Vitória Strada

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Pov S/n Lima

-17/12/24-

*O sol ainda nem tinha se posto completamente, mas o céu já estava pintado com tons de laranja queimado e rosa. Eu estava sentada na varanda da casa da minha mãe, de pernas cruzadas sobre a almofada, vestindo só uma camiseta larga da Vitória que eu convenientemente "esqueci" de devolver. O tecido ainda tinha o cheiro do perfume dela.

Minha mãe estava na cozinha preparando alguma coisa com cheiro de alho e cebola, e eu a ouvia rindo sozinha — provavelmente assistindo aquele reality brega que ela jura que odeia.

E então escuto o portão abrindo. Antes mesmo de levantar, meu coração já sabia quem era.

-Amor?  -A voz da Vitória ecoou suave, como sempre.

Levantei e fui até a escada, sorrindo sem conseguir disfarçar. Ela estava ali, com aquele vestido branco leve e o cabelo preso de qualquer jeito, parecendo saída de um filme de verão.

-Achei que você só ia chegar mais tarde.. -Falei, descendo os últimos degraus rápido pra abraçá-la.

Ela me puxou pela cintura, sem se importar com minha mãe vendo da janela, e me beijou devagar. Daqueles beijos que dizem "eu senti sua falta o dia inteiro e tô morrendo de vontade de te jogar no sofá agora mesmo."

-Surpresa. -Ela sorriu contra meus lábios. -Sua mãe me mandou mensagem dizendo que fez sua torta favorita. Aí não resisti.

-Claro que foi minha mãe. Ela te ama mais do que a mim, já aceitei.

Vitória riu e entrelaçou os dedos nos meus. Subimos de mãos dadas e, quando entramos, minha mãe deu aquele sorrisinho cúmplice. Ela realmente era a maior fã do nosso relacionamento.

-Oi, minha nora preferida! -Minha mãe disse, já abraçando a Vitória como se não se vissem há semanas.

-Oi, sogra mais linda do mundo. Trouxe o vinho que você gosta.. -Vitória respondeu, tirando a garrafa da bolsa como se fosse ritual.

Eu fiquei só observando. As duas se davam tão bem que às vezes eu me pegava imaginando cenas de um futuro... nosso. Tipo um jantar de Natal com todo mundo junto. Ou ela me esperando no camarim depois de um filme importante. Ou...

-Tá me olhando por quê? -Ela perguntou, com um sorrisinho provocante, enquanto minha mãe ia buscar taças.

-Porque você é linda. E porque eu sou meio boba por você.

Vitória se aproximou e colou a testa na minha.

-Só meio?

-Tá... completamente.

Ela riu baixinho e me deu outro beijo, um pouco mais demorado dessa vez. Aquele tipo de beijo que faz o tempo parar por uns segundos.

*A noite foi leve, cheia de conversas bobas e olhares longos. Mais tarde, quando minha mãe foi dormir e ficamos só nós duas na varanda, Vitória me puxou pro colo dela e ficou passando os dedos no meu cabelo.

-Sabe... -Ela disse, com a voz baixa. -Se eu passar o Natal com você esse ano, posso considerar oficial?

-Você já é oficial, Vick. Só não percebeu ainda.

Ela me olhou como quem tinha acabado de ouvir a melhor coisa do mundo, e sorriu daquele jeito que me desmontava inteira.

E ali, com o som dos grilos ao fundo, o calor da noite e o coração tranquilo, eu soube: a gente era mais do que só "ficando".

Era começo de amor. E eu tava pronta pra mergulhar.

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**A brisa da noite era morna, mas o calor que crescia entre nós vinha de outro lugar.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora