Reed Walsh sempre teve tudo. Filho de um dos empresários mais poderosos dos Estados Unidos, Reed vive cercado de luxo, mas também da própria timidez. Incapaz de se aproximar das pessoas, ele se isola, até que seu pai, preocupado com ameaças, toma um...
Ela dorme tranquila ao meu lado, os cabelos levemente bagunçados repousando sobre o travesseiro, e o som suave da sua respiração preenchendo o quarto escuro. A noite que passamos juntos foi... diferente. Kristhen se permitiu rir comigo, brincar, andar de mãos dadas pela praia como se não fôssemos quebrados por dentro. Pela primeira vez, ela parecia realmente leve. Eu, então? Me senti humano. Vivo. Quase feliz.
Ver aquele sorriso tantas vezes, ouvir sua risada sincera ecoando na areia... me deu um nó no peito. Do tipo bom. Do tipo perigoso. Quase confundi felicidade com paixão.
Mas talvez... talvez eu nem tenha confundido coisa nenhuma.
Meus olhos percorrem cada detalhe do seu rosto calmo. A pele lisa, delicada, a linha fina da mandíbula, os cílios que tocam levemente a parte de baixo dos olhos. Me pego acariciando sua pele devagar, como se fosse feita de vidro fino, algo precioso demais pra ser tocado com pressa. Desço o olhar até o colar com três pequenas estrelas que ela ainda usa — um vestígio silencioso do que fomos. E isso me faz sorrir.
Ela não jogou fora.
Volto a encará-la. Os lábios entreabertos, suaves, tentadores. Passo meu polegar com cuidado sobre eles. São macios, tão bem cuidados, que sinto a garganta secar por um instante. Hoje foi um dos melhores dias da minha vida e é por causa dela.
Foi a primeira vez que lavei alguém... e gostei de fazer isso. Gostei de cuidar dela. Gostei de estar perto.
Mas então, seus olhos se abrem devagar. E no segundo em que me nota acariciando sua boca, paro, quase me sentindo pego no flagra. Kristhen pisca algumas vezes, se ajeita lentamente, e se espreguiça como um gato satisfeito. Seu corpo se estica sob os lençóis, só com a blusa que pegou emprestada e uma calcinha fina.
— Não consegue dormir? — pergunta, ainda com a voz arrastada de sono.
— Não — sussurro.
Ela vira o rosto e me encara. Por um momento achei que ela diria algo, mas em vez disso, apenas se aproxima e puxa meu corpo contra o dela. Me deito abraçado a ela, respirando o perfume doce que emana da sua pele.
Com os dedos, ela começa a fazer um cafuné lento na minha cabeça. Eu quase flutuo.
Ela ainda acha que não consigo distinguir sonhos da realidade? Hoje mesmo eu disse que as memórias estão voltando que estou tendo visões claras do passado. As lembranças estão vindo fora de ordem, mas ainda assim... são reais. E todas têm uma coisa em comum: ela.
Não sei exatamente como nos conhecemos. Ainda faltam peças nesse quebra-cabeça quebrado que sou. Mas não vou forçar nada. Não quero colapsar de novo. Tudo que posso fazer agora é continuar vivendo. E Kristhen... estar com ela tem sido o melhor pedaço disso tudo. O mais real.
Ela me... completa.
***
Coloco os livros na mochila e fecho o armário com um estalo. Me viro e dou de cara com a Samy, de braços cruzados e cara de poucos amigos. Ela parece uma tempestade prestes a estourar.
— Que susto, caralho... — murmuro — O que foi agora?
— Sua mãe me ligou ontem. Disse que você tá transando com a Kristhen — ela solta alto, como se quisesse ecoar até o refeitório.
Algumas cabeças se viram. Claro.
— E daí? — respondo, sem paciência.
— E DAI?! Pensei que gostasse de mim!
Reviro os olhos, cansado da palhaçada.
— Coitada... — solto um riso seco — Comecei a te odiar no dia em que ouvi você dizendo que preferia que eu estivesse morto. Porque assim, eu te daria paz.
Ela empalidece. Os braços caem ao lado do corpo, e o choque pinta seu rosto com uma expressão de vergonha mal disfarçada.
— E-eu nunca falei isso...
— Não? — arqueio as sobrancelhas, sarcástico — Então deve ter sido outra Samy, ruiva e venenosa como você.
O corredor vira um palco de cochichos.
— Então... por que me beijou?
— Ah, queria me vingar. Mas aí percebi que me rebaixar ao seu nível seria uma perda de tempo. Eu prefiro continuar crescendo... e você, bem... pode continuar se afogando no próprio ego.
Ela ri sem acreditar, mas é aquela risada amarga, desesperada.
— Quer saber? Eu só te usei pra causar ciúmes no Jacs!
— Jura? — digo entediado — Porque até onde sei, o Jacs corre atrás da Kristhen como um vira-lata no cio. E ignora vadias como você.
Ela ergue a mão, mas sou mais rápido. Seguro seu pulso antes mesmo que a ideia de me bater tome forma. A puxo para perto e murmuro:
— Faz esse pedaço de merda correr atrás de alguém do teu nível, ou juro que deixo alguém com o rosto irreconhecível. E você sabe que eu não brinco.
Os olhos dela arregalam. Solto seu pulso com um empurrão leve. Recoloco a mochila no ombro e sigo meu caminho, ignorando o burburinho.
No fim do corredor, vejo Kristhen vindo na minha direção, segurando um livro. Quando chega perto, me entrega com um leve sorriso.
— Obrigado — murmuro.
— Disponha.
Bagunço seus cabelos com carinho e passo por ela. Não tenho tempo a perder com gente tóxica.
Quando percebo que ela não está vindo, paro e olho pra trás.
— Kristhen? — ela se vira — Tá vindo?
— Ah, sim! — ajeita a mochila e corre até mim.
Subimos juntos. Conversamos sobre sua demissão, e sugiro que mande mensagem. Mais fácil, mais direto.
— Você pode ficar com sua mãe por uns dias. Depois volta, quando fecharmos aquele contrato.
— Tá! Boa ideia.
Abro a porta da sala e deixo ela entrar primeiro.
No fundo, só torço para que minha mãe não perca o controle. E que, por alguma razão insana, não tente machucar a Kristhen.
Porque, honestamente? Eu não suportaria vê-la ferida.
Continua...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
aiai, esse Reed 😂
Obrigada por ler! Não se esqueçam de votar, me ajuda muito. Beijo, vejo vocês por aí, até mais! ❤️