
Falando nela... onde ela está? Percorro o salão com os olhos, mas não vejo nenhum sinal. Nem da Kristhen, nem do Jacs. Droga. Não acho que ela estaria com ele. Certo? Certo...?
— Você vai fazer algo hoje? — a voz aguda da Samy me arranca dos meus pensamentos.
— Não. Por quê?
— Porque depois da festa vou fazer uma festa do pijama aqui, só com meus amigos. Quer participar? — o sorriso que ela solta parece inocente, mas carrega aquele ar forçado que me incomoda. Como se ela mesma não soubesse o que está tentando ser.
— Não tenho roupa.
— Ah, mas eu posso te emprestar! Tem umas roupas aqui da época dos empregados, mas eles não trabalham mais... então são nossas. Pode usar.
Ótimo. Mais um motivo para querer sumir daqui. Eu vim nessa festa com um plano. Tinha um objetivo. Mas, sinceramente? Tá tudo tão chato. A Samy é insuportável, e não só pela voz: ela fala demais, se exibe demais, respira demais. Estou começando a pensar que até o oxigênio fica mais leve quando ela se afasta.
— Por favooor... — ela segura minha mão, fazendo aquele olhar pidão de criança mimada. — Vai ser divertido, vamos fazer várias coisas... como presente de aniversário.
— Mas eu já te dei um presente.
— Sério?! — os olhos dela brilham, mas não é emoção. É pura vaidade. — Onde está?
— Com os outros presentes.
A verdade? Só comprei porque o convite dizia que era obrigatório levar um. Que ideia mais idiota.
— Certo! Espera aqui, vou ver o que é! — ela solta minha mão e sai pulando animada, e só então percebo como o ar ao meu redor fica mais limpo sem ela por perto. Posso respirar.
Aproveito a oportunidade e escaneio o salão mais uma vez, ficando de pé, afastando da mesa. A música agora é mais suave, dançante. Pessoas se mexem preguiçosamente, alguns pares se formam, outros só falam entre goles e sorrisos forçados. Mas Kristhen... nada. Nenhum sinal dela.
Vejo os dois seguranças ao longe, mas ela mesma... sumiu. E a sensação de que algo está fora do lugar começa a me incomodar. Será que... não. Não. Ela não estaria com o Jacs.
— Procurando alguém?
Me viro, e um alívio quase físico me invade.
— Onde você estava? — pergunto
— A irmã da Samy veio falar comigo. Estranhamente... ela é bem mais suportável. Quase gentil. — seus olhos castanho-escuro se fixam nos meus. — Queria me dar um conselho... sobre o Jacs.
— Conselho?
— Disse pra eu não dormir com ele. Segundo ela, ele é um desastre na cama. — Kristhen ergue as sobrancelhas e reprime uma risada. — Disse que ele não sabe usar o pau que tem.
Ela passa a mão de leve pelo nariz, mas o sorriso nos lábios entrega o quanto está se divertindo com aquilo.
— Talvez ela só queria te manter longe dele.
— Sendo verdade ou não, eu não transaria com aquele cara. — ela se aproxima um pouco — E, bom... ela também me chamou pra festa do pijama da irmã. Acho que vou ficar. Quero ver o que vai sair disso.
— Samy também me chamou, mas ainda não respondi.
— Aceita. Pode usar isso a seu favor.
Se ela vai ficar... então talvez eu aguente mais um pouco.
— Tá certo. E o Jacs, onde ele tá?
— Deve estar por aí, trepando com alguma desavisada. — ela dá de ombros. — Espero que não fique na festa. Não suporto aquele babaca.
— Mas por que exatamente ele tentou se aproximar de você? — coloco as mãos nos bolsos, pensativo. — Tipo... você jogou uma borracha na testa dele e o cara ficou com um galo por uma semana.
— Reed... — ela sorri com aquele ar de quem sabe demais. — Você nunca conheceu homem mulherengo? Esses caras veem qualquer mulher como oportunidade. Eu fui só mais uma.
— Mas por que você? Tem tanta garota no colégio...
— Talvez ele achou que eu era carne fácil. — ela passa os dedos pelos fios escuros do cabelo, com aquele tédio que só quem está sempre sendo observada conhece. — Vai saber.
Eu a encaro. Kristhen fica bonita com maquiagem. Fica bonita sem. Fica bonita até com o cabelo bagunçado depois de uma transa, com o rosto amassado no travesseiro e os olhos ainda pesados de sono. Talvez seja só comigo, mas... ela parece bonita em qualquer versão dela.
Sinto algo no bolso. Meus dedos encontram um pequeno objeto. Puxo. Um colar.
Ah... aquele colar. Três estrelas douradas, delicadas e brilhantes como se tivessem caído do céu. Comprei quando fui buscar o presente da Samy. Mas quando o vi, algo dentro de mim soube que era da Kristhen.
Naquele momento eu nem entendi por quê. Mas no caminho pra festa, uma memória antiga me atingiu como uma onda no escuro.
Era um sonho. Mas parecia mais que isso. Eu e ela, deitados na grama do jardim da minha casa. Meus pais discutiam dentro de casa, as vozes abafadas pelas janelas, mas o caos não nos alcançava ali fora. O céu estava limpo, cheio de estrelas.
— Sabe... — ela disse, com aquela voz leve de quando tudo ainda era inocente — Eu gosto das estrelas. Elas me acalmam. Parece que dizem que tudo vai ficar bem... Que eu sou a pessoa mais linda do mundo.
— Elas falam isso? — perguntei, confuso.
— Falam. Se você olhar com atenção, vai ouvir elas dizendo coisas bonitas.
— Hm... eu não escuto.
— Você vai entender com o tempo. Quando eu não estiver por perto e você se sentir sozinho com as brigas dos seus pais, olha pro céu. Olha pras estrelas. Porque eu também vou estar olhando pra elas. Assim, mesmo longe... a gente vai continuar juntos.
— E como eu vou saber que você tá olhando?
— Você vai sentir. — ela sorriu, tão grande que os olhos se fecharam. — Você também é uma estrela pra mim.
— Eu? Por quê?
— Porque você também me diz coisas bonitas que ninguém nunca me disse.
Ela gostava das estrelas.
Continua...
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