Pov S/n Campello
*Eu devia estar acostumada com o caos.
Com os flashes, com os sussurros, com os comentários maldosos que viram trending topic em segundos. Mas não dá pra se acostumar com uma coisa que entra na sua vida como um furacão e vai arrancando tudo que você achava que era sólido.
Três anos. Três anos dançando ao lado dela. Três anos sendo olhada por milhões como "a dançarina da Luísa Sonza", mas só nós duas sabíamos da verdade por trás dos bastidores: eu era dela. E ela era minha. Ou pelo menos... era pra ser.
Encosto a testa no espelho do camarim enquanto a equipe desmonta tudo lá fora. O show em Porto Alegre tinha acabado, mas o peso no meu peito continuava. Minhas mãos ainda tremem. Eu conheço cada olhar da Luísa. Cada gesto. E aquele que ela me deu depois do último ato? Frio. Distante. Ciumento. De novo.
Ela entra no camarim sem bater, como sempre. A maquiagem ainda impecável, mas os olhos cansados — dela e meus.
-Dá pra gente conversar? -Ela solta, como quem engole o orgulho com dificuldade.
Respiro fundo. Me viro devagar.
-Vai dizer o quê? Que viu mais um story meu com a Duda e achou que eu tava te traindo?
Ela cerra os olhos.
-Você sabe que eu odeio quando age como se fosse exagero meu. A Duda praticamente te lambe no palco.
-E você praticamente me ignora fora dele, Luísa.
O silêncio que vem depois disso é ensurdecedor. Ela caminha até mim, devagar, como quem pisa em vidro.
-Eu tô tentando... mas tá tudo virando um peso. A imprensa em cima, os comentários... Você não entende como é ser vigiada o tempo inteiro.
-Eu entendo sim. Eu tô do teu lado o tempo inteiro. Eu vivo isso contigo. Mas o que pesa não é a mídia, Lu. O que pesa é teu ciúmes. É tua desconfiança.
Ela desvia o olhar. Mordisca o lábio inferior, tentando conter algo que talvez nem ela saiba nomear.
-Você vai me deixar? -Ela pergunta, quase num sussurro.
-Eu não sei... -Respondo com a voz embargada. -Mas eu não posso continuar me apagando pra caber no teu medo.
Ela fecha os olhos, como se as palavras doíssem mais do que qualquer crítica online.
-Eu te amo.. -Ela sussurra.
-Eu também. Mas amar não pode doer assim.
A porta se fecha atrás de mim alguns minutos depois. Eu saio do camarim sem olhar pra trás. Não porque eu não queira. Mas porque, se olhar, eu sei que volto.
E talvez dessa vez... eu precise mesmo ir.
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-Dois dias depois
**São Paulo parece mais cinza do que nunca. Talvez seja o céu fechado. Talvez seja a falta dela.
Desde que deixei o camarim, não nos falamos. Nem mensagem. Nem ligação. Nada. O grupo da equipe continua fervendo com vídeos do show, piadinhas internas e marcações, mas eu só visualizo. Não tenho força pra responder. Não agora.
Tô no ensaio geral da nova coreografia, substituindo ela por áudio gravado. Parece errado. É errado. Mas eu finjo que tá tudo bem porque é isso que a gente aprende: a disfarçar até a dor.
-S/n, cê tá no tempo errado de novo.. -Chama Flávio. -Cê quer parar?
-Não. -Minto. -Dá pra começar de novo.
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𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀
FanfictionComo o título já diz, aqui tem imagines só de garotas. Venham se iludir comigo. Já conferiu o meu outro livro da Luísa Sonza?? E o da Taylor Swift? Não!? Vai lá conferir, garanto que não vão se arrepender..
