Capítulo 72- Entre Beijos e Temperos

9.6K 886 68
                                        

Kristhen Zillord

Pierre desliza a bandeja para dentro do forno com cuidado, ajeita os controles e gira o botão até a temperatura ideal.

— Certo! — ele diz, animado, enquanto esfrega as mãos e sorri com brilho nos olhos. — Agora é só esperar.

Ele está visivelmente empolgado. Há algo vivo nele, leve, quase infantil. Seus ombros relaxam enquanto se escora no balcão, o olhar fixo em mim com aquele entusiasmo bobo.

— Gostou de cozinhar? — pergunto, acompanhando seu sorriso com um meu.

— Gostei... — ele responde, a voz embebida de felicidade. — Não vejo a hora de tentar aquele prato francês... — completa, sorrindo de orelha a orelha.

Seus dedos batem no balcão, impacientes, como se o tempo fosse lento demais para sua vontade de experimentar mais.

— Então já sabe o que vai fazer na faculdade?

— Talvez... — ele cruza os braços, o olhar pairando sobre mim com um brilho pensativo. — Se continuar gostando assim, quem sabe eu não faça gastronomia? Antes eu queria seguir administração... herdar as empresas do "meu pai". — sua voz se torna mais baixa nessa parte, mas logo volta a subir, mais firme. — Mas depois que descobri toda a verdade... tudo mudou.

— E vai abrir um restaurante se seguir por esse caminho?

— Talvez... — ele diz, o tom provocador, com aquele sorriso que sei que vem carregado de segundas intenções. — Mas só se você me prometer que vai me visitar.

— Claro que vou.

— Ah, não... Espera. — ele ri, se aproximando — Esqueci que você vai ser a mulher do chefe. Vai poder comer do bom e do melhor, sem pagar nada.

— E como pode ter tanta certeza de que eu serei sua mulher?

Ele sorri, inclina levemente a cabeça, e crava os olhos nos meus. Um olhar direto, quase desafiador.

— Porque eu tenho. — sua voz é baixa, firme. Ele cruza os braços. — Você não tem certeza?

Engulo seco. Claro que sinto, mas também sei que ele percebe: há um medo dentro de mim. A sensação de que isso pode não durar. De que, talvez, o mundo lá fora seja cruel demais para deixar a gente continuar assim.

— Tenho... Claro que tenho. Mas depende de você continuar me querendo.

— Que fala sem lógica... — ele diz, com um meio sorriso debochado. Sua mão envolve meu braço e, num movimento rápido, estou colada ao peito dele. — É claro que vou continuar te querendo.

— Não sabemos o que o futuro guarda.

— Eu não me importo. — ele murmura perto do meu ouvido. — Mesmo se o mundo acabar, eu vou insistir em você.

Sinto o coração batendo com mais força. Os olhos dele me estudam, não como quem analisa... mas como quem admira. Como quem memoriza.

Minha mão sobe devagar, traçando a linha de seu rosto com a ponta dos dedos. A pele dele é quente, suave. Sigo o contorno da bochecha, depois o maxilar, até quase tocar seus lábios. Fico parada. Meus olhos presos no sorriso que cresce lentamente ali.

— Está doendo?

— Não. — respondo, e levanto o olhar para ele. — Está muito feio?

— Um pouco. — ele sorri de canto. — Passou pomada no lábio?

— Passei... mas foi bem cedo.

— Posso passar pra você.

— Está bem. — sussurro, enquanto deslizo meus braços por seus ombros, e enlaço seu pescoço num abraço leve.

KristhenOnde histórias criam vida. Descubra agora