Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
— Como você sabe disso, Reed? — o empurro com força, o corpo dele balança como um boneco desajeitado, até ele abrir os olhos num susto lento, como se só agora percebesse o que havia escapado da própria boca. — REED! Como você sabe?!
— E-eu... — ele se segura na parede, os olhos tentando focar
— PORRA! — avanço, fecho o punho na gola da camisa dele e puxo com brutalidade, colando seu peito contra o meu. — COMO. VOCÊ. SABE?!
— Eu...
Ele para. E então vem o som que todo mundo teme.
Uma ânsia. O som de algo borbulhando pela garganta. E antes que eu consiga reagir, já é tarde demais.
Seu corpo curva. E meu peito é tomado por uma onda quente, pegajosa e nojenta. O vômito se espalha pela minha blusa, escorrendo pelo tecido até grudar na minha pele. A calça se molha. O tênis... nem quero pensar.
Fico imóvel. Olho para o teto. Rezo por um meteoro.
O cheiro me atinge como um soco no estômago — ácido, azedo. A podridão invade minhas narinas sem piedade. Sinto os olhos arderem. E se eu não me controlar, vou vomitar também.
Tento desgrudar a blusa do meu corpo com nojo visível. Arranco a jaqueta e a blusa em sequência, jogando no chão sem dó.
— TIRA A PORRA DESSA ROUPA E VAI TOMAR UM BANHO! VAI! — minha voz ecoa como uma explosão. O moleque pula de susto.
Reed sai quase tropeçando nas próprias pernas, correndo pro banheiro como se eu fosse devorá-lo viva. Eu respiro pela boca, lutando contra o impulso de vomitar.
O cheiro ainda está no ar.
Não bastasse a surpresa da frase que ele soltou — meu pai morreu envenenado, algo que só eu sei. Porque ele morreu na minha frente — agora tenho mil perguntas e um moleque bêbado que mal sabe onde fica a própria cama.
Seguro a blusa imunda com dois dedos, como se fosse feita de merda, e caminho até o banheiro. Empurro a porta com o ombro.
Reed se assusta. Está dentro da banheira, encolhido como um gato molhado.
— Você não pode entrar aqui!
— Ah, cala a boca. Não é a primeira vez que vejo um homem pelado — caminho até ele e jogo a blusa dentro da água. — Lava minha blusa.
— O quê?!
Ele me encara, completamente sem entender. E, por um momento, olha direto pros meus seios, como se estivesse tentando entender se aquilo era real ou parte do álcool.
— Você é um virgem bem engraçado. Quer tocar? — pergunto. Ele nega com tanta pressa que parece que a cabeça vai voar — Nunca viu uma mulher semi nua? Nem de biquíni? — ele desvia o olhar, todo vermelho, encarando a parede como se ela fosse mais interessante que o caos.
Ele é um enigma. Tímido. Lento. Uma aberração comparado aos homens que conheço. Não é o tipo que encara. É o tipo que foge.
Tiro os tênis, abrindo o zíper da calça, e, de novo, os olhos dele são puxados como por ímã.
— O-O que você tá fazendo?!
— Para de ser um virgem idiota. — minha voz sai seca. — Você vomitou na minha calça, vai lavar ela também.
Ele desvia o olhar de novo, quase se afundando na água. Jogo a calça na banheira e saio do banheiro sem mais palavras.
Vou até o closet dele. Que se dane. Vou pegar uma roupa emprestada. Não vou ficar circulando por essa mansão meio pelada pra ganhar outro sermão da Elaine. Pego a primeira blusa larga e uma bermuda. Me visto. E caminho de volta pro campo de nojeira. O quarto sujo.
Passo pelo vômito no chão com asco, buscando um pano e algo que pelo amor de Deus tenha cheiro de qualquer coisa que não seja estômago apodrecido, dentro do banheiro, sem nem olhar pro Reed na banheira. Acho um produto com cheiro de rosas. Vai esse mesmo.
Volto para o quarto com o pano e o produto. Ajoelho, esfrego com força. Limpo cada gota daquele desastre nojento, até o quarto cheirar como o jardim da vovó. Meus dedos ardem. Meus joelhos doem. E tudo que penso é: eu não fui contratada pra isso.
Assim que termino, me levanto. Passa alguns minutos, eu levanto meu olhar pra porta do banheiro.
Reed. De costas. A toalha pendurada na cintura. As costas dele são definidas, esculpidas como se algum escultor tivesse perdido tempo ali. Me pego olhando por tempo demais.
Desvio o olhar quando ele sai do banheiro. Então eu vou e entro. Dou um jeito no banheiro todo, mesmo me sentindo como a babá de um moleque. Lavo o pano para tirar o odor, e penduro junto com as roupas que Reed pendurou. As minhas roupas.
Quando termino, pego meus tênis do chão e saio. Fecho a porta do banheiro, esgotada.
Reed já está vestido, sentado na beira da cama, secando o cabelo com a toalha.
— Escovou os dentes? — pergunto, jogando meus tênis no chão. Eles ainda precisam de um banho. E ele vai dar.
— Sim...
— Ótimo. Então vai dormir.
Ele se joga de costas, deixando a toalha na escrivaninha.
Reed é um bebêzão. Um bebê bêbado que acha que pode sair com ruivas sensuais e ser homem.
Aposto que a ruiva vai ver esse teatrinho e sair correndo. Mas não é problema meu.
— Amanhã venho buscar minhas roupas. Quero tudo limpo — apago a luz e caminho até a porta. — Incrível como virei mãe aos dezoito. E meu filho tem a minha idade.
Fecho a porta e solto o ar com força.
Eu só queria proteger alguém. Agora tô limpando vômito e cuidando de um bêbado com segredo demais.
Preciso de um banho.
Continua...
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