Luzia Nezzo

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Pov S/n Coppini Fernandes

*Desde pequena, o vôlei fazia parte da minha vida. Cresci cercada por quadras, redes e treinos puxados. Não porque eu jogava – na verdade, nunca me interessei muito –, mas porque meu pai era ex jogador e treinador do Barueri VC.

E foi assim que conheci Luzia Nezzo.

Desde que ela entrou para a equipe do meu pai, nos vimos cada vez mais. No começo, era só aquele convívio casual. Ela me cumprimentava com um aceno, um sorriso rápido, enquanto eu ficava pelos cantos esperando meu pai terminar os treinos. Mas com o tempo, as interações foram aumentando.

Até que, de alguma forma, ela virou parte da minha rotina.

E agora, eu estava sentada na arquibancada, vendo Luzia em mais um treino. Meus fones de ouvido estavam pendurados no pescoço, e eu fingia estar entretida no celular enquanto, na verdade, observava os movimentos dela.

A força nos ataques. A precisão nos passes. O olhar determinado.

Ela era fascinante.

-Tá me encarando por quê? -A voz dela me pegou de surpresa. Levantei o olhar e a vi parada na minha frente, com a bola de vôlei girando entre as mãos. Luzia tinha aquele sorrisinho convencido nos lábios.

-Eu não tava encarando. -Menti, dando de ombros.

-Aham.. Sei.

Ela se sentou ao meu lado, ainda segurando a bola. Seu rosto estava um pouco suado, e o cabelo preso num coque bagunçado.

-Vai me dizer que só tava distraída?

-Exatamente.

-Hm... Claro. -Ela riu, jogando a cabeça para trás, e eu revirei os olhos.

-Tá querendo o quê, Luzia?

-Eu? Nada. Só achei fofo que você não consegue tirar os olhos de mim.

Senti minhas bochechas esquentarem. -Você tem sérios problemas.

-E você tem uma queda por mim.

Arregalei os olhos.

-EU O QUÊ?

-Ah, por favor.. -Ela riu mais. -Eu percebo as coisas. Você sempre tá aqui, mesmo sem gostar de vôlei. Sempre presta atenção quando eu falo. E.. bom, tem a parte do olhar também.

-Mas eu olho pra todo mundo!

-Mas não do jeito que olha pra mim.

Fiquei em silêncio, sem saber o que responder. Luzia me olhava com um brilho divertido nos olhos, mas também havia algo mais ali. Algo curioso.

-Se eu tivesse um 'crush' em você... -Comecei, meio hesitante. -O que você faria?

Ela sorriu, se aproximando um pouco mais.

-Talvez um pouco mais que isso.. -Antes que eu pudesse processar, ela passou a ponta dos dedos na minha perna, bem de leve, o suficiente para arrepiar minha pele. Meu coração disparou.

-E talvez eu dissesse que sempre achei você interessante.

Engoli em seco. -Luzia.. meu pai é seu treinador.

-E daí?

-E daí que... sei lá, isso pode ser estranho.

-Você quer que seja estranho? -Ela levantou uma sobrancelha, como se já soubesse a resposta. Suspirei.

-Não.

-Então pronto.

E, com isso, Luzia sorriu daquele jeito travesso, como se soubesse que tinha vencido.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora