Capítulo 24- Quando O Protetor Vira Alvo

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Kristhen Zillord

— Foi mal, hoje à noite não dá. — digo firme, mesmo com o gosto da frustração na garganta.

Barth me encara como se eu tivesse acabado de cuspir no jantar dele.

— Só por causa desse garoto? — rebate com desdém, apontando com o queixo para Reed, que espera quieto perto da entrada do prédio. — Não vamos demorar. Deixa ele na recepção.

Respirei fundo. Barth queria me levar pra um hotel qualquer, como se minha responsabilidade fosse descartável — como se Reed fosse só um detalhe no meio do nosso jogo.

— Não dá. A minha função é protegê-lo. Deixá-lo sozinho, mesmo por alguns minutos, é arriscado. Aqueles cinco ainda estão por perto.

Barth se aproxima, olhos faiscando.

— Não vamos durar cinco minutos... — ele diz, com um sorriso sujo e um brilho nos olhos que só acende quando está sendo inconveniente.

Solto um suspiro. Ele bufa, gira o rosto e lança um olhar raivoso para Reed, que, ao perceber, imediatamente baixa a cabeça

— E se eu matar ele? A gente diz que foram aqueles cinco. — Barth cospe as palavras com veneno, os olhos fixos no rapaz.

Minha mão vai direto ao peito dele

— Cala a boca! — sussurro com raiva, os dentes cerrados. — Ele não sabe disso, porra.

Barth ri com desprezo.

— Que garoto filho da puta... — ele rosna — Olha essa cara de lesado. Vai se tratar, moleque. E vê se para com essa timidez ridícula, seu doente.

— Chega, Barth. — falo, fria

Ele bagunça os cabelos num gesto brusco, frustrado, irritado, quase descontrolado. Dá as costas com passos largos.

— Eu te ligo mais tarde! — grito.

Ele só ergue a mão e acena de costas antes de entrar no carro e sumir com o ronco do motor.

Coço a testa, tentando conter a raiva. Viro para Reed. O garoto ainda está parado, com os olhos baixos

— Entra no carro. — digo.

Dou a volta e entro primeiro. Ele obedece calado, como sempre. Ligo o carro. Saio dali com a garganta seca. Ele arruinou minha noite. Nem consegui jantar.

— Por que ele ficou tão irritado? — Reed pergunta com a voz baixa

— Porque você impediu a gente de transar. — falo sem filtro, encarando de lado o rosto dele, que imediatamente cora. — Tá com fome? Porque eu estou. E você atrapalhou até meu jantar.

— D-desculpa...

Não respondo. Só ignoro. Desvio o caminho e paro no drive-thru mais próximo. Peço rápido, sem paciência.

Estaciono em um ponto mais vazio do estacionamento e começamos a comer. Ou melhor, eu como. Reed fica fazendo cara feia.

— O que foi agora? — pergunto, encarando ele fuçar o hambúrguer.

— Veio picles... — ele murmura, enojado — Eu não gosto.

— Se não vai comer, me dá. — estendo a mão, impaciente.

— Eu só não gosto dos picles... tem gosto ruim. — ele tira com cuidado e começa a comer devagar.

— Você é fresco. — solto.

O silêncio volta. Eu não me incomodo, mas Reed parece estar sufocando com alguma coisa.

— O que foi agora? — pergunto, sem rodeios. — Você tá parecendo um gato com o rabo preso.

KristhenOnde histórias criam vida. Descubra agora