Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Arrumo o vestido preto com calma dentro do carro, alisando o tecido justo que realça cada curva minha. Espalho o batom nos lábios com precisão, observando o reflexo no espelhinho de bolsa com um sorriso sacana. Estou um estouro. Uma verdadeira visão.
Me preparei demais pra essa noite, e sinceramente? Vou ofuscar até a aniversariante. Que Samy me perdoe, ou não. Espero que o Jacs não ache que esse capricho todo é pra ele. Eu me arrumei porque queria me sentir gostosa. E consegui. Tô irresistível.
Quem tiver esse mulherão no futuro vai ganhar na loteria. Me olho com mais atenção, levanto os seios com as mãos e ajeito o decote. Um espetáculo. Meu coque está impecável, alto e elegante, com algumas mechas soltas estrategicamente enroladas. Vi num tutorial e executei com perfeição.
— Que mulher! — murmuro, quase rindo. Fecho o espelho, guardo na bolsa e apago a luz do carro, encarando a janela.
Queria ter vindo com um vestido vermelho, mas Elaine decretou: todos de preto, sem exceção. O motivo? Pouco importa. Até no preto, eu brilhei. Essa cor me favorece — e nesse corte justo, meu corpo virou arma.
— Se arrumou assim pro Jacs? — a voz do Reed quebra meu momento de admiração.
Viro o rosto e o encaro. Ele está diferente. O cabelo cresceu e agora está com um corte mais estiloso, dividido lateralmente. Uma mecha rebelde cai na testa, o que dá a ele um charme perigoso. "Bad boy de novela", pensei.
Ele ergue a mão, penteando os fios pro lado com os dedos, mas deixa a mecha intacta, com certeza sabe o efeito que causa. Olho de relance pra sua roupa: estilosa, escura, alinhada. Combinou com o ar misterioso e amargo que ele adotou nesse último mês.
— Me arrumei pra mim. Porque eu me amo. — ajeito uma mecha solta atrás da orelha, deliberadamente ignorando o tom dele.
— Não parece.
— E daí? — viro o rosto, entediada. Como se a opinião dele me importasse agora.
Ficou um mês inteiro me evitando, e acha que tem moral pra vir dar palpite na minha aparência? Patético.
Ele respira, abre a boca como se fosse dizer mais alguma coisa, mas sou salva — ou desviada — pela vibração do celular. Barth.
— Sim? — atendo, direta.
— Encontrei a família do governador. Todos mortos no porão. Mesmo veneno que matou seu pai.
Fico em silêncio por um segundo. Meus olhos encaram o nada enquanto sussurro:
— Merda...
— Não achei nenhuma pista, fizeram tudo com muito cuidado. Mas vou explorar os arredores. Vou ligar pra polícia dizendo que não tem movimento na casa dele há dias. Talvez eles tomem alguma atitude.
— Tá bem... me mantém atualizada.
— Claro.
Desligo e respiro fundo. Aquilo me caiu como um soco. O carro estaciona. Saio primeiro, ajeitando o vestido enquanto fecho a porta e caminho até Karl.
— Vou rondar a casa. Fique perto do Reed. — ele diz, firme.
— Entendido. — confirmo, ajeitando a alça fina do vestido.
Meus olhos procuram Jacs. Ele está do outro lado, encostado no carro, sorrindo de um jeito que dá vontade de socar. Ele acena. Faço força pra não revirar os olhos, Reed ainda tá me observando.
— Karl vai ficar com você. — digo ao Reed, de lado, sem olhá-lo diretamente.
— E você?
— Eu, o quê? Vou andar por aí. Você não me quer por perto há um mês, por que mudaria agora? — passo por ele sem esperar resposta.
Me aproximo do Jacs. Ele se descola do carro como se me esperasse há horas.
— Isso tudo pra mim?
— Isso tudo pra MIM. — empurro o corpo dele pra longe quando tenta me abraçar.
— Ainda acho que é pra mim... — diz com um sorriso safado, mãos no bolso. — Elogiar não vai ser o suficiente, né?
— Nem perto. — viro de costas e caminho até a entrada. — E se tentar encostar em alguma parte do meu corpo, eu arranco sua mão.
— Nem tava pensando nisso... puff! — ele aparece do meu lado, fingindo inocência.
Mentiroso descarado. Claro que queria.
Na entrada, Jacs entrega um cartão ao segurança. O homem analisa, então nos libera. Entro no lugar com o queixo erguido. O salão é um luxo só: amplo, elegante, com lustres modernos e uma variedade indecente de comidas. Meus olhos brilham.
— Tá com fome? — Jacs pergunta.
— Quero tudo. — digo, sem nem fingir modéstia.
— Então vem comigo, você escolhe o que quiser. — ele me entrega um prato com um sorriso.
Aceito. Já que estou com ele, vou aproveitar.
***
Comi até quase explodir. E ainda nem cantaram parabéns. Respiro fundo, esticando o vestido sobre a barriga inchada. Jacs, do meu lado, continua tagarelando.
Ele me conta por que nunca mais ficou com a Samy. Segundo ele, só se aproximou dela pra chegar na irmã mais nova. Mas a ruiva era obcecada, possessiva. Jacs achou que seria fácil, não foi.
— E quando ficou com a irmã dela? — pergunto, e a mão dele repousa na minha perna. Finjo que não percebo. Quero ouvir o resto.
— Bom... — ele hesita, rindo nervoso. — Parece absurdo, mas quando ela me viu com a irmã na cama, surtou. Tentou me matar. Eu fiquei em choque. O rosto dela é tão angelical que ninguém acreditou em mim. Saí como o vilão. Desde então, só fujo.
Não duvido. Samy tem mesmo cara de desequilibrada.
Vou responder, mas meu celular vibra. Elaine. Isso não vai prestar.
— Já volto. — empurro a mão do Jacs, me levanto e vou até um corredor mais vazio.
— Senhora?
— Você deixou meu filho sozinho?! — ela berra. — Qual foi A PORRA da regra que eu te dei, Kristhen? Quando chegar aqui, a gente vai conversar. E se prepara pra sua punição. Tá parecendo uma puta nesse vestido. Ama que os garotos toquem em você, né?
Ela desliga.
Fico ali, parada, com o celular ainda no ouvido e o sangue fervendo de ódio. Reed abriu a boca? Aquele filho da puta tá morto.
Continua...
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