Sabrina Carpenter 2/2

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Pov S/n Campos

Semanas depois – Los Angeles

*A troca de mensagens entre mim e Sabrina tinha se tornado algo natural. No começo, eram só brincadeiras sobre aquela noite no Brasil, conversas casuais sobre música, piadas aleatórias. Mas, aos poucos, fomos nos acostumando com a presença uma da outra, mesmo que só através da tela do celular.

Mensagens no meio da madrugada, áudios longos sobre nossos dias, ligações que começavam sem intenção e terminavam horas depois. Sabrina era engraçada, espirituosa, e tinha uma forma de falar que me prendia. Eu me pegava esperando a notificação dela, rindo sozinha de algo que ela dizia, e quando percebi, já tinha aceitado o convite para ir a Los Angeles sem pensar duas vezes.

Na primeira noite, nos encontramos em um restaurante discreto. Sabrina já estava sentada quando cheguei, usando uma jaqueta de couro que só destacava ainda mais o brilho natural dela. Seus olhos encontraram os meus no instante em que entrei, e um sorriso brincou em seus lábios.

-Achei que você fosse me dar um bolo.. -Ela brincou assim que me sentei à sua frente.

-E perder a chance de ver se você é legal mesmo? Jamais. -Ela riu, apoiando o queixo na mão enquanto me observava.

-E aí, qual é o veredito? -Ela perguntou  e eu inclinei a cabeça, fingindo analisar.

-Hum... você é mais baixinha do que eu lembrava.

-Ei! -Ela bateu de leve na minha mão, fingindo indignação. -Você fala isso só porque fica de salto o tempo todo.

-Só quando quero impressionar.

Sabrina arqueou uma sobrancelha, um sorriso convencido surgindo.

-Então quer dizer que tá tentando me impressionar? -Eu revirei os olhos, rindo.

-Você quer muito que eu diga que sim, né?

-Talvez. -Ela piscou, antes de pegar um pedaço do pão que estava na mesa.

**A conversa fluiu fácil, como se já nos conhecêssemos há anos. Sabrina falava com as mãos, animada quando se empolgava com um assunto, e eu gostava de ver como ela mudava de expressão a cada história.

Quando o jantar terminou, ela me olhou por alguns segundos antes de perguntar:

-Quer ir lá pra casa?

A pergunta veio com naturalidade, sem pressão.

-Depende.. Você vai me obrigar a ouvir suas novas músicas antes de todo mundo?

-Eu posso te subornar com vinho.

-Fechado.

O apartamento dela era exatamente o que eu imaginava: aconchegante, cheio de discos e com uma decoração que misturava o vintage com o moderno. Assim que entramos, ela chutou os sapatos para um canto e se jogou no sofá, batendo no espaço ao lado dela.

-Senta aqui, compositora misteriosa.

Me sentei, e por um tempo ficamos ali, ouvindo uma playlist qualquer, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Sabrina pegou uma taça de vinho e me entregou antes de se virar para mim com um sorriso travesso.

-Então.. posso saber se você já escreveu alguma música sobre mim? -Ergui uma sobrancelha, provocando.

-E se eu tiver?

-Aí eu vou querer ouvir.

-E se for uma música triste? -Disse e ela fez uma careta.

-Bom, aí eu vou perguntar o que fiz pra merecer.

Ri baixo, balançando a cabeça.

-Relaxa, se eu escrever sobre você, vai ser algo bom.

Sabrina inclinou a cabeça, me observando. -Você fala como se já não tivesse feito isso.

Desviei o olhar, mordendo o lábio. Não ia dar esse gostinho pra ela.

-Você quer muito ser minha musa, né?

-Eu acho justo. -Ela se aproximou mais, a voz mais baixa agora. -Até porque... você já é a minha.

Meu coração acelerou. Não dava para negar que havia algo ali, algo que ia além da provocação e da química óbvia entre nós.

**Sabrina pegou a taça da minha mão e a colocou de lado, sem desviar os olhos dos meus. Quando nossos lábios se encontraram, foi diferente do primeiro beijo no camarim. Agora havia um conhecimento mútuo, uma certeza de que aquilo não era mais apenas um jogo.

Ela me puxou para mais perto, as mãos subindo devagar pelo meu braço até segurarem meu rosto. Os beijos se aprofundaram, a respiração entrecortada enchendo o agora silêncio do apartamento. Minha mão deslizou por sua cintura, sentindo o calor do seu corpo contra o meu.

-Me diz que você não vai desaparecer depois dessa noite... -Sabrina sussurrou contra minha pele, os lábios traçando um caminho pelo meu pescoço. Segurei seu rosto, forçando-a a me encarar.

-Eu não quero ir a lugar nenhum..

Ela sorriu, e dessa vez, não houve espaço para brincadeiras. Apenas nós duas, deixando que aquela noite falasse por si.

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713 Palavras

hi

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora