Reed Walsh
Me sinto mal.
Não só por ter brigado com a Samy... mas por não ter dito nada depois. Nenhuma mensagem. Nenhum pedido de desculpa. Ela se foi — e agora só me resta esse peso maldito no peito, essa culpa amarga e quente que corrói tudo por dentro. Eu sei que ela também foi cruel comigo, mas ainda assim... eu não sou uma pessoa ruim. Ou pelo menos gosto de acreditar que não sou.
Droga. Esse sentimento é horrível.
Levo as mãos à cabeça e me sento na cama, o colchão afundando sob meu peso. Estou acordado há horas. A insônia se mistura com o arrependimento e com esse mal-estar que insiste em não ir embora.
Kristhen tinha dito que ia dar uma volta pelo prédio, verificar se estava tudo bem. E eu não avisei minha mãe que não voltaria pra casa... nem pretendo. Mais confusão? Não. Minha cabeça não aguenta mais nenhuma pancada hoje.
A porta do quarto de hóspedes se abre devagar, fazendo um rangido baixo. A luz do teto se acende.
Kristhen entra com uma sacola nas mãos.
— Oh... te acordei? — ela pergunta, já fechando a porta atrás de si.
— Não — respondo, observando-a enquanto ela caminha até a mesa — Eu não consegui dormir.
— Imaginei. — ela sorri de leve. Tira a jaqueta preta, deixando-a pendurada na cadeira, revelando a blusa justa e a calcinha à mostra. Depois volta os olhos pra mim. — Dei uma olhada rápida pelo prédio. Está tudo tranquilo. Aproveitei e comprei umas coisas pra gente comer.
Ela abre a sacola e mexe nos pacotes com certa naturalidade, como se aquele momento não carregasse um mundo prestes a ruir em silêncio. Depois caminha até mim e se senta ao meu lado na cama. Sua presença aquece o quarto com uma estranha sensação de conforto.
— Você quer? Comprei variedades, não sabia o que você gosta de comer.
— Deixa eu ver. — puxo a sacola e vasculho rapidamente seu conteúdo.
Doces, biscoitos, salgadinhos. Coisas que normalmente eu aceitaria com mais entusiasmo, mas agora meu estômago parece menor que uma moeda.
Pego uma barra de chocolate.
— Só isso?
— É... não estou com muita fome.
Abro a embalagem devagar e começo a comer em silêncio. Mas dentro da minha cabeça há um ruído constante. Como se o mundo estivesse girando mais rápido que eu consigo acompanhar. Algo dentro de mim me diz que a partir de agora... tudo vai começar a desmoronar. Não sei o quê. Mas vai.
— Quer ver um filme? — Kristhen pergunta, ligando a televisão.
— Qualquer um está bom. — murmuro, encolhido contra a cabeceira da cama.
Ela navega pelas opções e seleciona o primeiro título que aparece. Logo em seguida, se aproxima mais e encosta a cabeça no meu ombro, deixando que seu corpo deslize devagar contra o meu. Sua mão encontra a minha e, com suavidade, a leva para o meio de suas coxas. O calor da pele dela aquece a minha palma. Em resposta, acaricio devagar sua pele macia.
Kristhen começa a passar as unhas pelo meu antebraço com movimentos leves, quase preguiçosos, mas que são o suficiente pra desviar meu pensamento do caos.
A presença dela me acalma. Sempre me acalmou. Não entendo como consegue fazer isso comigo tão fácil... como se soubesse exatamente onde tocar, como respirar perto de mim.
Talvez... seja hora de contar tudo. Ela é a única em quem posso confiar agora.
— Kristhen... — chamo baixo.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
