Capítulo 8- Na Mira da Verdade

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Kristhen Zillord

— Já disse para não pedir desculpas — Elaine solta a bolsa sobre a mesa do escritório e se vira em minha direção com calma, como quem já esperava minha frustração. — Eles iriam fugir de qualquer forma.

Fico parada, ainda com o gosto amargo da falha preso na garganta. Ela caminha até a janela, o reflexo do vidro espelhado projetando parte do rosto dela — expressão serena, mas o olhar... afiado.

— Um deles machucou o tornozelo. Provavelmente o que estava mancando tinha cerca de 1,79 de altura. Olhos azuis, cabelo escuro. O outro era mais alto, 1,85 talvez. Olhos castanhos escuros. Corpo mais robusto.

Elaine me encara por um momento. Respira fundo e se senta com cuidado na poltrona de couro.

— Essas informações são poucas. — sua voz agora é quase um suspiro. — Existem milhares de pessoas com essas alturas e essas cores de olhos. Nossa única esperança agora... é aquele fio de cabelo.

Durante todo o caminho de volta, o pensamento martelava dentro de mim: Eu falhei. Treinei, fui moldada pra isso. Pra ser perfeita. Precisa de precisão, frieza, instinto. Na minha primeira missão de verdade... deixei dois escaparem. Merda.

— Enfim... — ela retoma, quebrando o fio de culpa em minha mente. — Como foi o colégio hoje?

Endireito a postura. Finjo que minha mente não está um caos.

— Foi bom, senhora. Reed conseguiu conversar com uma garota — faço uma pequena pausa — A garota de quem ele gosta.

Elaine se levanta com um pulo, os olhos castanhos-escuros brilhando. O sorriso dela se abre, genuíno, radiante.

— Isso é... PERFEITO! — ela entrelaça os dedos e os leva ao peito. — Como ela é? Eu meio que... já desconfiava que ele estava gostando de alguém.

Escolho bem cada palavra. Não quero cortar a felicidade dela.

— Ela é... delicada. Gentil. Bonita, animada, vive sorrindo. Cabelos ruivos ondulados, sardas no rosto, olhos verdes. Tem cerca de 1,60. É bem... doce, do tipo que o Reed merecia conhecer.

— Agora fiquei ansiosa pra conhecê-la! — ela dá uma pequena batida com as mãos, animada. — E como ele ficou? Ele... ficou feliz?

— Muito. Hoje vamos à casa dela. Uma festa.

— O quê?! E Reed não me contou isso? Céus... parece que estou mais distante dele do que imaginava.

O sorriso desmancha. Mas antes que o silêncio fique pesado, eu mudo o rumo.

— E também... hoje eu bati em três garotos. Eles jogaram farinha no Reed. E se não fosse pela ruiva, ele teria apanhado feio.

— E onde você estava? — o tom sai mais cortante.

— Na detenção, senhora. O Reed fez uma pergunta na aula. Eu o encorajei. Um garoto riu, então prometi ao Reed que jogaria uma borracha na cabeça de quem zombasse. Cumpri. Mas o garoto revidou, atirou de volta e a borracha acabou estourando o vidro da sala. Fomos os dois pra detenção.

— Hm... Dessa vez eu deixo passar. Mas não repita.

— Não irá acontecer. — abaixo a cabeça, em respeito. — Ah, quase esqueci...

Puxo o celular de Reed da jaqueta. Entrego a ela, já com a mensagem aberta. O número desconhecido, as fotos... a ameaça silenciosa. Por alguma razão, Reed não coloca senha nesse aparelho.

Elaine pega o celular e observa a tela. Seus olhos se arregalam devagar. A mudança vem sutil, depois feroz. Seus dedos apertam o aparelho com força, e num impulso, ela bate com a mão sobre a mesa.

KristhenOnde histórias criam vida. Descubra agora