Abby Littman

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Pov Narradora

**S/n estava sentada no parapeito da janela do quarto, com um caderno no colo e os fones de ouvido abafando o som do mundo lá fora. Morar em Wellsbury era... complicado. Não tanto pelos boatos ou pelos olhares curiosos, mas porque tudo ali parecia controlado demais. Era difícil ser você mesma sem que alguém tentasse encaixar sua história numa caixinha.

Ginny havia saído para um encontro com Marcus, e Georgia... bom, Georgia era um mistério constante. Mas naquela noite, S/n não queria pensar em nada disso. Ela só queria escrever.

-Você tá se escondendo do mundo ou só tentando parecer misteriosa? -Avoz veio da porta entreaberta. S/n tirou um dos fones e virou o rosto.

-Abby? -Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa.

-Tô entediada.. -Abby entrou sem ser convidada, como se já fizesse parte da casa. -E suas luzes estavam acesas. Peguei isso como um sinal.

-Claro... um sinal cósmico. -S/n deu um leve sorriso, fechando o caderno.

Abby se jogou na cama, bagunçando os cobertores perfeitamente alinhados.

-Não sabia que você escrevia.. -Ela apontou com o queixo para o caderno. -Ou isso é um diário? Se for, já tô curiosa.

-Não é diário. É... só rascunho de pensamentos. Coisas que não consigo dizer em voz alta.

Abby ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para o teto.

-Sabe, às vezes eu queria ter essa coragem. -Ela virou o rosto e olhou direto nos olhos de S/n. -Você parece tão... firme. Como se soubesse quem é, mesmo que não diga em voz alta.

S/n sentiu um nó na garganta. Aquilo não era algo que se escutava de alguém como Abby — sempre com respostas afiadas, sempre cheia de armaduras.

-E você parece estar sempre fugindo de si mesma.. -Respondeu, não em tom de acusação, mas como quem enxerga além da superfície.

Abby sentou na cama, a expressão mudando. Um misto de susto e curiosidade.

-Você me irrita.. -Ela disse. -Mas de um jeito estranho. Tipo... como se eu quisesse te entender mais do que deveria.

O silêncio cresceu entre elas. Não desconfortável. Mas carregado.

-Então para de fugir.. -S/n disse, levantando e indo até a cama, parando na frente de Abby.

Abby levantou o olhar devagar. -Isso é um convite?

-É um aviso. -Respondeu S/n, com um meio sorriso. -Se você chegar mais perto, pode acabar gostando..

Abby hesitou por um segundo, mas então se aproximou, milímetros de distância entre seus rostos.

-Já é tarde demais pra isso.

E então, num impulso quase inevitável, seus lábios se tocaram. Não foi um beijo dramático, de filme adolescente. Foi um beijo cheio de dúvidas, de descoberta, de promessas não ditas.

Quando se separaram, Abby sorriu, um pouco sem jeito.

-Se a Ginny souber disso..

-Vai ser um problema seu.. -S/n respondeu, puxando Abby de novo, rindo contra a boca dela.

E naquela noite, entre palavras não ditas e olhares que falavam demais, elas começaram algo que nem mesmo Wellsbury poderia prever.

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**Na manhã seguinte, o sol entrou pelas cortinas ainda fechadas, mas o brilho já incomodava. S/n acordou primeiro. Abby ainda dormia, os cabelos bagunçados espalhados pelo travesseiro, a expressão tranquila — quase vulnerável. Ver Abby assim, sem máscaras, sem sarcasmo, era raro. Precioso.

S/n ficou ali por alguns minutos, observando em silêncio. Pensando no que aquele beijo tinha mudado — ou se tinha mudado alguma coisa.

Mas não demorou muito para a realidade bater.

-Você tá me encarando enquanto eu durmo? Que assustadora.. -Abby murmurou com a voz rouca de sono, os olhos ainda meio fechados.

-Tô só me perguntando se você vai fingir que nada aconteceu.. -Respondeu S/n, direta.

Abby virou de lado, apoiando a cabeça na mão. -Eu nunca disse que sou boa em lidar com sentimentos.

-Nem precisa ser. Só não minta pra você mesma. -S/n respondeu, já levantando da cama.

Abby bufou, puxando o cobertor pra cima.

-Eu não sei o que isso foi. Mas foi bom. Melhor do que qualquer coisa que eu esperava sentir ontem. Só que... se a Ginny descobrir, ela vai me matar.

S/n parou no meio do quarto, respirou fundo e se virou.

-Você tem medo da Ginny ou tem medo de gostar de mim?

Abby arregalou os olhos, sem resposta.

-Achei. -S/n deu um sorriso breve e provocador. -Você tem medo de gostar de mim.

Antes que Abby pudesse responder, uma batida na porta as congelou.

-S/n? Tá aí? -Era a voz de Ginny.

Abby se levantou num pulo, olhando em volta como se estivesse procurando um buraco pra se esconder.

-Veste o moletom.. -S/n sussurrou, tentando não rir do pânico dela.

Ginny abriu a porta um segundo depois. Seus olhos caíram direto sobre Abby — com o cabelo bagunçado, a expressão de quem claramente não deveria estar ali.

-O que... tá acontecendo aqui?

Abby tentou responder. Nada saiu.

S/n cruzou os braços.

-A gente só conversou. A noite toda..

Ginny franziu a testa, desconfiada.

-Conversaram.. Certo. E eu sou a Lady Gaga.

-Eu ia dizer Beyoncé, mas tudo bem.. -S/n rebateu, tentando manter a leveza.

Ginny suspirou, exausta.

-Abby... se isso for algum tipo de brincadeira.. -Ela começou, olhando diretamente pra amiga. -Só te aviso que ela não é um passatempo.

-Eu não sou. -S/n interferiu. -Mas também não preciso que você decida quem é ou não boa pra mim.

A tensão era quase palpável. Abby olhava de uma para outra, claramente dividida entre duas lealdades — ou talvez, entre quem ela foi até ontem e quem ela queria ser agora.

Ginny, ainda confusa e desconfiada, disse apenas:

-Eu vou tomar café. Se vocês quiserem continuar... conversando, beleza. Mas isso aqui não pode virar drama. Nem segredo eterno.

Quando Ginny saiu, Abby se jogou de novo na cama. -Isso foi horrível.

-Isso foi real. -S/n se sentou ao lado dela. -E talvez seja a primeira coisa real que você sente há muito tempo..

Abby a olhou de novo. Com medo. Com vontade. Com tudo.

-Então... e agora?

S/n segurou a mão dela, devagar.

-Agora a gente vê se você vai correr... ou ficar.

Abby apertou os dedos da outra, hesitante.

-Eu fico. Por enquanto.

S/n sorriu. Já era um começo.

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955 Palavras!!

Eu sou APAIXONADA por ela desde a primeira temporada pqp

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora