Kristhen Zillord
— Há quanto tempo está tendo esses sonhos? — pergunto, mantendo minha voz neutra
— Vai fazer dois meses. — Reed ajeita os cabelos, o gesto automático demais para esconder o incômodo — Era como se fosse... uma outra vida. Uma em que a gente se conheceu ainda criança.
Merda.
Se ele continuar sonhando assim, mais cedo ou mais tarde tudo vai voltar. Cada detalhe. Cada dor.
— Contou pra sua mãe sobre isso?
— Não... Não acho que seja necessário.
— Então não conte. — minha resposta escapa antes que eu consiga conter.
A cabeça dele vira, os olhos escuros me cravam, afiados como lâminas.
— Por quê?
— Só... não conte. — repito, mais baixa.
— Tá vendo?! — ele estreita os olhos, a mandíbula travada — Você é misteriosa pra caralho. Vive escondendo coisa, como se o mundo fosse desabar se eu soubesse. Por quê? Por que você faz isso?
— Não tô escondendo nada. — minto, com a mesma frieza que aprendi a usar pra sobreviver — São só sonhos, Reed. Todo mundo tem isso. Logo vão passar. Talvez... você só queira ficar perto de mim.
— Não é isso. — ele rebate, a voz mais firme, carregada de convicção — São reais demais. Não é só um sonho, é como se fossem memórias.
— Memórias? Você se lembra do seu passado... e eu tava nele?
— Eu não sei. — ele baixa o olhar, parecendo perdido — Já nem sei o que é meu passado. Minha cabeça tá uma bagunça.
Merda. Isso pode ser um problema. Se ele continuar assim, confundindo sonho com realidade, vai acreditar em qualquer coisa que o toque mais fundo. E se lembrar... tudo muda.
As luzes se apagam. Um zumbido corta o ar antes do microfone chiar. Uma mulher anuncia o parabéns com uma voz empolgada, mas tudo parece distante, abafado.
— É melhor a gente voltar. — Reed diz, passando por mim.
Mas eu o seguro.
Agarro seu braço e o puxo para a parede mais próxima. O impacto leve o faz encostar com o corpo tenso. Coloco suas mãos ao redor da minha cintura e empurro meu corpo contra o dele até sentir o calor do seu peito grudado no meu.
A respiração dele esbarra na minha boca. Nossos rostos estão tão próximos que consigo contar os cílios. Os olhos escuros percorrem cada detalhe do meu rosto antes de pararem onde eu quero: nos meus lábios.
Ele sorri. Um sorriso pequeno, mas sacana. E então me beija.
O selinho demora mais do que deveria, como se ele estivesse conferindo se eu ainda sou a mesma. Mas depois, Reed se entrega — os lábios se movem com fome, os braços apertam minha cintura com força, e o beijo se aprofunda. É desesperado e lento ao mesmo tempo. Quente. Pesado. Viciante.
Minhas mãos sobem até o cabelo dele. São macios. Tão macios que eu poderia passar a noite inteira ali, enfiando os dedos entre as mechas bagunçadas.
Ele pede passagem com a língua, e eu cedo. Na mesma hora. Porque com Reed, eu sempre cedo.
A química entre nós é ridícula. O beijo, perfeito. Ele sabe mexer a boca do jeito certo, fazer pressão no momento exato, morder sutilmente quando preciso. Tudo nele agora é certeza — o toque, o desejo, o ritmo.
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Kristhen
RomansaReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
