Kristhen Zillord
Pierre desliza a bandeja para dentro do forno com cuidado, ajeita os controles e gira o botão até a temperatura ideal.
— Certo! — ele diz, animado, enquanto esfrega as mãos e sorri com brilho nos olhos. — Agora é só esperar.
Ele está visivelmente empolgado. Há algo vivo nele, leve, quase infantil. Seus ombros relaxam enquanto se escora no balcão, o olhar fixo em mim com aquele entusiasmo bobo.
— Gostou de cozinhar? — pergunto, acompanhando seu sorriso com um meu.
— Gostei... — ele responde, a voz embebida de felicidade. — Não vejo a hora de tentar aquele prato francês... — completa, sorrindo de orelha a orelha.
Seus dedos batem no balcão, impacientes, como se o tempo fosse lento demais para sua vontade de experimentar mais.
— Então já sabe o que vai fazer na faculdade?
— Talvez... — ele cruza os braços, o olhar pairando sobre mim com um brilho pensativo. — Se continuar gostando assim, quem sabe eu não faça gastronomia? Antes eu queria seguir administração... herdar as empresas do "meu pai". — sua voz se torna mais baixa nessa parte, mas logo volta a subir, mais firme. — Mas depois que descobri toda a verdade... tudo mudou.
— E vai abrir um restaurante se seguir por esse caminho?
— Talvez... — ele diz, o tom provocador, com aquele sorriso que sei que vem carregado de segundas intenções. — Mas só se você me prometer que vai me visitar.
— Claro que vou.
— Ah, não... Espera. — ele ri, se aproximando — Esqueci que você vai ser a mulher do chefe. Vai poder comer do bom e do melhor, sem pagar nada.
— E como pode ter tanta certeza de que eu serei sua mulher?
Ele sorri, inclina levemente a cabeça, e crava os olhos nos meus. Um olhar direto, quase desafiador.
— Porque eu tenho. — sua voz é baixa, firme. Ele cruza os braços. — Você não tem certeza?
Engulo seco. Claro que sinto, mas também sei que ele percebe: há um medo dentro de mim. A sensação de que isso pode não durar. De que, talvez, o mundo lá fora seja cruel demais para deixar a gente continuar assim.
— Tenho... Claro que tenho. Mas depende de você continuar me querendo.
— Que fala sem lógica... — ele diz, com um meio sorriso debochado. Sua mão envolve meu braço e, num movimento rápido, estou colada ao peito dele. — É claro que vou continuar te querendo.
— Não sabemos o que o futuro guarda.
— Eu não me importo. — ele murmura perto do meu ouvido. — Mesmo se o mundo acabar, eu vou insistir em você.
Sinto o coração batendo com mais força. Os olhos dele me estudam, não como quem analisa... mas como quem admira. Como quem memoriza.
Minha mão sobe devagar, traçando a linha de seu rosto com a ponta dos dedos. A pele dele é quente, suave. Sigo o contorno da bochecha, depois o maxilar, até quase tocar seus lábios. Fico parada. Meus olhos presos no sorriso que cresce lentamente ali.
— Está doendo?
— Não. — respondo, e levanto o olhar para ele. — Está muito feio?
— Um pouco. — ele sorri de canto. — Passou pomada no lábio?
— Passei... mas foi bem cedo.
— Posso passar pra você.
— Está bem. — sussurro, enquanto deslizo meus braços por seus ombros, e enlaço seu pescoço num abraço leve.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
