Luísa Sonza

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Pov Narradora

*O palco ainda tremia.

As luzes apagaram faziam segundos, mas o eco da multidão vibrava nos ossos.
S/n saía do palco pela lateral, suor escorrendo pelo rosto, o coração pulsando no ritmo da última música. Ela mal tinha tempo de respirar quando ouviu a voz que a acompanhava há anos:

-Arrebentou. Como sempre.. -Disse Luísa, encostada no batente da porta que levava aos camarins.

S/n sorriu, ofegante.

-Você também. Como sempre.

Luísa mordeu o lábio, desviando o olhar por um segundo.
Mas só por um segundo.

-Vem cá.. -Disse, puxando S/n pela mão antes que ela pudesse protestar.

Foram parar em um dos camarins fechados — um reservado só para a Luísa, com luz quente e espelho iluminado, cheirando a perfume doce e palco molhado.

-Lu... o que você tá-

-Fica só um segundo.

Luísa virou de costas e ficou em silêncio. Os ombros dela subiam e desciam rápido demais pra ser normal.

-Tá tudo bem? -S/n perguntou, suavemente, se aproximando.

-É que... -Luísa se virou. Os olhos dela estavam vermelhos, não de choro, mas de intensidade demais. -Eu quase te beijei no palco.

S/n congelou. O coração pareceu parar, pra depois acelerar três vezes mais.

-O quê?

-Naquela hora.. No final de "Penhasco2". Quando você olhou pra mim como se... como se tivesse sentindo a música comigo, e não só performando. -Luísa passou a mão nos cabelos. -Três anos, S/n. Três. E eu finjo o tempo todo. Que não te olho demais. Que não te procuro no camarim depois de cada show. Que não sinto sua falta em cada intervalo de coreografia.

S/n respirava fundo, mas cada palavra parecia mais difícil de absorver.

-Eu não sabia que você..-

-Sabia sim. -Luísa interrompeu. -Ou pelo menos, desconfiava.. E me deixava continuar. Porque no fundo, você também sentia.

Silêncio.

O tipo de silêncio que antecede tempestades ou beijos.

-E agora? -S/n sussurrou. -O que a gente faz com isso?

Luísa se aproximou. Devagar. Como se tivesse medo de quebrar alguma coisa que nunca foi dita em voz alta.

-Agora? -Ela tocou o rosto de S/n com uma delicadeza desconcertante. -Agora eu quero parar de cantar sobre amores impossíveis... e viver um.

E então ela a beijou.

Não foi urgente. Nem indeciso.
Foi um beijo reconhecido — como se ambas estivessem esperando por aquilo desde o primeiro ensaio, três anos atrás.

Mais tarde naquela noite, já no quarto do hotel, S/n encarava o teto enquanto Luísa dormia ao seu lado, os dedos entrelaçados aos seus.

Nada fora dito depois do beijo.
Não havia pressa.

Afinal, o palco delas agora era outro.
E a coreografia, um passo novo de cada vez.

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**O dia seguinte amanheceu mais silencioso do que o normal.

Não havia chamadas de ensaio, nem maquiagem sendo batida às pressas, nem produtores correndo pelo hotel. Era um raro dia de folga entre turnês — e mesmo assim, S/n acordou com o coração acelerado, como se estivesse atrasada pra um show que ninguém marcou.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora