Reed Walsh
Eu queria poder conversar. Me enturmar com as outras pessoas. Mas não consigo. É algo tão... vergonhoso.
Uma vez, tentei. E fiquei tão envergonhado que minha língua travou. Gaguejei. Mal consegui respirar.
Todos riram de mim.
Foi uma vergonha absurda. Desde então, nunca mais tentei fazer nada parecido.
Queria ter coragem, pelo menos, para falar com ela... Samy Taylor. Gosto dela desde que cheguei aqui. Merda... que coisa idiota. Se eu não consigo conversar nem com um professor, imagina com a garota que eu gosto?
Ah, droga. Por que eu tive que nascer com essa timidez maldita? Eu só queria ser normal. Igual aos outros. Eles se enturmam, têm amigos, fazem piadas, são populares...
E eu sou só o tímido invisível. Aquele que ninguém conhece. Nem mesmo os professores.
Já levei falta várias vezes porque respondo à chamada com a voz baixa demais. Como se fosse um fantasma na sala. Eu queria ser como os outros garotos... Queria mesmo.
Seguro a caixinha de suco com força, tentando parecer ocupado, mas meus olhos buscam por ela. Samy está ali, sentada no banco de madeira sob a sombra das árvores, com o cabelo ruivo-ondulado caindo por um dos ombros. Os fios dançam com o vento leve, e os olhos verdes brilham sob a luz do sol.
Não sei se amor à primeira vista existe... Dizem que não. Que amor de verdade só nasce depois de conhecer a pessoa. Mas o que eu sinto quando a vejo?
Nunca namorei. Nunca cheguei perto o suficiente de uma garota pra descobrir o que é amor. Mas com ela... não sei. Gosto de observá-la. Ela é bonita, educada, sorridente, leve. Tem aquele jeito delicado que faz tudo parecer mais calmo. Gosta de livros, ama animais, tem dois irmãos e adora filmes de terror.
E eu descobri tudo isso sem dizer uma palavra. Só ouvindo, de longe, quando as amigas dela comentam.
Infelizmente, vou ter que esperar mais um pouco pra criar coragem. Será que um dia vou conseguir?
Minha mãe sempre diz que um dia vou superar essa timidez. Já fiz terapia, treinos em casa, vídeos motivacionais, tudo. Ainda faço. Mas não mudou nada.
Samy sorri para alguém e eu sinto o coração acelerar. Suas bochechas ficam coradas e, porra, é tão fofo que dói.
O sinal toca.
Ela se levanta com o grupo e caminha em direção ao edifício. E eu só me levanto quando todos já estão entrando. É sempre assim.
As pessoas me empurram, esbarram em mim, seguem andando como se eu fosse transparente. Ninguém se desculpa.
Subo as escadas em silêncio, esbarrado mais uma vez por dois alunos que riam alto. Parece que eu não existo mesmo.
Entro no colégio desviando dos grupos parados nos corredores. No meio do caminho, a vejo de novo. Samy está com as amigas, rindo, gesticulando animada. Me aproximo. Não falo nada. Só passo por ela.
O perfume. Rosas.
Doce, suave, acolhedor. Me arrepia dos pés à cabeça. É tão bom que sinto vontade de parar o tempo ali. Só mais um pouco perto dela. Só pra respirar isso mais uma vez.
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Kristhen
RomansaReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
