Capítulo 70

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DUAS SEMANA DEPOIS

Isaac Willian

Nota dez em todas as provas. Fácil, como sempre. Eleito mais uma vez o melhor aluno do colégio Owls, mais uma medalha para minha coleção. Não vou mentir: gosto de ganhar.

Com a Ayla foi diferente. Suas notas não foram das melhores, mas ela ainda conseguiu um lugar decente no ranking. Só que, considerando o histórico dela, não sei se vai ser o suficiente para não repetir de ano. A probabilidade existe — e é alta.

Por isso eu tô ajudando. Passo horas revisando matérias com ela, dando dicas, tentando transformar fórmulas chatas em truques.

Mas agora, em vez de prestar atenção em mim, ela joga o corpo sobre o meu, manhosa, fazendo drama. No início achei que fosse TPM, mas a cada minuto que passa tenho certeza de que é.

— Minhas notas foram horríveis! — ela se senta de novo e puxa a pele do rosto para baixo — Não sei se vou conseguir ir com você pra faculdade...

Estamos no telhado, o lugar mais silencioso da escola. Nosso refúgio.

— Você pode tentar no próximo ano.

— Mas eu queria ir nesse ano! — a voz dela afina, quase infantil — Que ódio! Odeio ser burra!

Ela despenca contra o meu peito outra vez, e eu só abraço, puxando-a mais pra perto.

— Você não é burra, Ayla. — digo firme — Você só não ligava pra essas matérias antes. Agora é outra fase. Vai demorar, mas você aprende.

Ela ergue a mão, deslizando até meu pescoço, e volta a se sentar. Aproveito para pegar um pedaço de bacon da vasilha que trouxe e colocar na boca dela. O sorriso dela depois disso me desarma por inteiro. Hoje eu preparei comida pra nós dois já que o refeitório é uma porcaria.

— Isso tá ótimo. — ela rouba a vasilha da minha mão e começa a comer sozinha — Acho que estou no período fértil.

Arqueio a sobrancelha.

— Por quê?

— Tô com vontade de transar. — ela fala com naturalidade, mastigando, enquanto me encara. A língua dela faz um estalo contra o céu da boca, e eu quase perco o ar.

— A gente transou ontem...

— E daí? — ela termina de comer e joga a vasilha de lado, sem cerimônia — Agora eu quero um doce.

Meu Deus, essa mulher não decide.

— Me diz qual doce você quer que eu compro.

— Agora? — ela sorri, maliciosa.

— Sim. A direção liberou o top dez pra fazer o que quiser essa semana. Posso sair e voltar.

— Perfeito! — ela praticamente pula no meu colo, me arrancando o ar — Vou fazer uma lista do que quero.

Lista. Ótimo. Coço a sobrancelha enquanto ela digita no celular. Murmura cada coisa em voz baixa, e a cada item eu já sei que vai sair caro. Melhor comprar uma cesta inteira.

Levanto o olhar quando vejo Ryan se aproximando. A praga loira.

— Ayla!

— Espera, tô ocupada — ela nem levanta os olhos.

Aproveito e deslizo minhas mãos por dentro da saia dela, de propósito. Adoro provocar o idiota. Enfio o rosto no pescoço dela, e ela ri, me abraçando. O corpo dela arrepia inteiro.

Sinto uma pisada cruel na minha canela. Seguro o gemido, mas Ryan solta uma risadinha baixa, sabendo muito bem que eu peguei a mensagem. Levanto os olhos com um olhar de quem mataria sem dó.

Ele começa a fazer caretas. O desgraçado está me imitando.

Chuto a canela dele de volta. Ele se contorce, mas disfarça.

— O que foi, Ryan? — Ayla pergunta sem desviar os olhos da tela.

— Nada... só senti... um choque na canela — ele força um sorriso que não convence ninguém.

Reviro os olhos.

— Você tá tão cheirosa... — sussurro no ouvido dela, de propósito.

— Para de me provocar. — ela ri baixinho — Tô tentando decidir qual doce quero mais.

— Você não vai comer isso tudo em um dia, vai?

— Se eu quiser, como.

— Então vou te dar só o necessário. Não precisa exagerar.

— Mas eu quero todos agora. — ela me encara, teimosa.

— Só o que você precisa.

— Não! — ela faz bico, dramatizando de novo.

— Eu compro pra você, Ayla. — Ryan se mete, e ela finalmente levanta o olhar.

— Sério? — ela sorri animada.

— Sempre comprei. Não vai ser diferente esse mês.

Minha paciência evapora.

— Não. — corto, seco.

— Por quê? — ela franze a testa.

— Porque eu vou comprar.

— O que foi, corno? Tá com ciúmes? Achei que você já soubesse que isso é tradição nossa. — Ryan abriu a boca, venenoso

— Eu faço por ela agora.

— E daí? Isso não me impede de dar doce também.

— Você vai viciar minha namorada em açúcar!

— Namorada? — Ayla me olha com um sorriso tão bobo que quase esqueço de respirar.

— Ela não é sua namorada — Ryan rebate.

— Agora é você quem decide? — retruco, firme.

— Você nunca pediu. Só estão ficando.

— Tô resolvendo algumas coisas. Depois vou pedir. — solto um sorriso desafiador — Não se preocupa.

— Vai, é?

— Vou.

Ele debocha, e eu já sinto o sangue subir.

— Eu vou socar ele. — falo pra Ayla.

— Ryan!

— O quê? Eu não fiz nada! — ele ergue os ombros, falso.

O sinal bate, interrompendo. Ayla segura meu rosto e me beija de surpresa.

— Pronto. — ela me entrega o celular — Vou esperar ansiosa.

Olho a lista. Mais de vinte itens. Definitivamente vou ter que montar uma cesta.

Continua...

Esse foi o último capítulo revisado que fiz no momento

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Esse foi o último capítulo revisado que fiz no momento. Falta apenas mais 5 para o livro ser finalizado — finalmente — então eu peço paciência, porque dentro de 15 dias espero ter conseguido completar

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