Malévola 2/3

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[Ouçam a música acima, galerinha]


Pov S/n 

*A floresta nunca pareceu tão viva quanto naquela manhã. As folhas sussurravam segredos com o vento, as flores cintilavam como se rissem baixinho. Talvez tudo fosse ilusão da minha mente agitada — ou talvez fosse só isso que o amor fazia com os lugares: os tornava mais belos.

Depois do beijo, eu mal dormi. Revivia o momento repetidas vezes, me perguntando se realmente tinha acontecido. Os olhos de Malévola — firmes, intensos, mas cheios de um medo que ela tentava esconder — ainda estavam impressos nos meus pensamentos.

Ela me beijou. Ela me escolheu, mesmo sem dizer com palavras.

E, de algum modo, isso era mais assustador do que qualquer ameaça da floresta.

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**Na tarde seguinte, Diaval me encontrou alimentando os filhotes de dragão musgoso perto do riacho.

-Você tem esse talento curioso de deixar as criaturas mais perigosas dos Moors completamente encantadas por você. -Disse ele, pousando no meu ombro em forma de corvo.

-Não sabia que você me incluía nisso. -Brinquei, fingindo inocência.

-Eu falava da Malévola, mas obrigado por confirmar.

Sorri, mesmo que meu coração estivesse um caos. Ele me olhou com mais ternura do que eu esperava.

-Só... não machuque ela. Já fizeram isso demais.

Suspirei, sentindo o peso da responsabilidade. -Eu jamais faria isso, Diaval. Mesmo que ela tentasse me afastar. Eu... me importo com ela. De verdade.

**Naquela noite, eu a esperei no mesmo lago onde tudo havia começado. Não sabia se ela apareceria — Malévola era instável, como o vento entre as árvores — mas algo dentro de mim dizia que sim.

E então, como se atendesse a um chamado mudo, ela surgiu.

Silenciosa.

Imponente.

Linda.

-Está esperando por mim? -Ela perguntou, com aquele sorriso contido que fazia meu coração querer pular do peito.

-Sempre. -Respondi sem hesitar.

Ela se aproximou devagar, como se não quisesse assustar o momento, e se sentou ao meu lado. Seu olhar estava mais suave, mas ainda guardava o receio de quem carregava cicatrizes profundas.

-Eu não sei amar como vocês, humanos. -Ela confessou, num sussurro quase quebrado. -Não sei fazer isso sem me proteger.

Tive vontade de tocá-la, mas esperei.

-Não espero que você ame como os outros. Quero que ame como você. Do seu jeito. Mesmo que seja com silêncios, com asas, com espinhos.

Ela virou o rosto para mim. Os olhos verdes — tão intensos quanto as raízes da floresta — me buscaram com mais calma do que antes.

-E se eu cair?

-Eu vou cair com você. E se você voar.. vou te acompanhar daqui de baixo, olhando pra cima com orgulho.

Ela respirou fundo, e então encostou a testa na minha. Fechamos os olhos. O mundo desapareceu.

Ali, entre árvores milenares e a luz fria da lua, eu soube: ela estava tentando. Contra tudo que aprendera. Contra os próprios medos.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora