Duquesa

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Pov S/n Oliveira do Nascimento (Irmã do Cabelinho)

-Backstage – 21h17, São Paulo Fashion Sounds

**A batida da música tremia no chão.
Os corredores do backstage fervilhavam com maquiadores correndo, estilistas surtando e flashes piscando.
E eu?
De salto 12, pele iluminada, e um vestido assinado por uma marca francesa que me queria como o "rosto da nova campanha mundial".

Mas o que tirou o ar do meu peito não foi o vestido.
Nem a multidão.
Foi ela.

Duquesa.
A mulher que todo mundo desejava, respeitava, temia — e que agora estava encostada no batente da porta do camarim, de moletom oversized e tranças impecáveis, me olhando com um sorriso discreto, como se já soubesse de tudo.

-Tava esperando você sair.. -Ela disse, com a voz grave, calma, quente demais pro meu próprio bem.

-E por que exatamente?

Ela se aproximou devagar, os brincos balançando, o perfume doce e denso preenchendo o ar entre a gente.

-Porque hoje... Eu sou a atração principal. Mas todo mundo só vai lembrar de você.

Meu coração perdeu uma batida.
Sorri de canto.

-Bonito discurso. Mas eu costumo andar com gente que não me subestima.

-E eu costumo andar com quem sabe reconhecer tensão quando ela acontece.

Silêncio.

O olhar dela me escaneava.
Não sexual. Não casual.
Intenso. Intrigante.

-Você tá me dando um olhar perigoso, Duquesa.

-E você tá me dando motivos pra ele.. Mas se quiser, eu viro o rosto. Só que aí você vai ter que lidar com a dúvida do que teria acontecido... se eu não tivesse parado.

Arrepios.

A stylist apareceu no corredor, avisando que eu era a próxima.
Duquesa se afastou dois passos, mas antes de sair, deixou no ar:

-Termina teu desfile. Depois disso, eu quero cinco minutos com você.. Sozinhas.

E então desapareceu.

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**Desfile feito.
Corpo tremendo.
Câmeras e aplausos.

Mas tudo que eu conseguia pensar era na promessa:
cinco minutos com ela.

Entrei no camarim, ainda ajeitando o cabelo, quando ela fechou a porta atrás de mim.
Sozinhas.

-Gostou do que viu na passarela? -Provoquei.

-Gostei mais do que vi fora dela. A forma como você anda, como vira o pescoço, como morde o canto da boca sem perceber..

-Tá me analisando há quanto tempo?

Ela se aproximou, sem pressa, até encostar na penteadeira, me olhando pelo espelho.

-Desde o dia em que vi sua foto numa campanha de perfume. E desejei mais do que o cheiro. Desejei o caos.

Virei devagar pra ela.
A tensão era palpável.

-E se eu for mesmo caos?

Ela sorriu.

-Eu escrevo canções sobre fogo, amor e loucura. Você seria só mais um verso. -Chegou perto. Bem perto. -Mas talvez.. Seja o verso que falta no refrão mais sincero que eu ainda não escrevi.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora