Carol Biazin

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Pov Narradora

*S/n ajeitou a luz da bancada pela terceira vez. O camarim estava silencioso, exceto pelo leve burburinho vindo do corredor do estúdio. Era dia de gravação do novo clipe da Carol Biazin, e S/n tinha sido chamada de última hora para substituição — uma das maiores oportunidades da sua carreira até então.

Carol entrou com passos calmos, vestindo um moletom oversized e o cabelo preso de forma improvisada. Os olhos dela — intensos, atentos — se encontraram com os de S/n, que engoliu seco antes de abrir um sorriso profissional.

-Você que vai me maquiar hoje? -Perguntou Carol, se aproximando da cadeira.

-Sim, sou a S/n. É um prazer. -Respondeu, tentando manter a compostura.

-Prazer, Carol. -Ela respondeu, sentando-se e cruzando as pernas. -Já gostei da energia.

S/n começou limpando o rosto dela com delicadeza, o toque sutil da esponja deslizando pela pele da cantora. Por mais que tentasse manter o foco técnico, era impossível ignorar o cheiro bom do perfume de Carol, a forma como ela ficava quieta enquanto S/n trabalhava, mas com os olhos sempre nela.

-Você já me maquiou antes? -Carol perguntou, de repente, quebrando o silêncio com um sorriso de canto.

-Nunca. Mas já estudei bastante o seu rosto.

Carol arqueou uma sobrancelha, intrigada. -Isso foi... meio sexy. Digo, no bom sentido. -Ela riu. -Digo... técnico, né?

S/n riu também, corando levemente.

-Técnica, sempre.

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**Os minutos passaram com uma naturalidade estranha — como se já se conhecessem de outros carnavais. Carol cantava baixinho entre uma sombra e outra, e S/n se pegava perdendo o foco por milésimos de segundo, observando a curva dos lábios dela, a expressão de leve arrepio quando o pincel passava próximo ao maxilar.

-Acho que nunca fui maquiada assim... com tanto cuidado.. -Disse Carol, já quase pronta.

-Gosto de fazer quem tá na minha cadeira se sentir especial. -Respondeu S/n, organizando os produtos.

Carol a olhou fixamente por alguns segundos.

-Então eu sou especial?

O ar entre elas ficou denso. O mundo lá fora parecia abafado. S/n sorriu, meio sem saber como responder — mas antes que pudesse dizer algo, a produtora bateu na porta.

-Biazin, cinco minutos!

Carol levantou com relutância, foi até o espelho, analisou o próprio reflexo e depois virou-se para S/n.

-Você vai ficar aqui depois da gravação?

-Posso ficar, se você quiser. -Respondeu, firme.

Carol sorriu. -Quero sim. Acho que a gente ainda tem mais o que descobrir... fora da bancada.

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Pov S/n Lopes

**Ela saiu do camarim com aquele mesmo sorriso indecifrável no rosto. Carol Biazin. A mesma que eu ouvia em looping nos fones enquanto treinava técnicas de delineado gráfico, agora estava ali, maquiada por mim, me olhando como se... como se quisesse mais.

"Você vai ficar aqui depois da gravação?"
A pergunta ainda ecoava na minha cabeça. E a resposta saiu antes mesmo de eu pensar:
"Posso ficar, se você quiser."

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora