Jade Picon 2/2

344 37 3
                                        

Pov S/n Diniz

*O clima entre nós estava leve, íntimo. Jade parecia confortável, como se estivéssemos retomando uma amizade antiga, não construindo uma nova. 

-Já me sinto em casa. Isso é um bom sinal?

-É o melhor dos sinais.

Eu mal acreditava que a Jade Picon estava ali, rindo das minhas histórias de adolescência e comentando sobre como adora filmes ruins de comédia romântica.

-Eu sei que são bobos, mas me fazem acreditar que o amor pode ser leve.. -Ela disse, com os olhos brilhando.

-Eu gosto disso em você.. -Falei, quase sem pensar. -Você é intensa e sensível ao mesmo tempo.

Ela me olhou por alguns segundos, sem dizer nada. E então apoiou a cabeça no meu ombro. -Posso ficar aqui um pouco?

-Pode ficar o quanto quiser.

**A noite foi avançando sem que a gente percebesse. Em algum momento, o silêncio virou conforto. E Jade, sem cerimônias, adormeceu ali mesmo, com a cabeça no meu colo.

Fiquei acariciando de leve o cabelo dela, observando sua respiração calma. Senti um calor no peito, algo que não era só encantamento — era cuidado, vontade de estar por perto. Quando percebi que ela realmente tinha pegado no sono, ajeitei uma almofada sob sua cabeça e cobri com uma manta leve.

Ela sussurrou algo no meio do sono, baixinho:

-Fica comigo aqui?

Me encolhi ao lado dela no sofá, com o coração disparado e um sorriso que não cabia em mim.

-Eu já tô aqui, Jade. E não tô com pressa nenhuma de ir embora.

E naquela noite calma, entre sonhos e possibilidades, algo começou a nascer em silêncio — mas com força.

---------------------------------------

-Dia seguinte

**Acordei com a luz suave do sol atravessando as cortinas da sala. Pisquei algumas vezes, meio desorientada, até perceber o peso leve em meu peito: Jade ainda dormia ali, com a cabeça encostada em mim, os traços serenos, respiração ritmada. Meu braço estava dormente, mas eu nem ligava. Era um incômodo bom. Significava que ela ficou.

Por alguns segundos, fiquei só observando. Havia uma doçura tranquila em vê-la assim, sem maquiagem, sem pose. Ela parecia outra — ou talvez exatamente ela mesma.

Jade se mexeu devagar, os olhos abrindo aos poucos. 

-Bom dia... -Murmurou, com a voz rouca de sono.

-Bom dia. Dormiu bem?

Ela sorriu, espreguiçando-se sem sair de perto. -Melhor do que imaginei. E você? Não se arrepende de ter me deixado ficar?

-Arrependo de não ter convidado antes.

Ela riu baixinho, cobrindo o rosto com a mão.

-Você é perigosa desse jeito, sabia?

-E você é viciada em provocar.. -Respondi, me levantando devagar. -Vou fazer café. Fica à vontade.

Enquanto a água fervia e eu separava algumas frutas, ouvi passos descalços atrás de mim. Jade surgiu na cozinha com meu moletom largo e um coque improvisado.

-Roubei isso do seu quarto. Espero que não se importe.

-Fiquei até lisonjeada. Ficou bonito em você..

Ela se aproximou da bancada, pegou um morango e me observou.

-Ontem foi diferente... -Começou, pensativa. -Eu me senti leve. E isso é raro pra mim. Normalmente, eu tô sempre em alerta, sempre filtrando tudo. Mas com você foi como se eu pudesse... simplesmente ser.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora