Giulia Benite

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Pov Narrador

*O sol já tinha começado a descer quando vocês encerraram a última cena do dia. A equipe ia aos poucos se dispersando, o diretor trocava elogios com o elenco, mas S/n não conseguia parar de olhar pra Giulia.

Ela sorria, de leve, sentada na mureta que dava de frente pro mar cenográfico. Vestia ainda a roupa da personagem — uma regata clara, cabelo meio bagunçado e os olhos brilhando com aquele cansaço bom de fim de gravação.

-Você mandou bem hoje.. -S/n disse, se aproximando com um copo de chá gelado em mãos.

-Você que mandou. -Giulia respondeu, sorrindo com o canto da boca, pegando o copo sem desviar o olhar.

Ficaram ali em silêncio por alguns segundos. Só o barulho do vento, das ondas falsas da produção, e dos passos distantes do resto da equipe indo embora.

-Tem horas que eu esqueço que é tudo atuação... -Giulia murmurou, encarando o horizonte.

S/n a olhou de lado. -Tipo quando?

-Quando você me olha daquele jeito. nas cenas. ou agora.. -Ela respondeu, virando lentamente o rosto.

S/n sentiu o coração bater forte, mas não desviou. Apenas se aproximou um pouco mais, com calma, deixando os dedos encostarem nos de Giulia, que ainda seguravam o copo.

-E se não for atuação? -Ela perguntou, a voz baixa. Giulia não respondeu de imediato. Só sorriu, sem pressa, os olhos fixos nos de S/n.

-Então, acho que a gente precisa de mais cenas fora do set.

As duas riram baixinho, cúmplices. E naquele momento, entre o fim de um dia de gravação e o começo de algo mais, S/n teve certeza: nem todo roteiro precisa ser escrito antes.

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*A noite caiu devagar. depois que a equipe foi embora, S/n e Giulia continuaram ali pelo set, caminhando pela praia cenográfica, agora deserta, só com as luzes técnicas ainda acesas no fundo.

-Meu quarto de hotel tem uma varandinha legal.. -Giulia soltou, casual, mas com um tom mais denso por trás.

-Tem vinho? -S/n provocou, arqueando uma sobrancelha.

-Vinho, travesseiro extra e nenhuma supervisão..

A frase ficou no ar por uns segundos antes das duas rirem, mas com aquele riso abafado, quase cúmplice demais. Minutos depois, já estavam no elevador, lado a lado — o silêncio entre elas mais barulhento do que qualquer conversa.

Chegando no quarto, a vibe era clara: luz baixa, música baixa, e um espaço pequeno que parecia grande demais pra tanta tensão. Giulia se sentou no parapeito da varanda, olhando pra cidade, enquanto S/n encostava na porta, observando.

-Você sempre é assim fora das câmeras também? -S/n perguntou, devagar.

-Assim como? -Giulia virou o rosto com um sorriso torto.

-Intensa. Provocante..

-Só com quem me instiga. -Ela respondeu sem hesitar.

Houve uma pausa. Longa. Densa.

S/n foi até ela. As duas ficaram frente a frente, quase coladas. Os olhos trocando promessas que ainda não tinham nome.

-Me beija, se for corajosa.. -Giulia provocou, quase num sussurro.

S/n não respondeu com palavras. Apenas segurou o rosto dela com uma das mãos, deslizando o polegar pela bochecha quente da menina, antes de aproximar seus lábios dos dela com lentidão.
O primeiro beijo foi calmo. Ddelicado. E então, como se um botão tivesse sido apertado, o segundo veio mais urgente. A mão de Giulia apertou a cintura de S/n, puxando-a para mais perto, como se o espaço entre elas fosse intolerável.

𝕴𝖒𝖆𝖌𝖎𝖓𝖊𝖘 𝖌𝖎𝖗𝖑𝖘 ➀Onde histórias criam vida. Descubra agora