Kristhen Zillord
— Foi mal, hoje à noite não dá. — digo firme, mesmo com o gosto da frustração na garganta.
Barth me encara como se eu tivesse acabado de cuspir no jantar dele.
— Só por causa desse garoto? — rebate com desdém, apontando com o queixo para Reed, que espera quieto perto da entrada do prédio. — Não vamos demorar. Deixa ele na recepção.
Respirei fundo. Barth queria me levar pra um hotel qualquer, como se minha responsabilidade fosse descartável — como se Reed fosse só um detalhe no meio do nosso jogo.
— Não dá. A minha função é protegê-lo. Deixá-lo sozinho, mesmo por alguns minutos, é arriscado. Aqueles cinco ainda estão por perto.
Barth se aproxima, olhos faiscando.
— Não vamos durar cinco minutos... — ele diz, com um sorriso sujo e um brilho nos olhos que só acende quando está sendo inconveniente.
Solto um suspiro. Ele bufa, gira o rosto e lança um olhar raivoso para Reed, que, ao perceber, imediatamente baixa a cabeça
— E se eu matar ele? A gente diz que foram aqueles cinco. — Barth cospe as palavras com veneno, os olhos fixos no rapaz.
Minha mão vai direto ao peito dele
— Cala a boca! — sussurro com raiva, os dentes cerrados. — Ele não sabe disso, porra.
Barth ri com desprezo.
— Que garoto filho da puta... — ele rosna — Olha essa cara de lesado. Vai se tratar, moleque. E vê se para com essa timidez ridícula, seu doente.
— Chega, Barth. — falo, fria
Ele bagunça os cabelos num gesto brusco, frustrado, irritado, quase descontrolado. Dá as costas com passos largos.
— Eu te ligo mais tarde! — grito.
Ele só ergue a mão e acena de costas antes de entrar no carro e sumir com o ronco do motor.
Coço a testa, tentando conter a raiva. Viro para Reed. O garoto ainda está parado, com os olhos baixos
— Entra no carro. — digo.
Dou a volta e entro primeiro. Ele obedece calado, como sempre. Ligo o carro. Saio dali com a garganta seca. Ele arruinou minha noite. Nem consegui jantar.
— Por que ele ficou tão irritado? — Reed pergunta com a voz baixa
— Porque você impediu a gente de transar. — falo sem filtro, encarando de lado o rosto dele, que imediatamente cora. — Tá com fome? Porque eu estou. E você atrapalhou até meu jantar.
— D-desculpa...
Não respondo. Só ignoro. Desvio o caminho e paro no drive-thru mais próximo. Peço rápido, sem paciência.
Estaciono em um ponto mais vazio do estacionamento e começamos a comer. Ou melhor, eu como. Reed fica fazendo cara feia.
— O que foi agora? — pergunto, encarando ele fuçar o hambúrguer.
— Veio picles... — ele murmura, enojado — Eu não gosto.
— Se não vai comer, me dá. — estendo a mão, impaciente.
— Eu só não gosto dos picles... tem gosto ruim. — ele tira com cuidado e começa a comer devagar.
— Você é fresco. — solto.
O silêncio volta. Eu não me incomodo, mas Reed parece estar sufocando com alguma coisa.
— O que foi agora? — pergunto, sem rodeios. — Você tá parecendo um gato com o rabo preso.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
