Kristhen Zillord
Nossas mãos balançam suavemente enquanto caminhamos, como se fossem guiadas por uma força invisível — ou por ele. Pierre faz isso: segura minha mão e a move de um jeito lento, quase infantil, enquanto solta frases, memórias que vêm e vão, como pedaços desconexos de um quebra-cabeça ainda em reconstrução.
Eu não digo nada. Tenho medo. Medo de que minhas palavras o empurrem direto para lembranças mais profundas. E ele lembre mais do que deveria.
— Eu... sinto muito — ele diz de repente, com a voz baixa, um pouco rouca — pelas vezes que te deixei sofrer bullying.
Meu coração para por um segundo.
— O quê? — minha voz sai sem querer, confusa.
— Eu lembro de quando você estava caída no pátio. Aqueles idiotas jogavam lixo em você... e eu só fiquei parado. Eu não tive coragem. Eu só assisti.
O arrepio que percorre meu corpo não é só pelo frio da noite.
— Tudo bem... — respondo, apertando meus braços ao redor do corpo — Não precisa pedir desculpa. Você já fez isso tantas vezes...
O vento cortante passa por mim e estremeço de leve.
— Que frio... — murmuro, com os dentes quase batendo.
Pierre percebe na hora. Sem dizer mais nada, vem para trás de mim e me envolve com seus braços fortes, quentes, firmes. O calor que emana dele me envolve como um cobertor.
— Eu te esquento — sussurra, e sua boca toca devagar a curva da minha nuca, afastando meus cabelos como se fossem pétalas.
Seu beijo me deixa arrepiada até a espinha. Meu corpo reage, involuntário. Viro de lado, e ele sorri. Um daqueles sorrisos que não pedem permissão. Abre o sobretudo e o fecha ao redor de nós dois, como um casulo.
Me aninho contra ele, frente a frente. Nossos rostos tão próximos que eu posso sentir o calor da sua respiração roçando minha pele. Ele me dá um selinho, simples, curto. Depois se afasta milímetros, só o suficiente para que seus olhos continuem cravados nos meus.
— Se sente mais quente agora? — ele pergunta, com a voz baixa.
— Ainda não... — respondo, me fazendo de difícil.
— Não? — seu sorriso cresce, e recebo mais dois selinhos como castigo.
— Estou com muito frio ainda — provoco.
Ele entende o recado. Me enche de selinhos até que o toque dos nossos lábios se prolonga num beijo calmo, íntimo. Não tem pressa, não tem língua, não tem fome. Só tem intenção. Um carinho profundo e lento que me desmonta inteira.
Me sinto pequena nos braços dele, protegida. Queria que o mundo inteiro desaparecesse, menos esse instante.
Mas estamos na rua. A realidade me puxa de volta.
— A gente tem que parar... — digo, tentando me afastar, mas Pierre continua colado.
— Por quê?
— Estamos em público... Vão começar a falar. — mordo seu lábio inferior e puxo levemente, antes de soltar — E, pra falar a verdade, tô começando a me sentir quente demais.
— Oh... — ele faz um biquinho triste, uma careta que me quebra.
— Não faz essa cara! — acaricio os cabelos dele, afastando-os da testa — Eu só quero comer algo quente. O que acha de carne?
— Hm... Só se você me der um beijo.
Reviro os olhos, mas cedo. Dou um beijo demorado e me afasto. Ele fica ali, olhos fechados, com um sorriso besta estampado no rosto.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
