Kristhen Zillord
Tiro o cinto devagar, como quem tenta prolongar o momento antes de se despedir. Viro-me para ele, os olhos mergulhados naquele rosto que parece mais vulnerável à noite, sob a luz fraca do poste que entra pelo para-brisa.
— Eu gostei de ficar com você durante esse tempo. — digo, observando o corar subir pelas maçãs do rosto dele. Pierre sorri de canto, desajeitado, os olhos evitando os meus por um segundo — Acho que deveríamos fazer isso mais vezes.
— Sim... com certeza. — ele responde, e sua mão desliza sobre minha perna, quente e leve, como quem ainda não quer que eu vá embora.
Seu toque é gentil, e por um instante, quase me esqueço do motivo de estar ali. Quase.
— Queria te falar sobre o assunto da pedra — continuo, tentando manter a voz firme. — Poderia fazer um esforço para lembrar?
Ele me encara de novo, dessa vez com mais atenção. A carícia que ele faz na minha coxa desacelera
— Bem... posso sim. — seus olhos afundam nos meus. — Acha que estamos perto?
— Mais perto do que nunca. Talvez... se você explorar seu quarto ou a sua casa com mais atenção, você possa se lembrar de onde ela está. Assim... a gente pode voltar pra França.
— Vou fazer isso quando chegar em casa. Me promete que... vai ficar tudo bem quando pegarmos a pedra?
Merda.
Ele sente. Mesmo que inconscientemente, sente que tem algo errado. Mas tá se agarrando à esperança. Fingindo que está tudo sob controle.
— Prometo... — deslizo minha mão sobre a dele, quase encolhendo por dentro. — Você vai finalmente poder voltar pra casa. Vai lembrar com calma da sua verdadeira vida. Você passou por tanta coisa... isso vai te fazer bem.
— Vai continuar comigo... enquanto eu lembro?
— Vou... — sussurro, e a culpa vem como um soco no estômago. Não sei quanto tempo mais vou aguentar mentir assim — Eu preciso entrar. Te mando mensagem mais tarde, tá?
Pierre apenas assente, e se aproxima, deixando um beijo leve nos meus lábios. Um toque suave, que queima.
— Se cuida, tá?
— Volta em segurança. — retribuo o beijo, mas agora mais demorado, como se algo em mim tentasse pedir desculpas sem palavras.
Saio do carro antes que minha vontade de ficar me sabote. Observo ele ligar o motor e partir. Fico imóvel na calçada, encarando as luzes vermelhas do carro até elas sumirem no fim da rua. Só quando ele desaparece, respiro fundo e caminho até a porta de casa.
Kefhera já está parada, como uma sombra à minha espera.
— Tem certeza que era a pedra?
— Tenho. Pierre vai tentar se lembrar de onde ela está. E talvez até do código. — falo, sem tirar os olhos da fechadura. — A gente vai ter a pedra antes do fim da semana.
— Isso é ótimo. — ela sorri, nervosa, roendo a unha. — Podemos finalmente voltar pra França.
— Sim...
Mas não estou feliz. Estou me sentindo um lixo, como se cada passo que dou nos afastasse mais do que é certo. Algo dentro de mim grita que Pierre não merece o que está por vir.
***
Pierre Vinceti
Há um peso no meu peito que não sai. Uma inquietação que cresce, sufocando. Tento ignorar, mas quanto mais tento, mais ela se espalha.
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Kristhen
RomansaReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
