Kristhen Zillord
— Já disse para não pedir desculpas — Elaine solta a bolsa sobre a mesa do escritório e se vira em minha direção com calma, como quem já esperava minha frustração. — Eles iriam fugir de qualquer forma.
Fico parada, ainda com o gosto amargo da falha preso na garganta. Ela caminha até a janela, o reflexo do vidro espelhado projetando parte do rosto dela — expressão serena, mas o olhar... afiado.
— Um deles machucou o tornozelo. Provavelmente o que estava mancando tinha cerca de 1,79 de altura. Olhos azuis, cabelo escuro. O outro era mais alto, 1,85 talvez. Olhos castanhos escuros. Corpo mais robusto.
Elaine me encara por um momento. Respira fundo e se senta com cuidado na poltrona de couro.
— Essas informações são poucas. — sua voz agora é quase um suspiro. — Existem milhares de pessoas com essas alturas e essas cores de olhos. Nossa única esperança agora... é aquele fio de cabelo.
Durante todo o caminho de volta, o pensamento martelava dentro de mim: Eu falhei. Treinei, fui moldada pra isso. Pra ser perfeita. Precisa de precisão, frieza, instinto. Na minha primeira missão de verdade... deixei dois escaparem. Merda.
— Enfim... — ela retoma, quebrando o fio de culpa em minha mente. — Como foi o colégio hoje?
Endireito a postura. Finjo que minha mente não está um caos.
— Foi bom, senhora. Reed conseguiu conversar com uma garota — faço uma pequena pausa — A garota de quem ele gosta.
Elaine se levanta com um pulo, os olhos castanhos-escuros brilhando. O sorriso dela se abre, genuíno, radiante.
— Isso é... PERFEITO! — ela entrelaça os dedos e os leva ao peito. — Como ela é? Eu meio que... já desconfiava que ele estava gostando de alguém.
Escolho bem cada palavra. Não quero cortar a felicidade dela.
— Ela é... delicada. Gentil. Bonita, animada, vive sorrindo. Cabelos ruivos ondulados, sardas no rosto, olhos verdes. Tem cerca de 1,60. É bem... doce, do tipo que o Reed merecia conhecer.
— Agora fiquei ansiosa pra conhecê-la! — ela dá uma pequena batida com as mãos, animada. — E como ele ficou? Ele... ficou feliz?
— Muito. Hoje vamos à casa dela. Uma festa.
— O quê?! E Reed não me contou isso? Céus... parece que estou mais distante dele do que imaginava.
O sorriso desmancha. Mas antes que o silêncio fique pesado, eu mudo o rumo.
— E também... hoje eu bati em três garotos. Eles jogaram farinha no Reed. E se não fosse pela ruiva, ele teria apanhado feio.
— E onde você estava? — o tom sai mais cortante.
— Na detenção, senhora. O Reed fez uma pergunta na aula. Eu o encorajei. Um garoto riu, então prometi ao Reed que jogaria uma borracha na cabeça de quem zombasse. Cumpri. Mas o garoto revidou, atirou de volta e a borracha acabou estourando o vidro da sala. Fomos os dois pra detenção.
— Hm... Dessa vez eu deixo passar. Mas não repita.
— Não irá acontecer. — abaixo a cabeça, em respeito. — Ah, quase esqueci...
Puxo o celular de Reed da jaqueta. Entrego a ela, já com a mensagem aberta. O número desconhecido, as fotos... a ameaça silenciosa. Por alguma razão, Reed não coloca senha nesse aparelho.
Elaine pega o celular e observa a tela. Seus olhos se arregalam devagar. A mudança vem sutil, depois feroz. Seus dedos apertam o aparelho com força, e num impulso, ela bate com a mão sobre a mesa.
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Kristhen
RomanceReed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
