Carol Biazin 1/2

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Pov S/n Soares

*Conhecer Carol Biazin não estava nos meus planos. Na verdade, se alguém me dissesse há alguns meses que eu teria qualquer tipo de conexão com ela, eu provavelmente riria e seguiria com a minha vida. Mas então veio Luísa, sempre com seu jeitinho de aproximar as pessoas sem que elas percebam, e, de repente, eu estava dividindo uma mesa de bar com uma das vozes mais marcantes da música brasileira.

A gente se conheceu em um dos churrascos pós-show que a Luísa gostava de organizar para amigos mais próximos. Eu não era exatamente do meio musical, mas minha amizade com a Luísa e com a Amanda, uma das dançarinas dela, me colocava nesses rolês de vez em quando. Carol estava lá, descontraída, violão no colo, cabelo bagunçado e um copo de cerveja ao lado. Ela parecia no mundo dela, mas ainda assim presente em tudo ao redor.

-E aí, S/n, né? -Carol falou, estendendo a mão pra mim quando a Luísa nos apresentou oficialmente.

-A própria. -Respondi, apertando sua mão e sentindo um arrepio esquisito. Ela tinha um olhar intenso, mas ao mesmo tempo, tranquilo. Como se estivesse sempre analisando o ambiente, captando cada detalhe sem pressa.

A conversa fluiu naturalmente. Carol tinha aquele humor sarcástico que me fazia rir sem esforço, e antes que eu percebesse, a gente já estava discutindo sobre composições, relacionamentos e até teorias conspiratórias aleatórias sobre o universo.

-Mas sério, você acredita em vidas passadas? -Ela perguntou, me olhando com curiosidade enquanto girava o copo na mão.

-Se eu não acreditar, você vai parar de falar comigo? -Brinquei, arqueando a sobrancelha.

-Talvez eu só fique um pouco desapontada. -Ela respondeu com um sorriso torto.

Foi nesse momento que percebi que algo estava acontecendo. Não era só a conversa que era boa, nem só o jeito leve dela. Era a conexão.

"Ligações de alma..

Eu falo seu idioma..

Traduzo suas emoções..

Entendo sua confusão."

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**Os dias passaram e Carol e eu começamos a conversar cada vez mais. Primeiro por mensagens, depois ligações, até que as desculpas para se verem pessoalmente começaram a aparecer. Um café aqui, um show ali, um convite aleatório pra ouvir uma música nova que ela estava compondo.

-Tá, mas eu quero a sua opinião sincera. -Ela disse, sentada no chão do estúdio, enquanto segurava o violão.

-E se eu odiar? -Perguntei, cruzando os braços e tentando segurar um sorriso.

-Aí eu provavelmente nunca mais vou falar com você. -Ela riu, começando a tocar.

E então, ela cantou. E eu soube naquele instante que estava ferrada.

Carol tinha essa mania de colocar emoção demais nas palavras, de fazer com que cada verso soasse como algo pessoal, como se tivesse sido escrito pra mim. E talvez fosse. Talvez eu só estivesse tentando não perceber isso.

Quando ela terminou, o silêncio ficou no ar por um instante.

-E então? -Ela perguntou, me olhando como se minha resposta fosse realmente importante.

-Eu amei. Mas... você já sabia que estava boa, né? -Respondi, me inclinando um pouco pra frente.

-Talvez eu só quisesse que você dissesse isso. -Ela deu de ombros, com um sorriso de canto.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora