Wandinha Addams

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Pov Narradora

-Local: Nevermore Academy – Biblioteca.

*O som do relógio antigo marcava meia-noite. A maioria dos alunos da Nevermore já havia se recolhido — exceto por duas figuras na biblioteca subterrânea. Wandinha Addams estava sentada em uma mesa afastada, rodeada por livros antigos de ocultismo e envenenamento. Ela mal piscava.

S/n entrou silenciosamente, como fazia quase todas as noites. Wandinha sabia que era ela só pelo padrão dos passos.

-Tem alguém tentando invadir sua rotina obsessiva de leitura? -Provocou S/n, com um leve sorriso.

Wandinha não olhou, mas respondeu:

-Invasão implica resistência. Eu permitiria? Improvável.

S/n se sentou ao lado, sem convite. Nunca precisava de um.

-Então posso continuar vindo?

Wandinha fechou o livro com um estalo seco. -Você já continua vindo, independentemente da minha vontade. O que é... perturbador.

-Perturbador? -S/n arqueou uma sobrancelha.

-No sentido mais próximo de "inesperadamente suportável". -Wandinha a olhou, finalmente. -Você é a única pessoa que me irrita... e mesmo assim não consigo evitar sua presença.

S/n ficou em silêncio por um momento. Era o tipo de coisa que, vinda de qualquer outra pessoa, seria um elogio desajeitado. Vinda de Wandinha... era praticamente uma declaração.

-Você também me confunde. -S/n falou. -Uma hora é cortante como uma lâmina, na outra quase parece que se importa.

-Eu nunca me importo. -Ela respondeu com firmeza automática. Depois de um segundo.. -Exceto, talvez, em situações onde a sua ausência causaria desconforto... estatístico.

-Isso foi um "não vá embora", disfarçado? -S/n sorriu.

Wandinha desviou o olhar.

-Interprete como quiser. Mas se você desaparecer por mais de três dias, eu posso considerar invocar espíritos para saber onde está.

Um silêncio denso caiu. Mas não era incômodo. Era deles.

S/n encostou os braços na mesa, se aproximando um pouco. -E se eu quiser ficar mais perto?

-Física ou emocionalmente? -Wandinha perguntou, como se analisasse um experimento.

-Os dois.

Wandinha olhou para as mãos por um longo instante. Depois para S/n.

-Em teoria, eu deveria me afastar. Isso compromete minha reputação gélida e desumana.

-Mas na prática?

Ela ficou em silêncio, mas sua mão — trêmula e hesitante — se moveu levemente sobre a mesa até encostar na de S/n. Seus dedos se tocaram.

-Na prática... eu gosto da maneira como você me desconcerta. E odeio admitir isso.

S/n sorriu, apertando levemente sua mão.

-Não precisa admitir. Só deixa eu ficar.

Wandinha fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, havia algo vulnerável ali. Quase imperceptível. Mas real.

-Fique. Mas se alguém descobrir... direi que você me obrigou.

-Pode mentir o quanto quiser.. -Sussurrou S/n.

Naquela noite, nenhuma palavra a mais foi dita. Elas ficaram ali, em silêncio, mãos entrelaçadas sobre um livro de venenos, como se aquele fosse o único lugar do mundo onde algo como isso poderia existir.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora