Capítulo 17- Pulso Preso, Ódio Solto

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Kristhen Zillord

Passei a noite inteira me contorcendo de dor. Meu ombro latejava como se estivesse pegando fogo, e cada músculo do meu corpo parecia gritar por socorro. Treinar machucada foi uma decisão burra, eu sei. Mas burra com orgulho ferido é pior ainda. Saí do treino pior do que entrei, e não bastasse isso, conseguiram me destroncar o ombro durante o combate. Foi como se uma faca tivesse rasgado por dentro

Gemi de dor a noite toda, abafando os gritos contra o travesseiro. Nenhum remédio fez efeito. Quando finalmente cochilei, acordei suando, com a cabeça latejando e o ombro roxo como carne podre. O rosto? Também não ficou de fora. Obrigada, Reed, pela cotovelada. Mas, honestamente, eu mereci. Forcei ele a lutar comigo, e bem... eu já esperava um chute, um soco, ou os dois. A merda foi ter sido certeiro demais.

Ontem à noite, não descobri nada com o Karl sobre a morte do meu pai. Mas não vou desistir. Nunca vou.

Vesti uma roupa que esconde os roxos: manga longa, tecido leve e escuro. Preparei uma mochila com as recomendações para o parque aquático. Segundo a Elaine, só entra lá quem já estiver com roupa de banho por baixo. Ótimo.

Estacionei minha moto no shopping e desci com o capacete na mão, a mochila nas costas e a paciência quase estourando. Reed me pediu para ir de moto. Agora está claro o motivo. Era para ele ter o carro só para ele... e para ela.

Desço, ajeito o cabelo com o espelho do retrovisor e espero. Espero Reed sair daquele carro como se fosse o próprio astro da noite. Vestido de preto dos pés à cabeça, achando que está estiloso. Patético. Um palhaço desengonçado, fazendo figuração na própria vida enquanto rasteja atrás de uma garota que não dá a mínima.

E lá está ela: a ruiva. Saindo do carro como se fosse realeza, segurando a mão dele e agradecendo pela "ajuda". Ah, claro. Tudo ensaiado. Que cena ridícula.

Reed segue na frente, com o ego inflado, enquanto eu e os outros dois seguranças caminhamos alguns passos atrás. Um deles se vira para mim.

— Quer guardar suas coisas no porta-malas?

— Claro.

Agradeço com um leve aceno e deixo a mochila no carro. Depois, apressamos o passo para acompanhar o casalzinho do ano. Eles riem. Ela ri. Deus, do que ela tá rindo? Reed parece uma criança insegura tentando impressionar a professora.

Entramos no shopping. O ambiente é fresco, lotado de vozes e perfumes misturados. Observo tudo, mas meus olhos não saem dos dois. Há algo errado nessa aproximação. Essa garota o evitava, beijou outro cara na cara dele, e agora o chama pra sair? Isso cheira a aposta. A cada passo, essa teoria se confirma.

Eles não entram em nenhuma loja. Só caminham. Os seguranças se espalham, atentos, garantindo o perímetro. Fico a poucos metros de distância. Três, no máximo. Reed começa a passar a mão na nuca, nervoso. Sempre que faz isso, é porque está prestes a travar.

A ruiva finalmente entra em uma loja. Reconheço o lugar. Loja de joias de prata pura. Foi ali que comprei um colar pra minha mãe, com o primeiro salário do meu antigo emprego. Guardei cada centavo por meses.

Viro de costas, mantendo posição do lado da entrada. Os seguranças me sinalizam que vão inspecionar o interior da loja. Concordo com um gesto sutil. Foco. Olhos atentos em tudo e todos.

Até sentir meu pulso ser puxado

— Reed! — rosno entre os dentes, puxando o braço de volta. Ele segura com mais força, como se achasse isso fofo.

Sou arrastada para dentro da loja. Tento resistir, mas ele é mais teimoso do que forte. Me coloco ao lado dele e da ruiva, que segura um colar.

— O que você acha? — ela pergunta, me ignorando.

— É bonito. Combina com você. — ele responde, mais mole do que mingau, tentando parecer confiante.

Samy sorri. Mas assim que me vê ali, do lado dele, o sorriso dela evapora. Fica desconfortável. Talvez porque ele ainda esteja segurando meu pulso. Com toda razão. Se eu fosse ela, já teria saído andando.

— Me solta. — minha voz é baixa, mas firme.

— Eu quero você perto. — diz, como se isso justificasse alguma coisa.

— Pra quê? Pra você não gaguejar na frente dela? — cravo as unhas na pele dele, sentindo a raiva subir — Vai ficar dependente de mim agora? Aprende a se virar sozinho.

— Sempre falei baixo perto dos outros. Sempre gaguejei. Mas com você perto... isso some. Não sei por quê.

— Foda-se.

— Não vou te soltar. — ele repete, e aquele olhar castanho-escuros me dá nos nervos — É a primeira vez que saio com ela. Não quero parecer um idiota.

— Eu juro que vou arrebentar sua cara. — meu maxilar trava, os dentes rangem.

— Faz isso, e eu conto tudo pra minha mãe. — ele solta com frieza, como se tivesse acabado de vencer uma guerra.

Engulo a raiva. Céus... Por que eu fui me alistar como segurança da porra da família Walsh? Onde eu estava com a cabeça?

O aperto no meu pulso é firme, sem chance de fuga. Sinto a circulação diminuir.

— Eu tô começando a te odiar.

— Não me importo. — ele responde, ombros erguidos, virando para encarar Samy de novo.

Ódio. Estou sendo usada como muleta emocional. Um escudo humano para que ele possa fingir ser alguém na frente de uma garota que só o vê como um projeto de chacota.

Sou puxada mais uma vez. Dessa vez, não resisto. Qualquer resistência vai me custar o ombro. Já entendi: ele não vai me soltar. E eu não posso explodir aqui. Não ainda.

Continua...

E aí? Já estão acostumados que sempre haverá um personagem principal fdp nos meus livros? 😂

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E aí? Já estão acostumados que sempre haverá um personagem principal fdp nos meus livros? 😂

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