Pov S/n Rodrigues
*O evento em São Paulo estava lotado de rostos conhecidos. Flashs, drinks, sorrisos calculados. Eu já estava no terceiro "boa noite, prazer" quando meus olhos bateram nela.
Bruna.
Encostada perto do bar, vestido preto colado ao corpo, cabelo solto num enrolado impecável, brincando com o copo como se tivesse todo o tempo do mundo.
E o pior? Ela me viu.
E sorriu.
Aquele tipo de sorriso que você reconhece na hora. Meio provocação, meio lembrança. E eu... fui até ela.
-A gente sempre se encontra quando não tá esperando, né? -Soltei, tentando parecer casual.
Ela ergueu uma sobrancelha, o copo ainda na mão.
-Talvez o universo goste de brincar com a nossa cara. Ou tá tentando dizer alguma coisa..
-E você acha que o universo é do tipo fofoqueiro?
Ela deu uma risada baixa. -Acho que ele é bem insistente.
Silêncio. Daqueles carregados de tudo que a gente já não disse uma pra outra. Do quase que não virou.
-Tá linda.. -Confessei.
Ela não respondeu de cara. Só me olhou como se estivesse tentando entender até onde eu estava disposta a ir dessa vez.
-Obrigada. Você também. Mas você sempre tá. Modelo tem essas vantagens, né?
Senti o toque de ironia, mas havia mais coisa ali. Ciúmes velado? Dor não resolvida?
-E você ainda é boa em fugir de conversa séria.. -Arrisquei, tomando um gole do meu drink.
Ela sorriu, mas dessa vez mais tensa.
-Talvez porque conversa séria com você sempre acaba em... nós duas em alguma parede.
Ri. -Isso seria ruim?
Ela respirou fundo, me encarando como se já soubesse o que ia fazer a seguir.
-Quer sair daqui?
Eu não pensei duas vezes.
**O apartamento dela estava do mesmo jeito da última vez. Minimalista. Sofisticado. Um sofá enorme, iluminação quente, cheiro de baunilha misturado com alguma coisa só dela. Aquilo me trouxe memórias que eu tentei enterrar.
A gente sentou no sofá. Próximas demais. Silêncio de novo.
-Às vezes penso se a gente teria dado certo se tivesse tentado pra valer.. -Ela soltou, com a voz baixa.
-Eu penso nisso sempre.. -Confessei. -Mas a gente sempre tinha uma desculpa, né? Viagem, trabalho, medo...
Bruna me encarou.
-Você ainda tem medo?
-De quê?
-De mim.
Demorei a responder.
Depois, aproximei meu rosto do dela devagar. O suficiente pra sentir sua respiração, mas não invadir.
-Não. Nunca tive medo de você.. Tive medo do que você fazia eu sentir.
Ela tocou meu rosto com uma delicadeza quase inesperada.
-Você ainda sente?
Não respondi com palavras.
A beijei.
Lento. Firme. Com o gosto de tudo que a gente reprimiu por tempo demais.
Ela correspondeu como se estivesse esperando por isso há semanas. As mãos deslizando pelo meu pescoço, os corpos se encaixando como se lembrassem perfeitamente o caminho um do outro.
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**Mais tarde, deitadas na cama, ela traçava círculos no meu ombro com o dedo.
-Isso aqui vai ser só mais uma noite... ou a gente vai parar de fingir que não sente?
Virei o rosto e olhei nos olhos dela.
-Eu não vim aqui pra mais uma noite, Bruna.. Vim porque, mesmo quando você não tá, você não sai de mim.
Ela sorriu, pela primeira vez de verdade naquela noite.
-Então fica. Dessa vez, por mais do que só um tempo.
E eu fiquei.
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*Acordei com a luz suave da manhã filtrando pelas cortinas do quarto dela. Por um segundo, me esqueci de onde estava. Até sentir o peso do braço dela sobre minha cintura.
Bruna ainda dormia. De lado, cabelos espalhados pelo travesseiro, expressão tranquila. Linda como sempre.
Fiquei ali por alguns minutos, só observando. Em silêncio. Como se aquele instante precisasse durar mais do que devia.
Peguei o celular de forma discreta. Mensagens, notificações... e então: uma foto nossa.
Publicada por algum paparazzo na saída do evento.
@FamosidadesOficial
"S/n Campello e Bruna Biancardi deixaram o evento da revista juntos ontem à noite. Fontes dizem que as duas foram vistas em clima de intimidade. Vem casal aí?"
Suspirei.
É claro que teria foto. Sempre tem. Mesmo quando a gente tenta manter as coisas nossas.
Deitei de novo, mas não consegui disfarçar o incômodo.
-O mundo já tá comentando.. -Soltei, sem rodeios.
Bruna abriu os olhos devagar, ainda com a voz rouca de sono.
-Comentando o quê?
-A gente. A foto. A saída. O "vem casal aí".
Ela ficou em silêncio por um tempo. Depois se virou de frente pra mim. -E você se importa?
-Eu não sei... acho que eu só queria que a gente tivesse tempo de entender o que isso é, antes de ter que lidar com o mundo.
Bruna assentiu devagar.
-Eu também.. Mas o mundo sempre chega antes, né?
Sentei na cama, puxando o lençol pra cobrir o corpo.
-Você se incomoda que saibam?
Ela se aproximou por trás, abraçando minha cintura e apoiando o queixo no meu ombro.
-Eu me incomodava com muita coisa antes. Com o que iam pensar, com meu nome nos sites de fofoca, com os julgamentos. Mas agora? Eu me incomodaria mais em te perder por medo de tudo isso.
Meu coração bateu diferente com aquela frase.
-Então... você quer que a gente assuma?
Bruna beijou de leve a curva do meu pescoço.
-Eu quero você. Do jeito que for. Mas se for pra ser, que seja sem metades. Sem medo. Sem esconder.
Virei o rosto pra ela, nossos olhares se encontrando no reflexo do espelho ao lado da cama.
-Então vamos mostrar.
Ela sorriu. -Quer postar agora?
-Ainda não. Quero viver você primeiro. Só nós duas. Pelo menos por hoje.
Ela me puxou de volta pra cama, os lençóis embolando entre a gente.
E naquele instante, tudo o que existia era isso: nós duas e o começo de algo que, finalmente, podia ser real.
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886 Palavras!!
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𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀
FanfictionComo o título já diz, aqui tem imagines só de garotas. Venham se iludir comigo. Já conferiu o meu outro livro da Luísa Sonza?? E o da Taylor Swift? Não!? Vai lá conferir, garanto que não vão se arrepender..
